Início Site Página 500

Comissão discute desafio de eliminar a tuberculose como problema de saúde pública

A comissão externa sobre o enfrentamento da tuberculose discute na terça-feira (19/03) o desafio de eliminar a doença como problema de saúde pública. A reunião será realizada às 10 horas, no plenário 8.

O debate foi solicitado pelo deputado Antonio Brito (PSD-BA). Ele destaca que a tuberculose continua a ser uma das principais causas de morte no País, afetando especialmente populações em situação de vulnerabilidade.

“A tuberculose possui um fardo econômico significativo devido aos custos do tratamento prolongado, contribuindo para a perpetuação da pobreza”, afirma o parlamentar.

Antonio Brito defende ações coordenadas entre União, estados e municípios para compartilhar informações sobre estratégias de prevenção e tratamento.

A doença

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada por uma bactéria (bacilo de Koch). Afeta principalmente os pulmões. A tosse (seca ou com secreção) é seu sintoma mais conhecido.

De acordo com o Ministério da Saúde, são notificados anualmente 70 mil novos casos da doença no Brasil e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Depositphotos

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher elege presidente e vices na próxima quarta-feira

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher marcou para a próxima quarta-feira (20/03) a reunião para eleição da presidente e vice-presidentes do colegiado.

A deputada Ana Pimentel (PT-MG) foi indicada para a presidência da comissão. Ela é médica, professora da Universidade Federal de São João del Rei, mestre e doutora em saúde pública e pesquisadora da área de saúde coletiva. Em seu primeiro mandato como deputada federal, ela preside a Frente Parlamentar Mista do SUS.

A comissão

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher foi criada em 2016 e tem, entre suas atribuições, o recebimento, a avaliação e a investigação de denúncias relativas à ameaça ou à violação dos direitos da mulher, em especial as vítimas de violência doméstica, física, psicológica e moral. O colegiado também fiscaliza programas governamentais relativos à proteção dos direitos da mulher.

A reunião será realizada às 13h30, no plenário 14.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Lira comemora aprovação do projeto que cria “combustíveis do futuro”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a aprovação dos chamados “combustíveis do futuro” representa um projeto do maior interesse do País.

A proposta, aprovada na quarta-feira (13/03) pelo Plenário da Câmara, cria programas nacionais de diesel verde, de combustível sustentável para aviação e de biometano, além de aumentar a mistura de etanol e de biodiesel à gasolina e ao diesel, respectivamente.

“O texto estabelece regras para o desenvolvimento do Combustível Sustentável de Aviação. É mais um passo para tornar o Brasil protagonista mundial no desenvolvimento e uso de fontes energéticas limpas”, disse o presidente por meio de suas redes sociais.

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) para o Projeto de Lei 528/20, do ex-deputado Jerônimo Goergen (RS), tomando como base o PL 4516/23, do Poder Executivo. A proposta ainda será analisada pelo Senado.

Se virar lei, a nova margem de mistura de etanol à gasolina passará de 22% a 27%, podendo chegar a 35%. Atualmente, a mistura pode chegar a 27,5%, sendo, no mínimo, de 18% de etanol.

Quanto ao biodiesel, misturado ao diesel de origem fóssil no percentual de 14% desde março deste ano, a partir de 2025 será acrescentado 1 ponto percentual de mistura anualmente até atingir 20% em março de 2030, segundo metas propostas no texto.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

Comissão debate ação de combate à violência contra a mulher

A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher (CMCVM) realizará na quarta-feira (20/03), às 14h30, debate sobre o “projeto banco vermelho”, que instala assentos nessa cor em espaços públicos com o objetivo de conscientizar sobre a violência contra a mulher. O banco exibe ainda frases que levem o usuário à reflexão sobre o tema. A audiência pública atende ao requerimento (REQ) 1/2024 da deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE).

O “projeto banco vermelho” está previsto no Projeto de Lei (PL) 147/2024, de Arraes, como uma das possíveis campanhas do Agosto Lilás, mês de proteção à mulher instituído pela Lei 14.448, de 2022. O movimento começou na Itália, em 2016, e ganhou a adesão no Brasil das ativistas Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que perderam duas amigas para o feminicídio na capital de Pernambuco. Em 2023, os órgãos de segurança de Recife registraram 78 casos de mulheres que se converterram em vítimas fatais da violência de homens com quem se relacionavam. O banco Vermelho também está presente na Argentina, na Espanha e na Austrália.

