Início Site Página 287

David Almeida com 38,7% e o menor índice de rejeição, revela pesquisa Ipen

A menos de 24 horas das Eleições 2024, neste domingo (6/10), o prefeito e candidato à reeleição David Almeida confirma crescimento contínuo nas últimas semanas, com a novidade da queda da rejeição, agora a menor entre os candidatos.

É o que revela a 6ª pesquisa Ipen, divulgada na manhã deste sábado (5/10). David Almeida registra 38,7% dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, e índice de rejeição de 9,8%.

Na estimulada, David chegou a 35%, contra 32,9% da pesquisa anterior, publicada no dia 25 de setembro. Em um distante segundo lugar vem Roberto Cidade, com 20%, ou seja, 15 pontos percentuais atrás do prefeito.

Na sequência da corrida eleitoral estão Amom Mandel 16%, Capitão Alberto Neto 11,9%, Marcelo Ramos 5,6%, Wilker Barreto 1,1% e Gilberto Vasconcelos 0,8%.

A menor rejeição

Na medida que aumenta na preferência do eleitor manauara, David Almeida também diminui o nível de rejeição, agora abaixo dos 10 pontos percentuais (9,8%).

As maiores rejeições, segundo o estudo do Ipen, são de Marcelo Ramos, com 21,9%; Amom Mandel 14,9% e Gilberto Vasconcelos, 13,1%. Na sequência vêm Capitão Alberto Neto, 12,4%; Roberto Cidade, 10,4%; e Wilker Barreto, com 9,9%.

Simulações de 2º turno

Nas possibilidades de segundo turno simuladas pelo Ipen, David Almeida também segue absoluto, vencendo qualquer candidato: 52,6% contra 32,2% de Amom Mandel; 56,7% frente a 27,1% de Capitão Alberto Neto; e David Almeida 51,6% contra 33% de Roberto Cidade.

A pesquisa

O estudo realizado pelo Ipen tem o registro AM-01506/2024 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi realizado de 29 de setembro a 3 de outubro, ouvindo 1.000 eleitores de Manaus. A margem de erro é de 3,09 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de índice de confiabilidade.

Foto: Divulgação

MPAM recomenda suspensão imediata da operação “Estiagem 2024” em Maués, após indícios de envolvimento eleitoreiro de candidatos nas doações

Após indícios de uso eleitoreiro das doações, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça da 5ª Zona Eleitoral, expediu a recomendação nº 2024/0000112816 à Defesa Civil do Estado do Amazonas para que suspenda a operação “Estiagem 2024” em Maués.

A medida, que sucede um procedimento preparatório eleitoral, tem como base denúncias de possíveis práticas ilícitas por parte de candidatos. Os mesmos estariam organizando o envio de cestas básicas via embarcações para comunidades rurais, sem a ciência dos técnicos da Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) e da Defesa Civil.

A ação se baseia no artigo 1º da Resolução 23.735/2024, que classifica a captação ilícita de sufrágio – quando um candidato doa, oferece, promete ou entrega itens ao eleitor com a finalidade de obter voto. Trata-se de prática eleitoral de abuso de poder.

Logística sem interferência

Autora da recomendação, a promotora Eleitoral Miriam Figueiredo da Silveira requereu ainda a apresentação de um novo plano estratégico para envio das 1229 cestas básicas oriundas da operação e que estão atualmente acondicionadas no Fórum de Justiça de Maués.

A ideia é não deixar de atender as comunidades rurais – critério que, no entender da promotora Eleitoral, deve ser priorizado – e que seja feita a logística pelo Estado do Amazonas, sem interferências de órgãos municipais e prevenindo a ocorrência de novos ilícitos eleitorais.

“O Ministério Público Eleitoral, na defesa do regime democrático e da lisura do pleito, prefere atuar preventivamente, seja para assegurar a lisura do pleito, a normalidade e a legitimidade das Eleições municipais que se avizinham, seja para contribuir, a um só tempo, na efetividade do direito fundamental ao sufrágio, na proteção dos direitos fundamentais políticos e na segurança jurídica do processo eleitoral”, comentou a promotora, no texto no documento.

