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Debate sobre fim dos ‘saidões’ expõe desafios da ressocialização

“As autorizações de saída representam um considerável avanço penalógico e os seus resultados são sempre proveitosos quando outorgados mediante bom senso e adequada fiscalização.” Foi com essa justificativa que o ministro da Justiça do ex-presidente João Figueiredo, Ibrahim Abi-Ackel, incluiu a saída temporária de presos no projeto de lei que originou a Lei de Execução Penal (Lei 7.210, de 1984). Agora os parlamentares questionam esse direito dos condenados a regime semiaberto, que hoje podem sair até cinco vezes ao ano, normalmente durante as datas comemorativas.

A Câmara dos Deputados analisa as mudanças feitas pelos senadores ao Projeto de Lei (PL) 2.253/2022, que restringe as saídas, permitindo-as apenas para estudo e pelo tempo necessário para essa atividade.

Em debate na Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado em 2023, especialistas divergiram sobre a eficiência da ressocialização promovida pelos chamados “saidões” diante das taxas de evasão (quando o preso não retorna à prisão ao final da saída temporária). Mas a divisão de opiniões não se reproduziu na votação em Plenário, no dia 20 de fevereiro: apenas os senadores Rogério Carvalho (PT-SE) e Cid Gomes (PSB-CE) votaram contra o fim do benefício no modelo atual.

Para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), relator do projeto, a aprovação do texto é uma resposta do Congresso ao desejo da sociedade brasileira — que, na avaliação dele, não tolera mais as saídas temporárias. 

Ressocialização

A frase citada pelo ex-ministro da Justiça Abi-Ackel no projeto da Lei de execução Penal é do especialista em criminologia Elias Neumam, que publicou nos anos 60, na Argentina, estudos sobre prisão aberta. Para o juiz do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Mauro Ferrandin, o sistema penal brasileiro, como um todo, falha em readequar os presos à sociedade. Doutor em direito e ciência política pela Universidade de Barcelona (Espanha), ele afirmou à Agência Senado que a distância do convívio social provocada pelo encarceramento prejudica a capacidade do preso de obedecer à lei.

Mas na opinião do consultor legislativo em direito penal no Senado Rafael Erthal de Sá, a imposição das normas do presídio aos presos exerce papel na reabilitação. “É importante mencionar que a própria disciplina imposta pelo sistema de execução penal é fator que colabora para a ressocialização do condenado. Assim, o respeito às regras internas dos estabelecimentos prisionais colabora para a reinserção social do preso, quando for liberado”, disse à Agência Senado. 

Originalmente, o PL 2.253/2022 extinguia completamente o saidão. Mas os senadores aprovaram emenda do senador Sérgio Moro (União-PR) para manter o direito para os presos que fazem curso supletivo profissionalizante, ensino médio ou superior.

Evasões

Além das discussões sobre os melhores meios de ressocialização, parlamentares e especialistas comumente recorrem a dados estatísticos para sustentar suas opiniões. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senappen) revelam que 11.415 presos não retornaram depois das saídas temporárias do primeiro semestre de 2023. Isso representa 6,27% de todos presos que cumprem regime semiaberto no país, beneficiados pelas saídas ou não. As informações foram analisadas apenas nos estabelecimentos que abrigam pelo menos uma pessoa condenada que esteja no regime semiaberto.

No entanto, as taxas geram interpretações conflitantes. “Trata-se de um quantitativo ínfimo se comparado ao número daqueles que cumpriram com as determinações legais e retornaram”, analisa o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária em nota técnica entregue aos senadores. Mas o senador Moro discorda da conclusão.

“Se nós formos pensar em quatro ou cinco feriados por ano, 5% a cada uma dessas oportunidades, nós temos um número substancial de presos que não retornam. E aí as forças de segurança, que já estão sobrecarregadas, têm que ser mobilizadas para buscar esses foragidos. Pior: parte desses presos colocados em liberdade cometem novos crimes”, disse o senador em Plenário, durante a votação do projeto.

A fuga na saída temporária é considerada falta grave, mas por si só não é crime. A evasão pode levar o preso a perder os dias que trabalhou ou estudou para descontar no cumprimento da pena, entre outras consequências. Caso volte à prisão, ele não poderá mais usufruir da saída temporária, salvo se houver “cancelamento da punição disciplinar” ou “demonstração do merecimento”, segundo a Lei de Execução Penal.