O colegiado do Congresso Nacional espera a confirmação da vinda das dirigentes do Instituto Banco Vermelho ao debate. A organização começou a fixar bancos no ano passado, escolhendo locais de grande afluxo do público, como calçadas e pátios de universidades. No último dia 8, promoveu a instalação temporária de 100 deles na Praia de Boa Viagem, cartão postal da cidade.

Para a audiência de quarta-feira, foram igualmente convidados representante da prefeitura de Recife e do Ministério das Mulheres.

Fonte: Agência Senado / Foto: Instituto banco vermelho

Comissão analisa projeto que limita remoção de conteúdo em redes sociais

A Comissão de Comunicação e Direito Digital (CCDD) tem reunião marcada para quarta-feira (20/03), às 9h30, com 18 itens em pauta. Um deles é o projeto do senador Jorge Seif (PL-SC) que limita a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais. O PL 592/2023 cria novas regras para a moderação de conteúdos nas redes sociais, estabelece garantias aos usuários e dificulta a remoção de publicações ou a suspensão de contas. 

Uma das mudanças trazidas pelo projeto é a equiparação da personalidade civil à existência da pessoa no âmbito digital. Segundo o texto, a pessoa civil passa a incluir a projeção da identidade na internet e o reconhecimento do direito à existência em comunidades virtuais, redes sociais, páginas individuais ou comunitárias e outros meios digitais de comunicação, vedado o anonimato.

O senador explicou que o projeto foi feito a partir da Medida Provisória (MP) 1.068/2021, com alguns aprimoramentos. Editada pelo então presidente Jair Bolsonaro, a medida, conhecida como MP das Fake News, foi devolvida ao Executivo pelo presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco. À época, Pacheco disse considerar que as previsões da MP eram contrárias à Constituição e caracterizavam exercício abusivo do Executivo, além de trazer insegurança jurídica.

O relator, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), é favorável à proposta. Ele argumenta que as regras atuais do Marco Civil da Internet são insuficientes e “há pouca clareza em relação aos critérios observados na moderação de condutas e postagens nas redes sociais, o que gera prejuízos ao pleno exercício da liberdade de expressão no ambiente virtual”. O relator, no entanto, apresentou seis emendas para, segundo ele, aperfeiçoar o texto. Uma delas amplia a definição de rede social, com a adoção do termo “conteúdos”. Mourão considerou a expressão anterior, “opiniões e informações”, muito vaga e imprecisa. Ele também fez ajustes na ementa e na parte que define o que é “dado pessoal sensível”.

Se for aprovado na CCDD, o projeto seguirá para a análise da Comissão de Direitos Humanos (CDH) e, posteriormente, para a Comissão de Defesa da Democracia (CDD), onde vai tramitar em decisão terminativa.

Rádios e audiências públicas

A CCDD também vai votar uma série de projetos de autorização para o funcionamento de rádios. Um deles renova a autorização outorgada à Fundação de Ação Cultural Educacional e Social de Panambi (RS) para executar serviço de radiodifusão comunitária (PDL 658/2021). Outro projeto (PDL 465/2019) aprova o ato que outorga permissão à Fundação Francisco Rodrigues Sancho para executar serviço de radiodifusão sonora em frequência modulada no município de Itapipoca (CE).

Ainda consta da pauta da comissão vários pedidos para a promoção de audiências públicas. O senador Izalci Lucas (PSDB-DF), por exemplo, quer uma audiência para debater o PL 2.628/2022, que trata “da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais” (REQ 11/2024 – CCDD). Já o senador Eduardo Gomes (PL-TO) quer uma audiência para debater o PLP 12/2024, proposta legislativa encaminhada ao Congresso Nacional pela Presidência da República que cria um pacote de direitos trabalhistas para os trabalhadores por aplicativo (REQ 12/2024 – CCDD).

Fonte: Agência Senado / Foto: Pedro França/Agência Senado

Atuação das mulheres rurais na produção e na política será debatida na CRA

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) realiza nesta quarta-feira (20/03), às 14h, audiência pública interativa sobre o tema “Mulheres rurais: da produção à política”.

A iniciativa é da senadora Teresa Leitão (PT-PE). No requerimento que apresentou (REQ 5/2024), Teresa ressalta que a atuação das mulheres nos movimentos sociais promove seu reconhecimento como sujeito político e valoriza a sua participação no combate às opressões.