Operação Estiagem 2024

Em agosto deste ano, a Defesa Civil do Estado anunciou que a Operação “Estiagem 2024” realizaria uma mobilização intersecretarial com o envio de insumos para agricultura, além de cestas básicas, caixas d’água e purificadores de água para municípios do interior, incluindo Maués.

Foto: Divulgação/MPAM

Constituição ampliou direitos políticos do cidadão e completa 36 anos

A Constituição Federal completa 36 anos neste sábado (5/10). O conjunto de leis fundamentais que organizam o funcionamento do Estado desde 1988 também é conhecido como Constituição Cidadã, por ter incluído melhorias relacionadas aos direitos fundamentais. Elaborada por uma Assembleia Constituinte, foi promulgada oficialmente no dia 5 de outubro.

Às vésperas das eleições municipais, o aniversário da Constituição é uma data significativa já que marca a reestruturação do documento que rege o Estado brasileiro, com atualizações importantes como as dos direitos políticos, ao exemplo do voto secreto, livre manifestação do pensamento e da liberdade religiosa.

Para o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em direito constitucional Rodrigo Portela Gomes, as eleições são um dos instrumentos disponíveis para manter a legitimidade política da Constituição e um recurso de manifestação do interesse popular.

Segundo Gomes, os direitos fundamentais previstos na Constituição são a base do sistema eleitoral.

“As eleições são fundamentais para a manutenção da democracia e, consequentemente, são fundamentais para a manutenção da Constituição. O sistema eleitoral é um mecanismo para a gente exercer esses direitos políticos. É uma estrutura com procedimentos, com atos, normas e instituições.”

A Constituição marca ainda o estabelecimento dos direitos políticos dos cidadãos.

“No artigo 14, nós temos o fundamento de como existem as eleições, que são o exercício dos nossos direitos políticos e conferem a legitimidade para o exercício dos mandatos eletivos. Se existe na Constituição a previsão de que o Poder Legislativo será exercido a partir do mandato eletivo, é porque há o exercício de um direito político que confere ao parlamentar a legitimidade, porque ele foi votado.”

Regras para processo eleitoral

A Constituição, associada a outras leis e normas, estabelece regras para o processo eleitoral. Entre elas, a possibilidade de segundo turno e de reforço da segurança nos pleitos locais por meio de forças federais. 

O texto constitucional define ainda que o voto é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para os analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 anos a 17 anos e 9 meses.

A Constituição de 1988 também estabelece as condições de elegibilidade. Entre elas, ter nacionalidade brasileira, estar no pleno exercício dos direitos político e possuir filiação partidária. 

As idades mínimas para assumir os cargos foram definidas pelos constituintes da seguinte forma: 35 anos para presidente e vice-presidente da República e senador; 30 anos para governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal; 21 anos para deputado federal, deputado estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz; e 18 anos para vereador.

A Constituição Federal também define atribuições para autoridades municipais que concorrem nas eleições deste domingo.  

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família. De acordo com o Artigo 211, os sistemas de ensino federal, estadual e municipal devem se organizar em regime de colaboração.

Os municípios devem atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil, que abrange creches (que atendem bebês e crianças de até 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos). A Constituição estabelece que as prefeituras destinem, no mínimo, 25% de sua arrecadação à educação.

Promover políticas para moradia também é um dever constitucional dos municípios, como determina o Artigo 23 da Constituição brasileira. 

Para saber mais sobre seus direitos e políticas públicas municipais, confira aqui nosso especial de eleições. 

Fonte: Agência Brasil

Candidatos devem ter propostas para conselheiros tutelares

Órgãos municipais, os conselhos tutelares são peças fundamentais da garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), esses órgãos são permanentes e autônomos, mas o cumprimento de suas atribuições depende do apoio do poder municipal.

A professora Simone Eliza Lessa, da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que o eleitor deve buscar nas plataformas de seus candidatos a prefeito e vereador o compromisso com esses conselhos.

“Deve ser um compromisso de campanha dar visibilidade aos conselheiros tutelares, com formação continuada para os conselheiros e para as equipes técnicas, aproximação com as universidades para qualificar esse público e controle social dos conselhos tutelares. Há que ter acompanhamento do cotidiano”, disse a professora.