População carcerária

Por meio de sua assessoria, o senador Rogério Carvalho argumenta que sua posição favorável aos saidões não se baseia somente na ressocialização, mas também porque “reflete o posicionamento histórico do Partido dos Trabalhadores contra o encarceramento em massa”.

O assunto também foi mencionado no parecer do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) entregue aos parlamentares antes da votação. A organização afirma, no documento, que “a superpopulação carcerária é uma das principais causas de todas as demais violações a direitos fundamentais dos  presos” e que “a promoção  de  medidas  desencarceradoras  vem  sendo  concebida  como  um  importante  instrumento  de  segurança  pública”.

De acordo com o Senappen, há déficit de 32,5 mil vagas para o regime semiaberto no país. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) considera a falta de vagas um problema, mas isso não a impediu de declarar voto favorável à restrição do saidão. Segundo ela, não há estrutura para o cumprimento da pena em regime semiaberto em alguns estados, como Goiás e Minas Gerais, o que faz com que alguns presos saiam diretamente do regime fechado para o aberto.

Tema recorrente

No Senado, outras propostas sobre a saída temporária também estão sob análise dos parlamentares. O PL 205/2024, do senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o PLS 31/2018, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), desarquivado em 2023, também esperam revogar os saidões. Já o PL 476/2023, da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), busca agravar a pena quando o crime é cometido durante saída temporária ou outros casos fora da prisão.

Modelo atual

Com as regras em vigor, o condenado tem o direito de pleitear cinco saídas por ano, de até sete dias cada, para visitar familiares, realizar cursos ou outras atividades sociais. Segundo dados do Senappen, 67,53% dos presos em regime semiaberto receberam autorização para sair com a finalidade de ver a família no primeiro semestre de 2023, o que corresponde a 122.953 beneficiados.

O preso precisa seguir os seguintes requisitos:

  • Estar no regime semiaberto;
  • Não ter cometido crime hediondo com morte;
  • Ter bom comportamento, comprovado, por exemplo, por meio de certidão expedida pelo diretor do presídio;
  • Ter cumprido no mínimo 16,6% da pena, se for sua primeira condenação; ou 25%, se reincidente;
  • Compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

A autorização para sair é feita pelo juiz de execução penal, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária. Em alguns casos, como nos de crimes sexuais, há necessidade de outras análises. O juiz pode solicitar, por exemplo, exame criminológico. Assim, os presos têm que cumprir o que o psicólogo ou psiquiatra recomendarem no laudo, como tratamentos médicos.

Cada Vara de Execução Penal edita portaria no início do ano com suas próprias regras e datas dos “saidões”. Normalmente, são escolhidas datas de comemorações familiares, pois o objetivo é o estreitamento dos laços com a família e a volta ao convívio social. No entanto, não é obrigatório realizar todas as saídas de maneira conjunta, nem nas mesmas datas. Há casos em Minas Gerais e no Maranhão em que as datas são pulverizadas, de modo que não há um pico de saídas temporárias.

Todos os beneficiados precisam informar o endereço de residência ou de familiar, onde deverão permanecer durante a noite. Eles são proibidos de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos do gênero. 

Monitoramento

Apesar de a lei estipular que não precisa de vigilância direta nos saidões, o juiz pode exigir que determinados beneficiados utilizem a monitoração eletrônica, além de outras formas de fiscalização. No Distrito Federal, cabe à Secretaria de Administração Penitenciária (Seape/DF) monitorar o cumprimento das condições impostas pelo juiz. O órgão pode, por exemplo, visitar o endereço fornecido pelos presos.

O monitoramento eletrônico também pode ser utilizado a critério do juiz em outros casos além da saída temporária, como em prisão domiciliar ou em acusados de cometer crime com investigação ainda em andamento. Caso o PL 2.253/2022 vire lei, o juiz terá mais hipóteses em que poderá determinar essa fiscalização, como no caso do livramento condicional.

Segundo dados do Senappen, das mais de 120 mil tornozeleiras eletrônicas contratadas, 76% estão em uso no país. No entanto, quatro estados possuem déficit do equipamento: Acre, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio de Janeiro. A ausência do aparelho foi uma das razões divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para o não monitoramento, durante saidão de 2023, de condenados por tráfico que não retornaram ao presídio.