“As lutas das mulheres rurais no combate às opressões históricas são propagadas por movimentos como a Marcha das Margaridas, que no ano de 2023 reuniu mais de 100 mil mulheres agricultoras de todo o Brasil na capital federal. Dentre as pautas propostas por esse movimento para o Legislativo brasileiro, os pontos centrais apontados são: a erradicação da fome; o combate às injustiças, à crise ambiental, às violências nas mais diversas dimensões e às desigualdades de classe, gênero e raça”.

A senadora avalia que há conquistas a serem celebradas, como o reconhecimento das mulheres rurais enquanto trabalhadoras da agricultura familiar. Mas que é preciso avançar, segundo ela, nas discussões sobre os obstáculos impostos à consideração delas como agentes sociais e políticos, “com o escopo de romper com as desigualdades”.

O debate contará com a participação, já confirmada, da diretora de Reflorestamento e Recuperação de Áreas Degradadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Lizane Ferreira Soares; da diretora-executiva de Pessoas, Serviços e Finanças da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Selma Lúcia Lira Brandão; e da vereadora da Câmara Municipal de Terenos (MS), Lucilha de Almeida, que será ouvida por vídeoconferência.

A CRA ainda aguarda a confirmação da secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Carmen Helena Ferreira Foro; da secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Mazé Morais; da ouvidora nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ana Lúcia Aparecida da Silva; e de representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A audiência pública será realizada na sala 7 da ala Alexandre Costa.

Fonte: Agência Senado / Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Comissão mista sobre migrações e refugiados será instalada na terça

A Comissão Mista Permanente Sobre Migrações Internacionais e Refugiados (CMMIR) tem reunião de instalação marcada para terça-feira (19/03), às 15h. Além da instalação, haverá a eleição do presidente e do vice-presidente da comissão. 

A CMMIR foi criada em 2019 para acompanhar movimentos migratórios nas fronteiras do Brasil e a situação dos refugiados internacionais dentro do país. Diferentemente das comissões permanentes do Senado, que têm eleição e composições renovadas a cada dois anos, a CMMIR é instalada a cada ano.

A composição do colegiado é de 12 senadores e 12 deputados federais como membros titulares e mesmo número de suplentes, escolhidos pelo critério da proporcionalidade partidária. Em 2023, a CMMIR foi presidida pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP).

A reunião será sediada no Plenário 3 da Ala Senador Alexandre Costa.

Fonte: Agência Senado / Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Testemunha será ouvida na CPI da Braskem, em reunião nesta terça-feira

A CPI da Braskem ouvirá, nesta terça-feira (19/03) a partir das 9h, o depoimento de Alexandre Vidigal de Oliveira, ex-secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, autoridade responsável pela fiscalização e monitoramento da extração de sal-gema na mina da empresa petroquímica em Alagoas.

Oliveira falará na condição de testemunha, de acordo com o requerimento (REQ 71/2024) apresentado pelo relator da CPI, senador Rogério Carvalho (PT-SE). A comissão parlamentar de inquérito foi instalada em dezembro de 2023 para investigar os danos ambientais causados em vários bairros de Maceió (AL) pela Braskem.

A extração do sal-gema (que é utilizado, por exemplo, na produção de soda cáustica e fabricação de PVC) ocorre desde os anos 1970 nos arredores da Lagoa Mundaú, na capital alagoana. A atividade era realizada por outras empresas, como a internacional DuPont, mas passou a ser feita pela Braskem a partir de 2003, de acordo com o relator.

Requerimentos

Na segunda parte da reunião, deverão ser votados seis requerimentos na CPI, três dos quais são de autoria do senador Marcos Rogério (PL-RO).

O primeiro requerimento (REQ 107/2024) solicita ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – (BNDES), Aloizio Mercadante, informações sobre os empréstimos da instituição à Braskem.

Os outros dois requerimentos de Marcos Rogério convocam a depor na comissão, na condição de testemunhas, o diretor de Relações Institucionais do Grupo Novonor, Claudio Medeiros (REQ 111/2024) e o ex-presidente da Braskem, José Carlos Grubisich (REQ 112/2024).

De autoria do senador Otto Alencar (PSD-BA), o requerimento (REQ 108/2024) convoca a depor na comissão Frederico Bedran Oliveira, que atuou no antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), atual Agência Nacional de Mineração (ANM), e foi diretor de Geologia e Produção Mineral da Secretaria de Geologia, Mineração e transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia.

