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Câmara aprova projeto que permite usar recursos destinados à Covid em outras ações de saúde

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei complementar (PLP) que permite a estados e municípios usarem, até 31 de dezembro de 2024, recursos represados antes destinados a procedimentos de saúde relacionados à Covid-19. A matéria será enviada ao Senado.

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Leo Prates (PDT-BA) para o PLP 175/23, da deputada Flávia Morais (PDT-GO). A proposta também permite que gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) mudem a destinação de outros recursos repassados pelo Fundo Nacional de Saúde aos fundos de saúde locais, sem seguir os objetos e compromissos aos quais o dinheiro estava vinculado. Isso valerá para repasses feitos até 31 de dezembro de 2022 em transferências regulares e automáticas. A reaplicação desse dinheiro também poderá ser feita até o fim do ano.

O relator, deputado Leo Prates, ressaltou que os recursos continuam sendo usados em políticas públicas de saúde. “Isso facilita a ação de diversos municípios no enfrentamento de outra epidemia que o Brasil vive hoje, que é a epidemia de dengue”, afirmou.

Segundo Prates, a mudança vai favorecer a compra de insumos (como repelentes) de forma direta, sem que os municípios precisem devolver os recursos ao governo federal e solicitar nova transferência.

Para a autora do projeto, a medida resolve o gargalo que se formou em muitos estados e municípios. “Resolvemos o problema do saldo remanescente destinado à Covid-19 e também ampliamos para outras rubricas a fim de evitar a perda de dinheiro”, explicou Flávia Morais.

Comunicação

Os gestores dos estados, do Distrito Federal e dos municípios devem informar ao Ministério da Saúde a nova destinação e a posterior execução orçamentária e financeira. Se os governos não cumprirem essa obrigação, não poderão contar com a reprogramação dos recursos antes repassados e ainda não utilizados.

Já o Ministério da Saúde deverá atualizar seus dados de despesas com saúde a fim de garantir transparência e fidelidade das informações sobre aplicações de recursos da União repassados aos entes federados.

Histórico

A primeira autorização dada pelo Congresso para gestores de saúde mudarem a programação e usarem recursos de anos anteriores, que normalmente devem voltar ao fundo, foi em 2020, por ocasião da pandemia de Covid-19.

À época, essa autorização valeria apenas durante o estado de calamidade pública da pandemia, que foi revogado apenas em maio de 2022. Antes mesmo dessa revogação, entretanto, outra lei prorrogou a autorização até o fim de 2021. Em 2022, a Lei Complementar 197/22 prorrogou o uso dos recursos dessa forma até o fim de 2023.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Idam acompanha a implantação de Unidades de Referência Tecnológica para a Cultura da Banana em Tefé

Entre a última segunda-feira (19/02) e esta quinta-feira (22/02), o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) acompanhou a instalação de duas Unidades de Referência Tecnológica para a Cultura da Banana implantadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Amazônia Ocidental (Embrapa) em Tefé (a 523 quilômetros de Manaus).

O acompanhamento do instituto se deu por meio da Unidade Local (UnLoc) de Tefé. As unidades foram instaladas na comunidade Boa Vontade e na aldeia indígena Barreira de Baixo, na Associação Indígena do povo Kokama.

Segundo o técnico da unidade local (UnLoc) do Idam em Tefé, Antônio Nascimento, a atividade visa ampliar os conhecimentos dos produtores envolvidos e aumentar a produção. “A iniciativa vai beneficiar, diretamente, mais de 40 produtores, além de outros agricultores interessados em ter acesso a novas técnicas de cultivo para o plantio da banana”, observou.

A implantação contou, ainda, com a participação de 28 produtores, que tiveram contato direto tanto na parte teórica quanto prática sobre o melhoramento genético das plantas.

Além do apoio do Idam, a instalação das Unidades de Referência Tecnológica para a Cultura da Banana, implantadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Amazônia Ocidental (Embrapa) também conta o apoio do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempa).