O Brasil tem, ao todo, 6.100 conselhos tutelares distribuídos por seus 5.570 municípios. Houve eleição em outubro do ano passado. Foram 30.500 conselheiros eleitos em todo o país.

As principais funções dos conselhos tutelares são  atendimento e orientação de crianças, adolescentes e seus pais ou responsáveis, fornecendo informações, esclarecendo dúvidas e orientando sobre os direitos e deveres de cada um. além disso, eles recebem denúncias, reclamações e demandas relacionadas a situações de risco ou violação dos direitos de crianças e adolescentes, e fiscalizam instituições, serviços e programas que atendem crianças e adolescentes, como escolas, creches, abrigos e centros de acolhimento.

“É preciso haver uma dimensão muito educativa do que é o papel do conselheiro. Infelizmente nesse contexto que a gente está vendo que os conselhos foram muito contaminados pelas polarizações religiosas e até pela ação da milícia”, disse a pesquisadora.

“Os conselhos precisam ser espaços visíveis e acessíveis. Todo mundo precisa saber onde fica o conselho tutelar. Tem que ser um prédio bem organizado, com infraestrutura, um carro para as visitas. Infelizmente, os conselhos têm estrutura que não são das melhores e isso depende do território onde ele está”.

A conselheira tutelar Patrícia Félix, do Rio de Janeiro, lembra que quem inaugura os conselhos são as prefeituras e que existe uma recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) de um conselho para cada cem mil habitantes.

“Os prefeitos têm que olhar para o conselho tutelar com essa necessidade de não subalternizar o órgão. Os vereadores podem contribuir com a atualização da lei. As leis dos conselhos tutelares estão desatualizadas. Os vereadores têm uma função especial de não só aprimorar essas leis, mas como também de fiscalizar todos os repasses das verbas municipais, a situação atual dos conselheiros”, disse Patrícia.

Fonte: Agência Brasil

Roberto Cidade programa sábado com caminhadas e carreata em toda Manaus

A campanha de Roberto Cidade (União Brasil), candidato à Prefeitura de Manaus, programou três grandes eventos para encerrar o primeiro turno das eleições neste sábado (05/10). Ao lado do vice Coronel Menezes (PP) e de apoiadores, o candidato terá ações nas ruas durante todo o dia, com o objetivo de percorrer vários bairros da capital para agradecer o carinho dos manauaras e pedir voto no 44.

Roberto Cidade foi o candidato que mais cresceu na intenção de votos ao longo do pleito de 2024 e os institutos de pesquisa projetam sua presença no segundo turno contra o atual prefeito. Deputado estadual mais votado da história, ele conseguiu reunir em torno da sua candidatura o maior arco de alianças da campanha, com oito partidos.

“Fizemos uma campanha limpa e focada em apresentar nossos compromissos para uma Manaus mais desenvolvida e justa, por isso apresentamos a meta de colocar para funcionar 12 UPAs 24 horas, reforçar a Guarda Municipal para que atue nas escolas e terminais de ônibus e também criar o Auxílio Municipal, para as famílias em dificuldade”, salientou.

Na manhã do sábado, o candidato começa a campanha com uma caminhada na zona Norte, a partir das 8h. Depois, ele fará carreatas em diversos bairros. À noite, encerrará a campanha em cima de um trio elétrico durante mobilização também na zona norte.

Ao longo da campanha no primeiro turno, Roberto Cidade realizou mais de 120 eventos públicos com eleitores, percorrendo os bairros da capital para conversar com a população. “O sentimento nos quatro cantos de Manaus é de mudança. Nosso povo precisa de alguém que tenha compromisso e vontade de resolver. Sem propostas para apresentar, meus adversários fizeram uma campanha de baixaria e ataques. Mas eu não me movi um centímetro do meu objetivo que é trabalhar para dar mais qualidade de vida para nossa população”, disse.

Coligação “Manaus Merece Mais”

Presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade é o candidato que construiu o maior arco de alianças desta eleição em Manaus. Além do União Brasil e do Progressistas, fazem parte da coligação o Republicanos, o Podemos, o Partido da Mulher Brasileira (PMB), o Partido da Renovação Democrática (PRD) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). 