Por fim, outros dois requerimentos, de autoria do relator Rogério, convidam o defensor público de Alagoas, Ricardo Antunes Melro (REQ 109/2024) e o ex-procurador-geral de Alagoas, Francisco Malaquias de Almeida Júnior (REQ 110/2024), para depor na CPI na condição de testemunhas.

A reunião da CPI da Braskem será realizada na sala 2 da ala Nilo Coelho.

Fonte: Agência Senado / Foto: UFAL

Desafios socioeconômicos e ambientais impõem mudanças na regulamentação do garimpo

A crescente preocupação global com a preservação ambiental e com a redução dos efeitos da crise climática coloca o Brasil diante de um desafio crucial: conciliar a atividade de garimpo e mineração com a necessidade de conservação do meio ambiente. Em um país rico em recursos naturais, a regulamentação, fiscalização e transparência envolvendo essas atividades desempenham um papel fundamental na garantia de um equilíbrio para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável do país. Por esse motivo, o assunto tem sido frequente nos debates do Senado. 

Apesar de ser reconhecida por ser a maior reserva de biodiversidade do planeta, a Amazônia Legal, por exemplo, apresenta aspectos econômicos e sociais que a colocam entre as regiões mais pobres do Brasil. Um terço dos moradores nos 5 milhões de quilômetros quadrados da área, que abrange nove estados, são pobres e sofrem privações sociais consideráveis, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2022. 

Esse cenário desperta visões diferentes sobre o tema e a apresentação de iniciativas em várias frentes de atuação. Enquanto a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) avançou com a aprovação, em primeiro turno, do projeto de lei (PL 836/2021) do senador Fabiano Contarato (PT-ES), que aprimora os instrumentos de controle sobre a produção, a venda e o transporte de ouro no país para combater as atividades de garimpo ilegal, a Comissão de Infraestrutura (CI) debateu uma proposta (PL 2.973/2023) do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) que libera o garimpo em áreas reservadas à pesquisa mineral. 

A área ocupada pelo garimpo ilegal no Brasil, segundo dados do MapBiomas, aumentou significativamente em 2022: Nada menos de 35 mil hectares (o tamanho corresponde a uma cidade como Curitiba). Esse crescimento se deu basicamente na Amazônia, que em 2022 concentrava quase a totalidade (92%) da terra garimpada no país. Quase metade (40,7%) dos garimpos nesse bioma foi iniciada nos últimos cinco anos. No Brasil, 85,4% dos 263 mil hectares garimpados são para extração de ouro. 

Conforme a extração ilegal avança, o impacto ambiental, econômico e humanitário se agrava. Só  o garimpo na Terra Indígena Yanomami, em Roraima levou ao desmatamento de 232 hectares de floresta amazônica em 2022, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o que representa um aumento de 24,7% em relação ao índice registrado no ano anterior (186 hectares).

Ainda recorrendo ao levantamento do MapBiomas, foi constatada uma aceleração da atividade garimpeira em áreas protegidas. Em 2022, mais de 25 mil hectares em Terras Indígenas (TIs) e de 78 mil hectares em Unidades de Conservação (UCs) eram ocupados pelo garimpo. Em 2018, haviam sido 9,5 mil e 44,7 mil hectares, respectivamente. Em 2022, 39% da área garimpada no Brasil estava dentro de uma TI ou UC. 

Quase metade (43%) da área garimpada em UCs foi aberta nos últimos cinco anos. As mais invadidas por garimpeiros são a APA do Tapajós (51,6 mil hectares), a Flona do Amaná (7,9 mil hectares), Esec Juami Japurá (2,6 mil hectares), Flona do Crepori (2,3 mil hectares) e Parna do Rio Novo (2,3 mil hectares).

Regulamentação 

Durante os debates sobre o PL 836/2021, senadores, representantes do governo, de cooperativas, do Banco Central, da Polícia Federal e de associações cooperativas defenderam a necessidade de ampliar a regulamentação do mercado de ouro, através da rastreabilidade, como mecanismo para reduzir a extração ilegal em áreas de conservação e a proliferação do uso do comércio do minério para a prática de outros crimes, como o tráfico de armas e o narcotráfico. Sem contar com a degradação severa do meio ambiente provocada pelo assoreamento dos rios e a contaminação de suas águas e alimentos. 

O secretário-executivo adjunto do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, ressaltou durante o debate que a regulação do setor vai minimizar os danos inerentes à atividade de extração e perturbadores do meio ambiente. “Por mais sustentável que seja a exploração, algum dano fica, seja ele ambiental, seja o uso do mercúrio ou impacto numa área de conservação […] É muito importante que o Estado tenha pleno controle sobre o que está acontecendo para minimizar e reduzir o dano”, recomendou.