Foto: Divulgação/Idam

Amazonas é referência em política para refugiados e migrantes no Brasil, afirmam agências da ONU

As políticas de proteção e acolhimento a migrantes e refugiados no Amazonas são referência para o Brasil, segundo as agências da Organização das Nações Unidas (ONU) que participaram, nesta quinta-feira (22/02), de reunião com órgãos estaduais, na sede da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). Participaram quatro organizações com escritório no Estado – Agência de Refugiados (Acnur), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Agência da ONU que trata sobre Saúde Sexual Reprodutiva e Violência Contra Mulheres (UNFPA).

Na ocasião, representantes dos escritórios locais das agências da ONU apresentaram os resultados dos trabalhos conduzidos no Amazonas e que, conforme declaram, colocam o Estado na condição de pioneirismo na proteção de refugiados, assegurando direitos, bem-estar e soluções para pessoas que precisam de proteção internacional. Além disso, também em ações de enfrentamento à violência contra mulheres, políticas para crianças e adolescentes, moradia e demais temas transversais sob a tutela dessas agências.

O objetivo da reunião foi consolidar e fortalecer as parcerias com o Governo do Amazonas, inclusive, com a possibilidade de se criar uma linha de atendimento no Programa Amazonas Meu Lar específica para refugiados e migrantes em situação de vulnerabilidade.

De acordo com secretário da UGPE, Marcellus Campêlo, que conduziu a reunião, o programa de moradia estadual contemplou o pré-cadastro de estrangeiros, com 142 inscrições. Com apoio da ONU e do Governo Federal, ele afirma ser possível ampliar essa participação para uma linha específica de atendimento. Junto com ele, participaram também da reunião a secretária executiva da UGPE, Cuca Chaves e Tiago Monteiro de Paiva, representando a Unidade de Gestão Integrada (UGI).

“O Amazonas Meu Lar já prevê na sua qualificação uma pontuação para famílias que tenham mulheres que sofreram algum tipo de violência, mulheres chefes de família, crianças em vulnerabilidade e outros temas transversais que tratamos com as Agências da ONU, como por exemplo os estrangeiros na condição de migrantes ou refugiados”, disse o secretário. A intenção da reunião, afirma, é ampliar a parceria para outros programas. Ele cita como exemplo os programas Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), de Saneamento Integrado (Prosai) de Parintins, além do Amazonas Meu Lar.

Sobre o programa de moradia, a chefe da Acnur para o Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Amapá, Laura Lima, disse que há uma negociação nacional para abrir o programa Minha Casa Minha Vida ao atendimento de estrangeiros refugiados ou na condição de migrantes. O case do Amazonas Meu Lar, que já contempla de alguma forma esse público, pode abrir precedente para criar uma política nacional, considerou.

“Acreditamos que esse passo dado pelo Governo do Amazonas vai servir para impulsionar os mesmos movimentos em outros estados. É uma medida essencial que garante, novamente, que as pessoas que estão dentro do território possam usar os direitos que já estão previstos dentro da Constituição brasileira”, declarou Laura Lima.

O Amazonas, prossegue ela, é referência, não apenas para a região norte do país, mas para todo o Brasil, inclusive dentro da América Latina. “Estamos falando de um estado que tem assumido, de forma completa, toda a desativação de estruturas emergenciais que foram criadas nas respostas humanitárias, sobretudo as que atenderam o fluxo migratório da Venezuela. Houve a incorporação de equipamentos pelo Estado, dando sustentabilidade, dando um arcabouço jurídico que permitirá que os direitos das pessoas refugiadas sejam respeitados e salvaguardados, não apenas hoje, mas também no futuro”.

Aguida Bezerra, chefe do escritório da OIM, destacou a possibilidade de parcerias em ações de capacitações feitas no Prosamin+. A OIM, que é a Agência da ONU para as Migrações, tem total interesse e disponibilidade em apoiar tecnicamente as capacitações e divulgar esses cursos para a nossa população de atendimento, que são os migrantes”.

Casa ONU e Selo Unicef

A chefe da Unicef, Débora Nandja, destacou o apoio irrestrito do Governo do Amazonas com as agências da ONU no Estado, por meio da UGPE e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). Uma delas, a implantação da Casa ONU, onde todas as agências vão atuar no mesmo espaço. O local definido é o prédio onde hoje funciona a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), que irá mudar para um endereço novo.