Texto e fotos: Assessoria de imprensa da campanha de Roberto Cidade

”O sentimento de mudança está no povo, é o que eu vejo nas ruas”, diz Roberto Cidade durante caminhadas na zona Oeste

“O sentimento de mudança está no povo, é o que eu vejo nas ruas”. A afirmação foi feita pelo candidato a prefeito de Manaus Roberto Cidade (União Brasil) durante uma mega caminhada pelas ruas dos bairros Santo Antônio, Glória e São Jorge, zona Oeste de Manaus, no final da tarde e início da noite desta sexta (4/10). Durante a mobilização, Cidade conversou com comerciantes e moradores da região, dando detalhes sobre seu Plano de Governo.

“Estou muito tranquilo pela campanha que fizemos até aqui. Eu fui o candidato que mais andou pelas ruas, por todos os bairros, fiz várias reuniões. Manaus já entendeu que precisa mudar, e para poder mudar, tem que mudar para alguém que está pronto, experiente, que vai fazer as entregas, que fale a verdade para população”, afirmou.

O encontro teve início no bairro Santo Antônio, onde Roberto Cidade cresceu. Ao longo do percurso, o candidato reforçou seus três principais compromissos: armar e ampliar o efetivo da Guarda Civil Municipal, criar o Auxílio Municipal Permanente e implantar 12 UPAs 24 horas em todas as zonas de Manaus.

“O atual prefeito virou as costas para a saúde, a segurança pública e os mais necessitados. Manaus precisa de um prefeito que arme a guarda municipal para proteger o cidadão, que respeite quem está na fila das unidades básicas, que cuide de quem passa necessidade”, acrescentou.

Moradora do bairro Santo Antônio desde sua infância, a professora Camila Gomes, 33 anos, afirmou que está insatisfeita com a atual gestão e tem esperança por dias melhores por causa das propostas de Cidade. “O entusiasmo dele, a verdadeira vontade dele de querer mudar Manaus e levar a nossa cidade aí para um nível maior, encoraja a gente”, diz Camila.

Ao longo do percurso, Cidade foi entrevistado pela imprensa e destacou a sua proposta de recriar a Secretaria Municipal de Esporte. “Nós vamos recriar a Secretaria Municipal de Esporte, trazer mais lazer, fazer uma integração com as nossas crianças e melhorar a estrutura da prefeitura para a gente dar a nossa contribuição. Principalmente para tirar nossas crianças do caminho da violência”, acrescentou.

As mobilizações tiveram a presença dos deputados estaduais João Luiz (Republicanos) e Alessandra Campelo (Podemos), do candidato a vice-prefeito Coronel Menezes (Progressistas) e de apoiadores da coligação. O encontro terminou no bairro São Jorge, com o trio Micareta44, que reuniu milhares de pessoas.

Coligação “Manaus Merece Mais”

Presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade é o candidato que construiu o maior arco de alianças desta eleição em Manaus.

Além do União Brasil e do Progressistas, fazem parte da coligação o Republicanos, o Podemos, o Partido da Mulher Brasileira (PMB), o Partido da Renovação Democrática (PRD) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). 

Texto e fotos: Assessoria de imprensa – Campanha Roberto Cidade

Questão climática é desafio para prefeitos e vereadores

Em maio, as enchentes levaram destruição a Porto Alegre e a outros 470 municípios gaúchos. Já em setembro, as queimadas consumiram parte da flora e fauna da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado e deixaram várias cidades sob uma densa fumaça. Essas tragédias escancaram a necessidade de as cidades estarem preparadas para enfrentar o agravamento da crise climática e coloca de vez a questão ambiental como tema central nas eleições municipais. 

O fogo e a chuva não estão preocupados se cabe ao município, ao estado, ao Distrito Federal ou à União a responsabilidade do enfrentamento dos desastres, mas é nas cidades que essas calamidades se manifestam, conforme destaca o presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), Ary Vanazzi.

O presidente da ABM ressalta que a conscientização da população sobre a questão climática está em ascensão e é vital que a sociedade cobre ações efetivas de prefeitos e vereadores. Ele destaca que os municípios têm um papel crucial no enfrentamento das mudanças climáticas. 

“A questão climática não é só responsabilidade das prefeituras, mas é nas cidades que os desastres acontecem. Então é importante que a população cobre dos candidatos projetos para tornar as cidades mais resilientes, reduzindo os impactos dos eventos extremos no seu território. As cidades são agentes essenciais tanto para a mitigação quanto na adaptação a esses desafios”, afirma Vanazzi.

Ele sugere que a gestão pública deve implementar uma defesa civil robusta, capaz de atuar em momentos de crise para proteger a população. Vanazzi também enfatiza a importância do planejamento urbano de longo prazo. 

“A gestão pública precisa ter uma brigada, precisa ter uma defesa civil que possa atuar no momento do desastre e salvar a vida da população. Mas os prefeitos e vereadores também precisam planejar melhor suas cidades, fazer planejamento de longo prazo. As pessoas têm de ter direito a moradia em lugares que não são tão diretamente afetados por chuvas e secas”, aponta.

A posição do presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM) é reforçada por declaração recente do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Em entrevista na quinta-feira (3/10), Lewandowski ressaltou a importância de iniciar a prevenção de incêndios em nível municipal e propôs a criação de corpos de bombeiros municipais, inspirando-se no modelo das guardas municipais.

No entanto, a questão do financiamento permanece crucial. Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 49% das cidades brasileiras encerraram 2023 com déficit financeiro, o que significa que quase metade dos municípios não conseguiu equilibrar suas contas. Vanazzi aponta que a maioria dos municípios brasileiros carece de estrutura técnica para enfrentar essas questões. 

“A gente pensa muito em financiamento, e com certeza precisamos investir muito mais na mitigação e adaptação para as mudanças climáticas, mas também precisamos ter uma equipe nas prefeituras que saiba lidar com o tema”.

Ele reforça que o enfrentamento da crise climática é um desafio que exige a articulação com todas as esferas de governo, incluindo estados, governo federal e Congresso Nacional. Vanazzi acredita que o governo federal tem mostrado disposição em melhorar essa gestão federativa, mas ressalta que ainda estamos distantes do que é necessário. 

“Isso vai exigir uma coordenação entre governo federal e estados, para que essa capacitação chegue na ponta, na equipe da prefeitura. É preciso que o governo federal, que as entidades internacionais e que os governos estaduais contribuam com treinamento, com assessoria técnica, criando financiamento, criando linhas de crédito para que os municípios possam realizar as ações. Ainda estamos muito aquém do que precisamos”, avaliou o presidente da ABM.

Medidas legislativas

Embora os desafios permaneçam significativos, o Congresso Nacional continua a discutir medidas para assegurar que os recursos cheguem efetivamente aos municípios. O socorro ao Rio Grande do Sul, por exemplo, foi tema de 25 medidas provisórias até julho. Atualmente, estão em análise no Senado e na Câmara iniciativas destinadas a avançar no combate às queimadas, incluindo a Medida Provisória (MP) 1.259/2024, que flexibiliza as regras para repasses financeiros a estados para ações de prevenção e combate a incêndios.

De acordo com essa medida, estados e o Distrito Federal poderão acessar recursos por meio de empréstimos ou doações de instituições financeiras, mesmo quando possuam casos de irregularidade ou pendências fiscais, trabalhistas ou previdenciárias. Para que os repasses sejam viabilizados, é necessário que a situação de calamidade pública ou emergência seja reconhecida pelo governo federal, e a medida permanecerá em vigor enquanto essa condição for mantida.

Em uma recente entrevista, a presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), Leila Barros (PDT-DF), enfatizou a necessidade premente de aumentar os recursos destinados à fiscalização e proteção ambiental, em virtude do alarmante aumento no número de incêndios florestais no Brasil.

“Nós, que criamos as leis, que revemos as leis e discutimos o Orçamento, sabemos que muitos desses órgãos de preservação foram de alguma forma desmontados, principalmente na questão orçamentária. Estamos em um momento com muitos danos econômicos, danos à saúde, além dos danos ambientais”, afirmou ela.

Outros projetos estão em discussão no Congresso, entre eles um projeto de lei da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) que estabelece, como diretriz da política urbana, o fomento à construção de cidades resilientes às mudanças climáticas. Aprovado em junho no Senado, com modificações, o PL 380/2023 foi enviado de volta à Câmara dos Deputados para uma nova votação.

A deputada destaca, nessa proposta, a importância de estudos de análise de risco e vulnerabilidade. Ela argumenta que tais estudos são ferramentas fundamentais para equipar os gestores municipais com as informações necessárias para adotar medidas de prevenção e mitigação dos impactos sociais e ambientais resultantes de eventos climáticos.

O texto prevê a identificação dos grupos mais vulneráveis da população, levando em consideração critérios como gênero, raça e renda, como esclareceu o relator do projeto, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

“Sabemos que a vulnerabilidade climática é maior entre as populações negras e periféricas, em decorrência do que tem sido chamado de racismo ambiental”, destacou Contarato durante a análise da matéria.

Outro projeto de lei (o PL 4.129/2021), apresentado pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), foi aprovado este ano pelo Senado e já se tornou lei (Lei 14.904, de 2024). Essa nova legislação estabelece diretrizes gerais para que estados, municípios e o Distrito Federal elaborem e revisem seus planos de adaptação à mudança do clima, com incentivo à sua implementação.

Durante o debate dessa proposta, que ocorreu em meio à tragédia no Rio Grande do Sul, o relator da matéria, senador Jaques Wagner (PT-BA), reforçou a necessidade de um esforço conjunto a fim de preparar os municípios para o novo momento climático.

“É fundamental que os entes federados se articulem para planejar e implementar de forma adequada suas políticas públicas com foco na adaptação à nova realidade, de modo a evitar ao máximo possível os prejuízos ambientais, econômicos e sociais que se avizinham. Assim, os planos de adaptação à mudança do clima são instrumentos da maior importância”, disse o senador.

Fonte: Agência Senado

Regulamentação da reforma tributária tem urgência retirada pelo Executivo

Foi retirada pelo Executivo a urgência do Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, que trata da primeira parte da regulamentação da reforma tributária. O projeto trancava a pauta de votações no Plenário desde setembro, quando completou 45 dias no Senado. O despacho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o pedido de retirada da urgência foi assinado na quinta-feira (3/10) e publicado nessa sexta-feira (4/10), no Diário Oficial da União (DOU).

No despacho, o presidente solicita que seja considerada sem efeito, e, portanto, cancelada, a urgência pedida para o texto. Com isso, voltam ao normal as votações da Casa, cuja pauta estava trancada desde 23 de setembro. Há expectativa de que seja votada em Plenário a indicação de Gabriel Galípolo para o cargo de presidente do Banco Central, após a sabatina marcada para terça-feira (8/10) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O projeto de regulamentação da reforma tributária está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde terá como relator o senador Eduardo Braga (MDB-AM). A designação do relator ainda não foi feita oficialmente. O projeto já havia recebido, até o início da tarde desta sexta-feira (4/10) 1340 emendas dos senadores.

A retirada do regime de urgência vinha sendo cobrada por líderes partidários desde julho, quando o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados. O argumento é de que o texto precisa de tempo para ser discutido na Casa. Por enquanto, as discussões se concentraram na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que fez um grupo de trabalho para tratar do texto e realiza audiências públicas semanais sobre pontos do texto. O grupo é coordenado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF).

No início de agosto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já havia indicado que o projeto só deveria ser votado depois das eleições municipais, cujo primeiro turno será no domingo (6/10). A ideia, de acordo com Pacheco, era de que o texto fosse amplamente discutido com todos os setores da sociedade, inclusive em sessões temáticas no Plenário.

Projeto

O PLP 68/2024 detalha as regras de unificação dos tributos sobre o consumo, os casos de diminuição da incidência tributária e normas para a devolução do valor pago pelos contribuintes, conhecido como cashback. O texto é a primeira parte da regulamentação, que também tem pontos tratados em outro projeto, o PLP 108/2024, em análise na Câmara.

A regulamentação é uma exigência da Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro, que estipulou a substituição de cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por três: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. O objetivo é simplificar e modernizar o sistema tributário brasileiro.

Conheça alguns pontos do primeiro projeto de regulamentação (PLP 68/2024)

Fonte: Agência Senado

MP alonga prazo de compensação a bancos por perdas com inadimplência

O governo federal publicou nesta semana uma medida provisória que altera regras sobre a compensação a bancos por perdas com empréstimos que não são pagos pelos clientes. Atualmente, os bancos podem usar o montante da inadimplência de um ano para reduzir os impostos que têm de pagar ao governo pelos três anos seguintes. Agora, esse prazo será de sete anos, podendo chegar a dez anos.

Com isso, MP 1.261/2024 diminui o total mensal de perdas que os bancos podem usar para diminuir seus impostos, o que aumentará a arrecadação do governo federal em R$ 16 bilhões em 2025.

Lucro

A MP muda essas regras na Lei 14.467, de 2022, que permite que as instituições financeiras deduzam do lucro líquido as perdas com as operações de crédito de clientes inadimplentes. As deduções podem ser feitas na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). De acordo com o Banco Central, o lucro líquido dos bancos chegou a R$ 145 bilhões em 2023.

Por essa lei, os bancos podem considerar como despesa, para fins de apuração do lucro tributável, as operações não pagas pelos clientes. A regra vale para operações inadimplidas (com atraso superior a 90 dias) e para operações com pessoa jurídica em processo falimentar ou em recuperação judicial. A MP visa reconhecer que esses valores não correspondem a acréscimo patrimonial para o banco, não devendo, portanto, compor a base de cálculo do IR e da CSLL.

Arrecadação

Com a MP, será adiada a dedução das perdas relativas a 2024, que só poderão ser feitas a partir de janeiro de 2026 e não mais a partir de abril de 2025. Ou seja, os bancos pagarão mais tributos no ano que vem, aumentando a arrecadação do governo federal em cerca de R$ 16 bilhões em 2025, de acordo com o Ministério da Fazenda.

O cálculo da dedução dessas perdas também muda. Antes, os bancos poderiam excluir as perdas do lucro líquido de forma parcelada em três anos, na proporção 1/36 ao mês. Agora terão que optar: deduzir 1/84 por mês (em sete anos) ou 1/120 por mês (em 10 anos). Assim, a medida torna mais lenta a dedução fiscal das perdas contabilizadas com as operações de crédito.

A medida também proíbe a dedução das perdas relativas ao exercício de 2025 em montante superior ao lucro real da instituição financeira no ano. O que ultrapassar o lucro real deverá ser adicionado ao saldo das perdas. 

Congresso

A MP 1.261/2024 entrou em vigor na quarta-feira (2/10), mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para se tornar lei em definitivo. Senadores e deputados federais podem apresentar emendas ao texto até terça-feira (8/10). Depois disso, a MP será analisada por comissão mista, seguindo para votação nas duas Casas.

Fonte: Agência Senado

Chega ao Congresso medida que prevê tributação de 15% para multinacionais

O governo federal enviou ao Congresso a medida provisória que cria uma tributação mínima para grandes multinacionais: a MP 1.262/2024. Essa medida institui um adicional de 15% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para as multinacionais que registrarem faturamento anual superior 750 milhões de euros — cerca de R$ 4,5 bilhões — em pelo menos dois dos quatro anos fiscais imediatamente anteriores ao analisado.

Isso passaria a valer a partir de janeiro de 2025.

A medida provisória busca adaptar a legislação brasileira às orientações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mais especificamente, seria uma adaptação às Regras Globais Contra a Erosão da Base Tributária recomendadas pela OCDE.

Um dos objetivos dessas regras é reduzir os incentivos para que grandes empresas busquem vantagens tributárias em diferentes países. Segundo o governo, tais normas já são pactuadas por cerca de 140 países.

Cobrança adicional

O mecanismo de cobrança adicional da CSLL visa garantir uma taxação mínima mesmo quando o valor devido em um ano fiscal fique abaixo do percentual de 15%.

De acordo com o governo, a cobrança será aplicável a aproximadamente 290 grupos multinacionais que atuam no país, dos quais cerca de 20 são brasileiros.

Já está aberto o prazo para indicação dos integrantes da comissão mista (a ser composta por senadores e deputados federais) que irá analisar a medida provisória.

Fonte: Agência Senado