Segundo o estudo “A nova corrida do ouro na Amazônia”, realizado pelo Instituto Escolhas e outras entidades, “é extremamente fácil comercializar ouro ilegal no Brasil”. Um garimpeiro precisa apenas mostrar seu documento de identidade, preencher um formulário à mão e declarar a origem do metal, sem a necessidade de qualquer tipo de comprovação.

Dessa forma, o ouro ilegal entra no mercado financeiro por meio da sua venda para as DTVMs (Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários), que são os postos de compras de ouro das instituições financeiras localizadas na Amazônia. A partir de então, passa a ser comercializado “legalmente”.

Ainda de acordo com o estudo, entre 2015 e 2020, foram comercializadas 229 toneladas de ouro com graves indícios de ilegalidade, o que equivale a cerca de metade da produção nacional. Nos territórios indígenas, os garimpos cresceram cinco vezes em dez anos, tendo como uma das consequências, episódios de violência contra os povos originários e a degradação dos recursos naturais.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) entende que a proposta vai ajudar a melhorar esse cenário. “[A rastreabilidade ] é uma realidade mundial ] e já ocorre em vários segmentos que vão impactar a relação do Brasil com o mundo e com o comércio. Nós estamos aqui focando justamente esse contexto para combater o garimpo ilegal. E garantir e dar preservação e sustentabilidade para toda e qualquer pessoa que está direta ou indiretamente trabalhando nessa rastreabilidade do ouro”.

Regras 

O projeto, relatado na CAE pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), traz regras para a implementação de lastros minerário e ambiental e revoga dispositivos normativos que favorecem a comercialização ilegal de ouro. A matéria determina ainda que somente pessoas jurídicas estão autorizadas a comercializar o minério, a fim de otimizar o monitoramento das transações. 

Além disso, acaba com o conceito de boa-fé na compra de ouro de garimpo. Impede, portanto, que empresas autorizadas pelo Banco Central a fazerem a primeira aquisição de ouro de garimpo possam se valer da boa-fé para alegar que acreditavam que a origem daquele ouro vinha de garimpos legalizados.

Na avaliação do senador Jaime Bagattoli (PL-RO), as regras permitirão que a atividade garimpeira gere mais emprego e renda, além do aumento na arrecadação. O que, na sua visão, pode ajudar a melhorar os índices socioeconômicos da região Norte: “Precisamos regularizar para que as cooperativas e associações, dentro de uma forma legal, possam fazer a exploração de forma consciente, de forma que respeite o meio ambiente”.

Liberação

Em outra frente, o parlamentar tem se debruçado sobre sugestões legislativas que visam ampliar a atuação legal dos garimpeiros e assim, expandir as oportunidades na região rica em minérios. 

É o caso do projeto de lei 2.973/2023, do senador Zequinha Marinho, que libera o garimpo em áreas reservadas à pesquisa mineral. Considerado polêmico pelo próprio autor, o tema ainda divide a opinião de parlamentares, representantes da indústria e técnicos que lidam diretamente com a atividade. 

Segundo o Ministério de Minas e Energia, as autorizações de pesquisa respondem por metade das áreas outorgadas em processos minerários no Brasil. São mais de 92 mil processos, relativos a 103 milhões de hectares. As 3 mil lavras garimpeiras representam apenas 0,66% dos processos e se referem a 1,3 milhão de hectares.

O projeto estabelece que a lavra garimpeira só poderá ser concedida se o minério a ser extraído for diferente daquele objeto da pesquisa. O prazo de permissão será de três anos, renovável por igual período. Ainda de acordo com a matéria, a área liberada para o garimpo não pode ultrapassar 25% do trecho reservado à pesquisa.

Zequinha Marinho alega que a iniciativa libera para o pequeno minerador áreas bloqueadas por requerimentos de pesquisa concedidos a grandes empresas. Ele ainda argumenta que a atual situação exclui mais de 600 mil garimpeiros espalhados pela Amazônia os quais buscam sobreviver e sustentar suas famílias através da atividade.

“Enormes áreas continuam indisponíveis para o pequeno minerador. Não faz sentido impedir a exploração de minerais destinados à construção civil, como areia e saibro, só porque uma área é onerada por autorização de pesquisa para outro mineral. Ali não pode, congelou. Tem que haver uma forma de se trabalhar isso. O tema é chato? É complicado? Fazer o quê? Aqui é lugar de usar a massa cinzenta e tentar encontrar uma saída”, argumentou durante audiência pública. 