Outro marco importante, aponta Débora Nandja, é a condução das ações para a certificação dos municípios com o Selo Unicef. “O Governo do Amazonas está criando um diferencial em todo o norte do País e em todo o Brasil, porque está assumindo o seu protagonismo em relação a todas as iniciativas da ONU aqui, não apenas o Unicef. Falando especificamente do Unicef, o fato do Governo do Amazonas estar na frente, na liderança, é fundamental. A certificação do selo esse ano vai ser inédita, porque pela primeira vez vamos alcançar um número expressivo de municípios, o que vai repercutir em todo o país”.

A certificação está prevista para acontecer em julho. São 55 municípios inscritos e a expectativa é de que mais da metade irá alcançar a certificação, um número inédito para o Estado.

Debora Rodrigues, chefe de escritório da UNFPA, explica que o trabalho desenvolvido junto com entes públicos e a sociedade civil tem entre as metas a erradicação de mortes maternas evitáveis, com planejamento reprodutivo, além da prevenção de violência contra as mulheres e meninas. “Nosso foco é a população de acolhida, refugiados e migrante, com ênfase naquelas mulheres mais vulnerabilizadas, como as negras, indígenas, ribeirinhas e da periferia”.

FOTO: Tiago Corrêa/UGPE

Câmara aprova quatro acordos internacionais; textos vão ao Senado

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou quatro acordos internacionais nesta quinta-feira (22). A Ordem do Dia foi encerrada em seguida, e todos esses textos seguem agora para a análise do Senado.

Foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 927/21, que regulamenta as relações do Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná com a Argentina, país-sede do colegiado. O acordo foi assinado em Assunção, em 2018.

A medida completa o Acordo de Santa Cruz de la Sierra, que regulamenta a navegação fluvial compartilhada na hidrovia. Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai fazem parte do tratado de cooperação, assinado em 1992.

Foram aprovadas ainda as seguintes propostas:

  • PDL 215/22, que traz acordo entre Brasil e República Tcheca sobre a Previdência Social, celebrado em Brasília, em 2020. Pelo tratado, trabalhadores de ambos os países poderão assegurar direitos, como aposentadoria e outros benefícios;
  • PDL 385/22, para cooperação e facilitação de investimentos no Brasil e no Equador. Assinado em Nova York (EUA), em 2019, o acordo busca previsibilidade e segurança jurídica para empresas e investidores;
  • PDL 84/23, que trata dos serviços aéreos entre Brasil e Ruanda e foi assinado em Kigali, capital daquele país, em 2019. Com base na “política de céus abertos”, as duas nações flexibilizam as regras para os voos comerciais.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Governo do Amazonas destaca políticas públicas do setor primário no 13º Encontro do Conselho Federal de Engenharia, em Brasília

O Governo do Amazonas participou do 13º Encontro de Líderes, promovido pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), na quarta-feira (21/02), representado pelo titular da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Daniel Borges, que foi painelista do Fórum de Políticas Públicas, na temática Agronomia, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, quando destacou as principais atividades do setor primário amazonense.

Na ocasião, Borges destacou a importância e satisfação de participar do evento representando o Governo do Amazonas. “Nesse painel discutimos toda a conjuntura do setor primário no país como um todo. Tivemos a satisfação de contribuir com esse painel, de mostrar a realidade do estado do Amazonas, a nossa agricultura familiar e sem dúvidas sairemos daqui com um aprendizado que vamos levar e inserir nas nossas políticas públicas do Estado do Amazonas”, destacou o titular da Sepror.

O Governo do Amazonas tem incentivado o setor rural amazonense com foco na piscicultura, na agricultura familiar, nas atividades sustentáveis no campo, além de garantir a segurança alimentar para famílias beneficiadas pelos Programa Estadual de Combate e Prevenção ao Desperdício e à Perda de Alimentos (Pcodepa), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa de Assistência Familiar (PAF), Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme) e crédito rural.

Em 2023, o Governo do Amazonas, por meio do Sistema Sepror (Idam, Adaf e ADS), investiu aproximadamente R$ 78 milhões na aquisição de alimentos da agricultura familiar, elaborou mais de 2 mil projetos de crédito; entregou mais de 1 milhão de alevinos; recolheu mais de 350 toneladas de alimentos nas feiras da capital; além de capacitar mais de 11,3 produtores rurais em 29 municípios.

Encontro de Líderes

O encontro reúne cerca de 2 mil profissionais, parlamentares e especialistas de todo país para promover debates sobre reforma tributária, saneamento básico, agronomia, habitação, desenvolvimento urbano e infraestrutura.

O encontro marca, também, o primeiro evento do novo presidente da autarquia, Vinicius Marchese, eleito no mês de novembro para o triênio 2024-2026.

Outras agendas

O titular da Sepror, Daniel Borges, e a secretária executiva da pasta, Larissa Arouck Monteiro França, visitaram, na terça-feira (20/02), o Banco de Alimentos, das Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF). Os secretários foram recebidos pelo diretor de segurança alimentar e nutricional de Alimentos da Ceasa, Miro Gomes, para tratar sobre políticas públicas para a redução de desperdício de alimentos.

E hoje (22/02), o titular da Sepror participa da agenda relacionada ao desenvolvimento rural sustentável do Amazonas com foco às exportações de peixes ornamentais e o fortalecimento do manejo do pirarucu e da piracatinga, na Esplanada dos Ministérios, com o ministro de Pesca e Aquicultura, André de Paula.

FOTO: Divulgação/Sepror

Governo do Amazonas lidera reunião da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia

O Diretor-presidente da Processamento de Dados Amazonas S.A (Prodam), Lincoln Nunes, representa o Governo do Amazonas na 166ª Reunião Ordinária do Conselho da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia (Abep-TIC), que acontece em São Paulo, nesta quinta e sexta-feira (22 e 23/02). O evento marca o início do calendário anual da associação, realizado no hotel Gran Estanplaza Berrini, na zona sul da capital paulista.

Lincoln Nunes, que também é presidente dos conselhos das associadas da Abep, lidera os trabalhos da reunião e destaca a importância do evento. “Nosso objetivo é promover a colaboração entre as entidades associadas com a troca de experiências e com a apresentação de cases e de projetos de sucesso das entidades de TI, que possam servir de exemplo e ser reaplicados em outras unidades da federação, além de enriquecer a discussão das políticas públicas sobre Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) governamentais”, disse.

A reunião é um ponto estratégico de encontro para dirigentes de empresas públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) estaduais, juntamente com líderes de empresas privadas do setor. Na pauta, estão discussões sobre a transformação digital no Brasil, e o aprimoramento dos serviços públicos por meio de inovações tecnológicas.

Sobre a Abep

Criada em 1977, a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep) é uma entidade de apoio institucional às associadas e atua na promoção e fortalecimento da cooperação entre elas.

O diretor-presidente da Prodam, Lincoln Nunes, assumiu a presidência do conselho das entidades associadas da Abep em agosto de 2023. Durante a sua gestão, ele tem liderado discussões sobre o fomento da informática pública como ferramenta de aumento de produtividade do Estado e o aumento da oferta de serviços digitais.

FOTO: Divulgação/Abep-TIC

CPI da Braskem define Rogério Carvalho como relator

A CPI da Braskem definiu o senador Rogério Carvalho (PT-SE) como relator. A reunião da comissão estava prevista para a parte da manhã desta quarta-feira (21), mas houve um impasse em torno do nome para a relatoria. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), adiou a reunião para o período da tarde para conseguir um acordo. Assim, o nome de Rogério Carvalho foi definido como relator. Segundo Omar Aziz, a relatoria precisa ser “totalmente isenta”. Ele ainda pediu a compreensão do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que propôs a CPI e queria a relatoria.

“Sei da sua preocupação com o seu estado, sei que Vossa Excelência tem o interesse de investigar a fundo e deve contribuir com esta CPI como membro”, disse Aziz a Renan.

Em resposta, Renan leu um discurso para renunciar à comissão. Ele disse dever um agradecimento aos 45 senadores que assinaram o pedido de criação da CPI e um especial ao povo de Alagoas e de Maceió, “que foi vítima de um crime doloso”. O senador ainda reconheceu os compromissos assumidos pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, em relação à comissão, que ele definiu como uma “CPI humanitária”.

“Foi em nome de 150 mil vítimas que me movi para romper um pacto de silêncio criminoso que abafou esse caso. É um cenário desolador, como se ali houvera uma guerra sangrenta e mortal. Houve uma guerra, de fato, uma guerra desumana e desleal, em que só um lado dispunha de munição”, registrou.  

De acordo com Renan, a terra ainda vem tremendo várias vezes em Maceió. Ele relatou que cinco bairros viraram cidade fantasma. Segundo o senador, as investigações já apontaram a Braskem como responsável pelos tremores e pelas rachaduras nas construções. Ele afirmou que a capital alagoana hoje é uma cidade sitiada pela ação criminosa de uma mineradora e disse que, além da CPI, vem buscando indenizações para os atingidos pelo afundamento do solo em ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU).

Renan reconheceu que a designação de Rogério Carvalho é regimental, mas argumentou que, se houvesse um crime socioambiental em Sergipe, um relator do estado teria mais legitimidade para atuar em uma possível CPI. Segundo Renan, “a tragédia de Maceió não acabou” e os “poderosos que tentam escapar da Justiça perderão o sono”.

Respeito

Omar Aziz reafirmou seu respeito por Renan, mas disse que a população de Alagoas poderá ter certeza de que a CPI vai investigar de forma séria a responsabilidade da Braskem. Ele também ressaltou que, independentemente da participação de Renan na comissão, o compromisso é “levantar todos os cadáveres” que fizeram Maceió chegar a essa situação. Segundo Omar, na próxima terça-feira (27), às 10h, o relator já trará o plano de trabalho.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse ver o discurso de Renan como um desabafo e afirmou ter “as mãos limpas”. Para Otto, o relator deveria mesmo ser de outro estado. Jorge Kajuru (PSB-GO), vice-presidente da comissão, exaltou a atuação parlamentar de Renan, de forma destacada na CPI da Covid, e ofereceu a ele a vice-presidência, além de pedir para o colega repensar sua renúncia. Renan, no entanto, não respondeu à oferta. O senador Dr. Hiran (PP-RR) disse reconhecer a história de Renan no Senado, mas manifestou apoio à decisão de Omar Aziz em designar Rogério Carvalho como relator.

O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) lembrou que há cinco anos já havia um alerta sobre o afundamento do solo em Maceió. Segundo ele, a Braskem é a responsável pela situação, por conta da exploração de salgema. Cunha ainda disse que o papel do Senado é evitar que tragédias como essa voltem a ocorrer.

CPI

A CPI foi criada, por meio de um requerimento do senador Renan Calheiros, para investigar os efeitos da responsabilidade jurídica e socioambiental da empresa Braskem no afundamento do solo em Maceió. Os bairros de Pinheiro, Mutange e Bebedouro estão entre os mais atingidos. Com 11 membros titulares e sete suplentes, a comissão tem até o dia 22 de maio para funcionar.  O limite de gastos da CPI é de R$ 120 mil.  

Fonte: Agência Senado / Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Senado aprova lei que favorece réu em caso de empate na esfera penal

Os senadores aprovaram nesta terça-feira (21) o projeto (PL 3.453/2021) que favorece o réu quando houver empate em julgamentos em tribunais superiores e altera regras para expedição de habeas corpus de ofício. O projeto irá retornar para a Câmara dos Deputados.

Segundo o relator da proposta, senador Weverton (PDT-MA), o empate no tribunal, especialmente aquele entre absolvição e condenação, indica uma dúvida sobre a acusação. “Se, num colegiado, cinco julgadores condenam o réu e outros cinco o absolvem, é evidente que o acusado deve ser preservado. A acusação não logrou convencer a maioria da Corte sobre a responsabilidade penal”, alegou.

O projeto aprovado altera o Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689, de 1941) para favorecer o réu. Essa decisão seria proclamada imediatamente, mesmo que o órgão colegiado não esteja completo devido a vagas abertas, impedimentos, suspeição ou ausências.

O parecer de Weverton prevê que decisões das Turmas no Supremo Tribunal Federal (STF) ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) precisarão do voto da maioria absoluta de seus integrantes para condenação. 

Habeas Corpus

Além disso, o projeto estabelece que qualquer autoridade judicial, no exercício da sua competência jurisdicional, poderá conceder, de ofício, ordem de habeas corpus individual ou coletivo caso verifique, durante um processo judicial, que alguém está sofrendo ou ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, em decorrência de violação ao ordenamento jurídico.

O relatório destaca que foram apresentadas nove emendas ao projeto, algumas delas propondo ajustes e esclarecimentos em relação aos pontos abordados. A única emenda acolhida pelo relator simplifica o procedimento proposto para o habeas corpus incidental, respeitando o princípio do juiz natural.

Prazo para recompor tribunal

O senador Sérgio Moro (União-PR) esclareceu que “no caso de empate num julgamento que não seja de habeas corpus penal, aguarda-se o preenchimento da vaga por um determinado período, para o desempate. Passando determinado período sem esse preenchimento, daí prevalece o empate.”

O projeto trará implicações para o sistema de justiça penal do país ao garantir aos réus um benefício a mais em sua defesa e alterar a maneira como o habeas corpus é concedido no Brasil.

O relator também incluiu uma expressão prevendo que autoridade judicial poderá expedir o habeas corpus de ofício, individual e coletivo apenas no processo judicial em que estiver atuando, o que motivou o retorno para a Câmara dos Deputados.

Fonte: Agência Senado / Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Alteração na desoneração deverá ser feita por projeto de lei, afirma Pacheco

A desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, que seria alterada após 1º de abril, está mantida até que o governo apresente um projeto de lei para tratar do tema. A declaração é do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que se reuniu na quarta-feira (21) com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e lideranças parlamentares. De acordo com o presidente do Senado, a solução evita a devolução da Medida Provisória (MP) 1.202/2023, que prevê limitações à desoneração.

“O governo já concordou com essa premissa, nós ajustamos isso e, em breve, o governo deve anunciar a solução para retirar da medida provisória essas alterações da desoneração da folha de pagamento. Depois, eventualmente, o governo pode propor alterações, mas o fará por projeto de lei, sem eficácia imediata. A medida provisória 1.202 não terá tramitação da desoneração da folha de pagamento. Isso, portanto, serve aos 17 setores em suas programações e suas previsões no sentido de que a desoneração da folha está mantida”, anunciou Pacheco.

Editada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a MP restringe os efeitos da Lei 14.784, de 2023, que prorrogou até o final de 2027 a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia. O projeto que deu origem à lei havia sido aprovado pelo Congresso e vetado pelo governo, para depois ser retomado pelo Congresso com a derrubada do veto. A edição da medida gerou reação dos parlamentares, que passaram a negociar com o governo uma solução.

O benefício da desoneração da folha permite que as empresas desses setores paguem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre a folha de salários. A MP editada pelo governo estabelece que, a partir de abril, a alíquota menor de imposto valerá apenas para um salário mínimo por trabalhador. A remuneração que ultrapassar esse valor terá a tributação normal (de até 20%). O texto também determina a redução gradual do benefício até 2027.

Após a reunião, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), ressaltou que o encaminhamento definitivo a ser dado à desoneração poderá ser anunciado pelos ministros Fernando Haddad e Alexandre Padilha ainda nesta semana.

“Vamos ter uma solução em relação ao tema de desoneração que, eu tenho certeza, é a solução que atende ao que o governo reclama e ao que o Congresso está reclamando. É uma solução que agrada a todos os 17 setores e também atende ao governo. Ainda é necessário ouvir o presidente da República. Adianto que a posição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, será considerada na solução disso”, afirmou.

Contas Públicas

A medida também extingue até 2025 os benefícios tributários concedidos às empresas de promoção de eventos incluídas no Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse). O líder do governo no Congresso fez questão de destacar que a MP 1.202/2023 é “fundamental” para o equilíbrio das contas públicas do governo em 2024.

“Estamos falando de um conjunto que, juntando os temas do Perse e da compensação tributária, representa algo em torno de 50 a 60 bilhões [de reais]. No momento em que nós temos que equilibrar as contas do país neste semestre, para termos um ano tão virtuoso quanto foi o ano passado, essa MP é de caráter fundamental”, afirmou.

Até 1º de março, adiantou Randolfe, o ministro da Fazenda deve apontar todos os dados relativos ao Perse, como forma de buscar convencer o Congresso da importância da apreciação da MP 1202/2023 e de sua votação. O senador disse, ainda, que Haddad tem conversado constantemente com o presidente da Câmara, Arthur Lira, que esteve reunido com Rodrigo Pacheco nessa terça-feira (20).

“Temos dois temas que temos que encontrar mediação. Tem o tema da desoneração, que é mais caro ao Senado, e tem o tema do Perse, que é mais caro ao presidente da Câmara. E tem a necessidade fiscal, de que ambos os presidentes têm compreensão. (…) Creio que nós vamos conseguir. O mesmo ponto de debate, de reflexão, de diálogo que temos tido com o presidente Pacheco, o governo tem tido também com o presidente Arthur Lira”, assegurou.

Na quinta (22), Pacheco deve reunir as lideranças partidárias para definir a pauta de votações dos próximos dias. Randolfe afirmou que, além da medida provisória, é prioridade do governo o projeto de lei complementar que o Ministério da Fazenda está construindo de regulamentação da reforma tributária.

“O ministro Haddad relatou para nós que está construindo e, até março ou abril, deve ter um esboço do projeto de lei complementar, conforme reza a emenda constitucional da reforma tributária para encaminhar para o Congresso Nacional”, concluiu.

Fonte: Agência Senado / Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Plenário vai debater vacina obrigatória contra covid em crianças

O Plenário do Senado debate na segunda-feira (26), às 9h, a obrigatoriedade da aplicação da vacina contra a covid-19 em crianças de 6 meses a 5 anos a partir de 2025. O anúncio do Ministério da Saúde de que a imunização contra o coronavírus vai ser incorporada ao calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI) levou o senador Eduardo Girão (CE), líder do Novo, a apresentar o requerimento para a sessão de debate temático.

A solicitação aprovada pelo Plenário é subscrita pelo líder do PL, senador Carlos Portinho (RJ), líder do Podemos, senador Oriovisto Guimarães (PR), líder do PP, senadora Tereza Cristina (MS) e pelo líder do PSDB, senador Izalci Lucas (DF).

O senador Girão destaca em sua justificativa que a obrigatoriedade das vacinas e a institucionalização de programas de vacinação em escolas também vêm sendo objeto de proposições legislativas no Congresso Nacional.

“Todavia, faz-se necessário um amplo debate acerca da vacinação infantil, bem como que sejam trazidos os esclarecimentos acerca de riscos e possíveis danos, que, muitas vezes, ainda são desconhecidos”, afirma o senador.

Entre os convidados para o debate está a ministra da Saúde, Nísia Trindade. Os senadores irão ouvir ainda a posição de outros profissionais da área, como médicos, farmacêuticos, virologistas e pesquisadores.

Dados da vacinação

Dados do Vacinômetro do Ministério da Saúde apontam que 3,7 milhões de crianças entre seis meses e quatro anos receberam a primeira dose da vacina, iniciada para essa faixa etária no final de 2022. Se consideradas as três doses (esquema vacinal completo), o número cai para 769,3 mil.

De acordo com nota técnica emitida em janeiro deste ano pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre a população brasileira menor de 19 anos, as maiores taxas de mortalidade por covid-19 são registradas entre os menores de um ano (4,3 mortes por 100 mil habitantes). Para as crianças de um a quatro anos, a taxa é de 0,6 por 100 mil. Apesar disso, a Fiocruz destaca que apenas 22,2% das crianças entre três e quatro anos foram vacinados com duas doses anticovid.

Fonte: Agência Senado / Foto:Waldemir Barreto/Agência Senado