Tipos de regime

A autorização para sair temporariamente só alcança os condenados em regime semiaberto, com pena entre quatro e oito anos de prisão (se não reincidentes). Nesse tipo de regime, o preso ficará em colônia agrícola ou local semelhante. No Distrito Federal, por exemplo, há três locais que comportam esse regime. O estabelecimento prisional pode abrigar pessoas de diferentes regimes.

A legislação prevê outros dois tipos de regimes aos condenados em pena privativa de liberdade, que não podem acessar o benefício. O mais rigoroso é o regime fechado, para os sentenciados em mais de oito anos. Eles ficam em estabelecimento de segurança máxima ou média e só podem sair em algumas situações específicas, como para trabalhar em obras públicas.

As infrações mais leves cometidas por criminosos não reincidentes, com pena inferior a quatro anos, são punidas com regime aberto. Esses sentenciados devem se recolher à noite em casa ou nas chamadas “casas de albergado”, mas podem exercer atividades fora do local com autorização.

Com o passar do tempo e cumprindo requisitos da lei, o condenado pode mudar de um regime mais severo para um mais brando, por meio da chamada progressão de pena.

Fonte: Agência Senado / Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Amazonas é selecionado para representar Brasil em programa do Fórum Econômico Mundial

Em reunião virtual, nesta sexta-feira (23/02), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) debateu com membros do Fórum Econômico Mundial sobre a participação do Amazonas como representante do Brasil no programa de capacitação e elaboração de projetos, com equipes de atração de investimentos vindas de diversas partes do mundo.

A participação do Amazonas neste programa tem como objetivo atrair investimentos para os projetos delimitados pela secretaria. A gerente do Departamento de Atração de Investimentos e Comércio Exterior (Daice), Natália Sagaydo, ressaltou que, por meio do programa, a Sedecti vai poder ter acesso a uma plataforma de captação de recursos para projetos.

“Captação em recursos em especial para aqueles que refletem a economia verde, a criação de novas matrizes energéticas sustentáveis, além da promoção de negócios inovadores. Nossa equipe receberá uma capacitação durante seis meses para nos especializarmos na captação de novos recursos”, destacou.

De acordo com Sagaydo, o Amazonas foi escolhido após passar por diversas rodadas de seleção, ao longo das quais foram apresentadas e avaliadas propostas de projetos de investimento privado em parceria com governos estaduais. “Essas propostas de projetos tiveram que estar fundamentadas na sustentabilidade, garantindo aos potenciais investidores o cumprimento de metas como redução ou compensação de emissões de CO2, desenvolvimento socioeconômico e ambiental, entre outras”.

Além do Amazonas, o estado da Bahia também foi escolhido para representar o. Brasil. “A proposta vencedora foi a do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (Pactas), que deve contribuir para a criação e fortalecimento de novos negócios voltados para a geração de valor dos produtos amazônicos, a partir do uso sustentável da biodiversidade da região”.

Segundo a gerente da Sedecti, com o reconhecimento, o Amazonas ganha acesso à uma das maiores redes de investimentos internacionais, além de receber consultoria e mentoria para a elaboração do projeto final, estruturação do investimento e capacitação de sua equipe de atração de investimentos. “O processo deve durar cerca de quatro a seis meses, tendo como objetivo final encontrar investidores interessados no projeto”.

O Fórum Econômico Mundial é uma organização conhecida pelos seus encontros anuais de líderes globais em Davos, na Suíça. O Fórum é financiado por suas mil empresas-membro. A típica empresa-membro é uma instituição global com mais de cinco bilhões de dólares em receitas. Ele possui capilaridade internacional para atrair novos negócios, fomentar grandes projetos e financiar importantes estudos de indicadores econômicos internacionais.

Participaram da reunião também o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico, Gustavo Igrejas; o chefe do Daice, Sidnei Magalhães; e as gerentes do Daice, Natália Sagaydo e Graça Izoney Thomé.

Foto: Bruno Leão/Sedecti

Arthur Lira destaca avanços legislativos sobre segurança pública

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), destacou nesta sexta-feira (23) a aprovação de projetos no âmbito do Legislativo sobre segurança pública. “Quando ocorre algo que chega no calor da discussão, sempre temos propostas com aumento de pena. Tenho certeza que as penas e o rigor delas são necessárias, mas só elas não resolvem”, afirmou Lira em evento promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. Ele reforçou que o tema é sempre tratado com muito cuidado pelo Congresso Nacional.

Entre as aprovações destacadas por Lira está a lei, de 2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Avanço que, segundo o presidente da Câmara, tem contribuído para a queda dos índices de mortes violentas. “Por mais que não existam panaceias, o trabalho diário do Poder Legislativo tem melhorado a qualidade de vida da população”, afirmou.

O presidente Arthur Lira também lembrou a aprovação da Lei Orgânica das Polícias Militares e dos Bombeiros Militares, que estabeleceu normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação e mobilização das polícias militares e corpos de bombeiros militares.

“Isso dá uma normativa de atuação, de função, de diretriz, dessas categorias que são as principais propulsoras da prevenção dos crimes”, disse Lira.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Com apoio da UEA, ministro do TST Breno Medeiros realiza palestra em Manaus

“O avanço da tecnologia está impactando diretamente nas relações de trabalho. E precisamos compreender como a Justiça do Trabalho se encaixa nesse cenário que se aproxima”. A observação é do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Breno Medeiros, durante a palestra “As novas formas de trabalho e a competência no âmbito da Justiça”.

O evento foi promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (AM/RR), com apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e realizado no auditório do Fórum Trabalhista de Manaus (AM), localizado na rua Ferreira Pena, 546, Centro.

Para o ministro, a sociedade vive em meio à revolução 4.0, onde tudo está em constante mudança e evolução. As decisões do Supremo, do TST e as novas formas de vínculo e relações de trabalho que surgem na sociedade são questões importantes e que necessitam de debates.

“Nosso objetivo é garantir que estejamos alinhados com o futuro, sem ficarmos presos às amarras do passado. É fundamental reconhecermos que o modelo de trabalho estabelecido pela CLT, em 1943, já não reflete a realidade atual. As pessoas estão buscando novas formas de trabalho, e precisamos nos adaptar, inclusive a Justiça do Trabalho, buscando aumentar nossa competência para lidar com essas novas dinâmicas laborais”, ressaltou o ministro.

Para o reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, é uma honra a universidade poder ofertar, em parceria com a 11ª Região, a palestra do ministro. “É uma oportunidade ímpar para os nossos alunos, técnicos e professores terem a honra de participar de uma palestra incrível do ministro. Desejo que todo o conhecimento seja absorvido”, explicou.

O desembargador e presidente da 11ª Região (AM/RR), Audaliphal Hildebrando da Silva, enfatizou que vivemos em um estado grande e diversificado, com 62 municípios, sendo apenas nove deles conectados por estradas. “Aqui, tivemos o primeiro governador negro, Eduardo Ribeiro, e a primeira senadora do Brasil, Eunice Michiles. Essa diversidade reflete a singularidade do nosso povo. Devemos ser exemplos de tolerância, empatia e solidariedade, especialmente na defesa do meio ambiente, considerando a riqueza e diversidade de nosso ambiente”, observou.

Assista, na íntegra, a palestra do ministro Breno Medeiros: https://www.youtube.com/watch?v=jV8YGjMrVic

FOTO: Jacqueline Nascimento/Ascom UEA

Sejusc e agências da ONU promovem etapa estadual de discussão sobre migrantes, refugiados e apátridas

A Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e as agências da Organização das Nações Unidas (ONU) promovem, no dia 4 de março, em Manaus, a I Conferência Estadual de Migração, Refúgio e Apatridia – I Comigrar/AM para propor e discutir diretrizes e recomendações para políticas públicas voltadas a migrantes, refugiadas e apátridas.

O encontro de Manaus acontecerá no dia 4 de março, na Escola Superior de Tecnologia da Universidade Estadual do (EST/UEA)

Liderado federalmente pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), a 2ª Conferência Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de junho, em Foz do Iguaçu. Para coletar propostas e escolher os representantes que irão participar da Etapa Nacional, estão em curso as Etapas Preparatórias, que incluem Conferências Livres Locais; Estaduais e Livres Nacionais.

As Conferências Livres Locais são parte da preparação para a 2ª Comigrar, promovendo discussões e ideias, mas sem eleger delegadas e delegados para Etapa Nacional. As Conferências Estaduais são organizadas pelos governos estudais e estimulam debates, enviam propostas e elegem delegados e delegadas para o encontro nacional.

Por sua vez, as Conferências Livres são organizadas pela sociedade civil e são temáticas, resultando no envio de propostas e podendo eleger representantes para a Conferência Nacional.

No Amazonas, a Sejusc, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a  Agência da ONU para as Migrações (OIM) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) atuam juntos na construção de mecanismos que dialoguem com as necessidades identificadas em conjunto com a sociedade e diversos atores, e fortalecendo políticas públicas para as populações migrantes, refugiadas e apátridas.

Jussara Pedrosa, secretária estadual de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, frisa que o encontro é fundamental para se aproximar ainda mais das necessidades do público atendido pela Sejusc.

“Temos um Gerência de Migração, dentro da pasta de Direitos Humanos, que é responsável por acompanhar essas pessoas e atuar na aplicação de políticas públicas junto aos órgãos das demais esferas e da sociedade civil. A Comigrar vai dar mais luz a essas necessidades e estamos ansiosos para acompanhar os debates acerca dos assuntos”, frisa Jussara.

Parceria com agências

Laura Lima, chefe de escritório do ACNUR em Manaus, diz que está confiante de que o diálogo e a cooperação estabelecidos nestas conferências contribuirão significativamente para a promoção e proteção dos direitos dos refugiados, apátridas e migrantes.

As ações são feitas em parceria entre os governos estadual e federal, agências da ONU e a sociedade civil organizada.

“Uma década após a primeira Comigrar, o Brasil, especialmente o Amazonas, tem sido referência no acolhimento e integração efetiva de pessoas refugiadas e apátridas. O momento atual é crucial para consolidar e fortalecer o arcabouço de políticas públicas que atendam às necessidades das pessoas deslocadas à força que hoje procuram um lugar seguro no país”, cita Laura.

“O Amazonas está fazendo um trabalho exemplar como parte das etapas preparatórias da Comigrar, sendo este um processo crucial para a identificação de desafios e formulação de propostas que dialoguem com as realidades locais”, emenda a chefe de escritório do ACNUR em Manaus. 

FOTO: Divulgação/Sejusc

Condições de trafegabilidade da BR-319 permanecem em pauta nas discussões da Aleam

As péssimas condições de trafegabilidade da BR -319, que liga Manaus a Porto Velho, permanecem nas discussões dos parlamentares da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), como demonstrou a Sessão Plenária, de quinta-feira (22) na qual foi assunto principal.

Ao citar a entrega de kits para mototaxistas em Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus) no dia 13 de fevereiro, o deputado estadual João Luiz (Republicanos) falou sobre as impressões que teve da BR- 319.

“Percorremos a BR 319 e sentimos o que as pessoas passam. Conversamos com um caminhoneiro com carregamento de MDF seguindo para Roraima. Esperamos a lama secar para poder terminar sua trajetória. Ele estava há dois dias para prosseguir com a sua carga”, exemplificou.

No seu discurso, o deputado Mario César Filho (UB) lembrou dos tempos de repórter de TV quando viajou de ônibus pela BR-319. “Este é um tema que há anos estamos discutindo, Em 2017, fui até o município de Humaitá de ônibus, por conta de uma reportagem que mostrava a dificuldade que é para uma pessoa ir à Humaitá e Porto Velho”, lembrou.

O descaso com a BR-319, inclusive com relação às pontes que desabaram em 2022, foi também o assunto do deputado Rozenha (PMB). O parlamentar avaliou que o Amazonas não merece ser ligado ao Brasil por uma rodovia nessas circunstâncias. Ele disse ainda que visitou as pontes do rio Curuçá e de Autaz Mirim.

“Na Curuçá existem dois pilares em construção muito morosamente com meia dúzia de funcionários trabalhando; e na Autaz Mirim, existe zero obra. Descobri que se investiram mais R$ 10 milhões, ou seja, foram R$ 43 milhões da ´pseudo-reconstrução`,  da reconstrução emergencial e mais R$ 8 milhões assinados em fevereiro para vistoriar a obra”, afirmou.

Já o deputado Sinésio Campos (PT) falou da expectativa com o término das atividades do grupo de trabalho da BR-319 formado pelo Governo Federal.

“O grupo de trabalho vai expor a este parlamento, numa Cessão de Tempo, no próximo dia 12 de março, os resultados dos trabalhos desenvolvidos em prol da restauração, ampliação e pavimentação da BR. Temos o prazo do encerramento dos trabalhos e uma data para o relatório final. Por isso, externo a importância socioeconômica deste avanço e, nesta Casa, nunca nos calamos para cobrar essa recuperação”, afirmou.

Foto: Assessoria de Comunicação

Amon lança candidatura à Prefeito de Manaus

O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) lançou, na manhã desta sexta-feira (23/02), a pré-candidatura a Prefeito de Manaus, pela federação PSDB-Cidadania, em um evento que reuniu mais de 600 pessoas, na Zona Norte de Manaus. Como prioridade em seu plano de governo prometeu “libertar a prefeitura” com um choque de gestão e redefinição das prioridades.

A partir da gestão do Amom, as ações serão voltadas para setores essenciais à população com a melhor aplicabilidade dos gastos públicos. “Vamos reduzir drasticamente os gastos públicos, combatendo de forma implacável a corrupção e o desperdício. Vamos fazer um choque de gestão, redefinir prioridades dentro da Prefeitura. A prioridade não será mais a pintura e obra de fachada, mas sim investir forte na educação, saúde e projetos sociais que melhorem, de fato, a qualidade de vida do nosso povo”, explicou.

Visão diferenciada

Amom acredita que atualmente a prefeitura tem um “sistema apodrecido”. Segundo o pré-candidato, qual grupos corruptos se instalaram e tem desviado recursos e são investigados pela Policia Federal. Ele decidiu ser candidato, segundo ele, para “libertar a Prefeitura” da família Almeida e entregar novamente ao cidadão os seus direitos, elencados pelo deputado, de ter uma casa própria, da mãe de colocar os filhos na creche e até mesmo do aluno de ter uma educação de qualidade, uma merenda saudável.

Além disso, o pré-candidato focará na mobilidade urbana de Manaus. A pavimentação da cidade será com asfalto de qualidade, a engenharia de trânsito, que não existe hoje na capital, será repensada. “Vamos trabalhar e ajudar o estado no combate à violência, especialmente nos ônibus. Vamos fazer diferente de tudo que está aí. A Prefeitura será do povo e não mais de um grupo familiar, de um grupo amigos do ex-menino do morro”, alfinetou Amom.

A partir de hoje, Amom inicia um circuito para ir aos bairros da cidade e comunidades da zona rural de Manaus colher propostas para consolidar o plano de governo. No evento desta sexta-feira, Amom anunciou o nome do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Daniel Gerhard, que coordenará seu plano de governo, juntamente com especialistas em todas as áreas de atuação da Prefeitura.

Mudança de decisão

O pré-candidato do Cidadania revelou que em dezembro do ano passado não pretendia ser candidato a prefeito, como disse em um vídeo postado nas suas redes sociais. À época, Amom sofria intimidações anônimas por causa de uma denúncia que fez à Polícia Federal sobre um esquema dentro da Secretaria de Segurança Pública (SSP) com organizações criminosas. Após tornar pública a situação e conseguir garantir a sua segurança, em conjunto com as pesquisas, decidiu sobre a candidatura. “Não posso decepcionar milhares de pessoas que acreditam em mim, que gostam do meu trabalho e que querem mudar o comando da Prefeitura”.

Foto: Ricardo Oliveira

Câmara aprova urgência para projeto que muda registro de imóveis

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (21) o regime de urgência para proposta que determina que o registro do imóvel contenha informações que possam levar à invalidade de futura negociação imobiliária. É o caso da existência de hipoteca judiciária, de restrição de uso ou de processo sobre suspeita de fraude relativo ao bem.

A iniciativa prevista no Projeto de Lei 1269/22 inclui artigo na Lei da Improbidade Administrativa.

Esse projeto poderá ser votado no Plenário sem passar antes pela análise nas comissões.

Os deputados precisam analisar emenda do Senado que inclui nova situação não prevista inicialmente no texto. A maior parte do conteúdo aprovado pela Câmara para o projeto, em março de 2023, já foi incorporada à legislação por meio de outro projeto.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Defesa Civil do Estado alerta autoridade eleitoral sobre impactos de possível seca no Amazonas em 2024

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, coronel Francisco Máximo, entregou, nesta quinta-feira (22/02), ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), desembargador Jorge Lins, o prognóstico da estiagem para o ano de 2024. Durante a reunião, foram apresentadas as informações sobre as previsões meteorológicas, níveis dos rios e possíveis impactos no estado.

A estiagem é um fenômeno recorrente no Amazonas, especialmente nos municípios do interior, e pode trazer consequências como a falta de água para consumo humano, isolamento de comunidades ribeirinhas, além de dificuldades na agricultura e pecuária.

Durante a conversa, coronel Máximo ressaltou a importância do compartilhamento de informações em relação à estiagem de forma antecipada, a fim de que se garanta o exercício do voto da população.

“A entrega do prognóstico da estiagem para o presidente do TRE-AM é uma medida importante para que se possa antecipar os possíveis impactos e se preparar de forma adequada para garantir a participação democrática dos cidadãos amazonenses nas eleições de 2024.”, destacou o secretário.

O presidente do TRE-AM se comprometeu em analisar os dados apresentados. “Nós iremos analisar criteriosamente o prognóstico apresentado pela Defesa Civil e elaborar um plano de ação conjunto.”, afirmou o desembargador.

Foto: Mylena Matos/Defesa Civil do Amazonas

Governo do Amazonas reúne com o ministro da Pesca para tratar sobre exportação de peixes ornamentais

Em Brasília, o Governo do Amazonas, por meio do titular da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Daniel Borges, que está cumprindo agenda institucional, se reuniu, na tarde desta quinta-feira (22/02), com o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula. O objetivo foi tratar sobre a exportação de peixes ornamentais no Amazonas.

Na ocasião, o titular da Sepror comentou as dificuldades e desafios dos piabeiros de Barcelos (a 405 quilômetros de Manaus), que vêm sofrendo na exportação de peixes ornamentais travados em Guarulhos, São Paulo, (SP).

A demanda foi relatada ao titular da Sepror pela Associação de Exportadores de Peixes Ornamentais do Estado do Amazonas (Adepoam) e Instituto Piaba, que prontamente atendeu ao pleito dos pescadores e transportadores para apresentar a demanda ao Ministério da Pesca, para solicitar apoio urgente para a Retomada das Exportações de Peixes Ornamentais e a reabertura da fiscalização no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, para exportação direta dos peixes ornamentais.

“Apontamos alguns encaminhamentos para amenizar as dificuldades dos pescadores, visando o fortalecimento da atividade e a exportação dos peixes ornamentais, principal fonte de vida das comunidades ribeirinhas daquela região”, destacou o titular da Sepror.

Segundo o que foi relatado pelas instituições, um peixe indo para Guarulhos, ele fica um dia a mais sem se alimentar e a qualidade dele não chega conforme o comprador gostaria, causando altos índices de mortandade.

Antigamente, a fiscalização do Instituto de Meio Ambiente (Ibama) era realizada em Manaus, e atualmente está sendo realizada em Guarulhos.

Desde o ano de 2022, quando o Aeroporto de Manaus deixou de ser designado pelo Ibama como ponto de despacho aduaneiro para exportações, o setor vem enfrentando uma série de desafios sem precedentes, como atrasos na análise de exportações, tempo de trânsito prolongado, aumento dos custos de fretes, dificuldades em obter reservas, risco de perda da carga viva, perda de mercado, além de impacto na cadeia produtiva de peixes ornamentais.

Sobre a atividade no Amazonas

A pesca ornamental é realizada em mais de 20 municípios no estado do Amazonas, sendo a maior contribuição de peixes ornamentais oriunda da calha do Rio Negro, principalmente dos municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro.

As principais espécies cultivadas no Amazonas são cardinais, coridoras, bodós, lápis, xadrez e acará-disco. Os países que mais compram os peixes são Alemanha e Estados Unidos.

FOTO: Gilvanete Costa/Serfi