Economia familiar

No mesmo sentido, o projeto (PL 763/2024) do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), apresentado recentemente, vem reforçar a luta pela ampliação da prática do garimpo. A matéria busca regulamentar a atividade de extração de substâncias minerais garimpáveis por pessoas físicas, que tenham nacionalidade brasileira e atuem individualmente, ou em forma associativa, em regime de economia familiar.

Entre as regras, o texto reconhece o regime de economia familiar aquele em que a atividade de extração de minérios garimpáveis seja realizada como principal meio de subsistência da família, envolvendo o trabalho direto dos membros da família no processo de extração mineral. 

Também determina que a atividade tenha cadastro específico junto aos órgãos competentes para o exercício do garimpo e as áreas delimitadas considerem critérios técnicos e socioambientais. 

Já em relação as zonas de extração, elas serão previamente estabelecidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), e quando a comercialização forem oriundas de Terras Indígenas homologadas ou em processo de demarcação, e de Unidades de Conservação, esta deverá ser fiscalizada pela União e pelo órgão federal de assistência ao indígena.

Além disso, o aproveitamento e a lavra das riquezas minerais em Terras Indígenas só poderão ser efetivados com a participação do órgão federal de assistência ao indígena, ouvidas as comunidades envolvidas. 

Mecias de Jesus alega que o garimpo realizado por pessoas físicas para subsistência da própria família é uma atividade tradicional e fundamental no Norte do país. 

Ele argumenta ainda que a própria Constituição garante que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios devem ser destinadas ao usufruto “exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”. No entanto, para isso, acrescenta, “o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivadas com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, avanço que, segundo ele, nunca foi efetivado pelo Legislativo. 

“A falta de regulamentação adequada da atividade tem gerado problemas socioeconômicos e ambientais. A ausência de um marco legal claro tem levado à informalidade, à falta de segurança jurídica e à exploração desordenada dos recursos minerais, resultando em impactos negativos para o meio ambiente e para as comunidades envolvidas”, afirma na justificação do projeto.

Os dois projetos sobre o garimpo integram um conjunto de propostas que colocam em lados opostos os ambientalistas e o setor produtivo. O pacote engloba ainda a proposta da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021), que está sendo analisado nas comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura (CRA), e busca flexibilizar normas e dispensa algumas atividades da obtenção do licenciamento ambiental. Além do PL 510/2021, do senador Irajá (PSD-TO), que trata da regularização fundiária, também tramitando nas mesmas comissões. 

Fonte: Agência Senado / Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

CDR analisa na terça inclusão de critérios sustentáveis em fundos constitucionais

A Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) deve analisar nesta terça-feira (19/03) projeto que inclui a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável, no âmbito dos Fundos Constitucionais de Financiamento das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O projeto de lei (PL) 5.788/2019 tem relatório favorável do senador Cid Gomes (PSB-CE). A reunião está marcada para às 9h30.

Apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), a proposta prevê que os programas que financiam o setor produtivo das regiões devem estar em consonância com os objetivos de desenvolvimento sustentável previstos na agenda da ONU. Para isso, o projeto altera a Lei 7.827, de 1989, que instituiu os fundos destinados a promover o desenvolvimento regional.

Ao todo, são 17 objetivos estabelecidos pelas Nações Unidas para o mundo, como erradicação da pobreza, educação de qualidade e igualdade de gênero. O ano de 2030 é o prazo estabelecido para alcançar os objetivos, que são adotados oficialmente por alguns órgãos públicos, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo do estado do Mato Grosso, em seu plano plurianual para o orçamento.

Rota Turística

O colegiado também analisará, em decisão definitiva, a criação da Rota Turística do Enxaimel, em Santa Catarina. O objetivo do PL 5.814/2023 é promover o turismo, a cultura e os atrativos da região de colonização alemã. A proposta, de autoria do senador Jorge Seif (PL-SC), é relatada pela senadora Ivete da Silveira (MDB-SC).

De acordo com o projeto, o termo “enxaimel” refere-se a uma técnica de construção na qual a estrutura da casa é composta por um esqueleto de madeira exposto, formando um padrão de treliça ou trama. As casas enxaimel são um tipo de construção tradicional, encontradas principalmente em regiões da Alemanha, França e Suíça.

Fonte: Agência Senado / Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado