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Aleam entrega prestação de contas de 2023 ao TCE-AM

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) foi o primeiro órgão estadual a entregar a prestação de contas anual, referente ao exercício de 2023, ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). A entrega foi realizada de forma on-line, ainda no dia 25/3, na última segunda-feira, e, nos próximos meses, a documentação será examinada pelos técnicos do TCE para, em seguida, ser apreciada pelo pleno da corte de contas.

O diretor-geral da Aleam, Wander Mota, informou que a Casa Legislativa entregou a documentação antes do término do prazo legal e destacou que o presidente da Aleam, deputado estadual Roberto Cidade (UB), é enfático em pedir que os prazos sejam cumpridos e de forma transparente.

“O presidente Roberto Cidade sempre nos cobra para entregarmos dentro do prazo legal e que tenhamos transparência, o que temos conseguido. O presidente encampa a questão da responsabilidade na gestão do recurso público. Estamos gerindo recursos voltados à gestão do Poder Legislativo e temos feito com responsabilidade”, enfatizou.

O diretor-geral exaltou, ainda, o trabalho da equipe responsável pela elaboração da prestação de contas do Parlamento Estadual.

“Conseguimos fechar e entregamos de forma eletrônica seguindo o prazo. Isso reflete o trabalho de toda a equipe. Temos tido uma gestão sem nenhum percalço ou problemas. Fechamos o ano dentro do que a legislação determina, com pagamento de todos os funcionários em dia. Não temos dívidas judiciais. A execução orçamentária da Assembleia é feita dentro do orçamento previsto”, explicou.

A prestação de contas informa dados atualizados das despesas, estrutura e gestão organizacional do Parlamento, cumprindo as disposições constitucionais e legais vigentes.

Foto: Alberto César Araújo

Wilson Lima destaca projetos para elevar qualidade da educação no Amazonas

O governador Wilson Lima destacou as ações do “Educa+Amazonas” durante encontro com o ministro da Educação, Camilo Santana, na quarta-feira (27/03). O “Educa+Amazonas” foi lançado em 2021 e é formado por 13 projetos prioritários que reforçam, entre outras iniciativas, o ensino de um segundo idioma, o ensino voltado para a sustentabilidade e o acesso a novas tecnologias. 

Camilo esteve em Manaus para lançar o Programa Federal Pé-de-Meia, que irá beneficiar mais de 105 mil alunos do Amazonas, sendo 74,6 mil alunos da rede estadual. O evento ocorreu no Centro de Convenções Vasco Vasques, zona centro-sul de Manaus.

Por meio do “Educa + Amazonas”, o estado ampliou o Ensino Bilíngue para estudantes da rede estadual. Atualmente 10 escolas ofertam o ensino de um segundo idioma, atendendo 6,4 mil alunos com o ensino de Inglês, Espanhol, Francês, Japonês e Tukano (escola indígena). Somando os 1 mil contemplados do projeto Jovem Bilíngue, o Estado beneficia 7,4 mil alunos com a oferta de ensino de um segundo idioma.

De acordo com Wilson Lima, o trabalho é fruto do comprometimento do governo com a Educação, visando o futuro desses alunos no mercado de trabalho e no impacto que a formação de profissionais qualificados pode trazer para o desenvolvimento econômico do estado. 

“A Educação pública tem avançado. A nossa equipe da Secretaria de Educação tem se empenhado muito para que a gente possa implementar programas como Jovem Bilíngue. O estado do Amazonas é referência nacional. Tudo isso é resultado do comprometimento e do entendimento que temos sobre a importância da educação. Da mesma forma que a gente tem implementado os laboratórios Makers, e tem feito um esforço para garantir o passe livre estudantil”, disse o governador.  

Outra novidade anunciada pelo governador Wilson Lima neste ano, é um projeto que está em fase de elaboração pela Secretaria de Estado de Educação para a oferta de cursos intercâmbios aos estudantes da rede estadual. A proposta, que terá a parceria com embaixadas e outras instituições, deverá levar alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio, de escolas com ensino bilíngue, para países de línguas inglesa e espanhola, por exemplo.

O sonho do aluno Sérgio Miguel, da Escola Eliana Socorro Pacheco Andrade, no Lago Azul, é ser jornalista. O jovem iniciou os estudos na Língua Inglesa este ano e enxerga como uma oportunidade para a profissão que pretende exercer no futuro.

“Desde sempre eu estive sendo criado por políticas públicas. Eu também participo do programa ‘Jovem Bilíngue’, que é uma iniciativa do governo do estado. É uma oportunidade muito boa porque os alunos precisam aprender outros idiomas. Muito importante também no mercado de trabalho”, disse o aluno.

Sobre o “Educa+Amazonas”

O programa “Educa+Amazonas” reúne 13 projetos contemplando quatro eixos prioritários definidos pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto. São eles: recuperação da aprendizagem; qualificação e reconhecimento dos profissionais da educação; preparação do estudante para o futuro; e meio ambiente e sustentabilidade.

Espaço Maker

Os laboratórios oferecem equipamentos para o aprendizado de robótica, programação, impressão 3D, eletrônica, produção de áudio e vídeo, marcenaria e produção artística, ampliando o conhecimento dos alunos em diversas áreas. 

São 83 salas do tipo entregues em escolas da rede, beneficiando aproximadamente 54 mil alunos, na capital e no interior. São 40 Espaços Makers na capital e 43 no interior. Somente no início do ano letivo de 2024, foram 32 Salas Maker inauguradas com investimento de R$ 10,9 milhões do Estado.

Educação e sustentabilidade

Com aproximadamente R$ 5 milhões em investimentos, a primeira unidade da Escola da Floresta já está com 80% de obras concluídas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, em São Sebastião do Uatumã (a 247 quilômetros de Manaus) e deverá ser entregue ainda no primeiro semestre de 2024.

A Escola da Floresta busca ampliar o olhar sobre a Educação Ambiental a partir de modelos de sustentabilidade socioambiental, com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas. Outras três também estão previstas: uma na Área de Proteção Ambiental (APA) Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros da capital); outra na RDS Piagaçu Purus, em Beruri (a 173 quilômetros de Manaus); e uma recém-anunciada em parceria com a iniciativa privada em Carauari (a 788 quilômetros da capital).

Passe Livre

Além do “Educa+Amazonas”, Wilson Lima tem possibilitado o Passe Livre Estudantil, uma luta histórica dos estudantes da rede pública. A gratuidade no transporte público atende 170 mil alunos das redes estadual e municipal de educação. O Estado já repassou ao Município de Manaus, R$ 258,2 milhões desde janeiro de 2022, quando iniciou a vigência do primeiro convênio. Somente para 2024, o valor do repasse é de R$ 120 milhões.

CNH na escola

O “CNH na Escola” tem como objetivo atender alunos do Ensino Médio da rede pública estadual oferecendo, de forma gratuita, aulas de legislação de trânsito.

As aulas são ministradas pelos profissionais do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) ao longo dos 3 anos do Ensino Médio. Quatro escolas receberam o projeto piloto e 138 alunos concluíram o curso em 2023.

Sobre o Pé-de-Meia

O programa do Governo Federal deve beneficiar até 105 mil estudantes do ensino médio no Amazonas, sendo 74,6 mil apenas da rede estadual. A iniciativa é um incentivo financeiro, na modalidade de poupança, para promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes matriculados no Ensino Médio público.

O Pé-de-Meia prevê pagamento de R$ 200 mensal, que podem ser sacados a qualquer momento. Além disso, R$ 1 mil serão depositados ao fim de cada ano concluído, mas esse valor só poderá ser retirado após a conclusão do Ensino Médio. Todos os incentivos serão pagos em conta poupança aberta automaticamente pelo Governo Federal no nome do estudante.

FOTO: Alex Pazuello/ Secom

Prefeitura de Manaus apresenta resultados da Lei Paulo Gustavo

A Prefeitura de Manaus realizou, na quarta-feira, (27/03), a prestação de contas dos R$ 17,6 milhões investidos pela Lei Paulo Gustavo (LPG) nos setores do Audiovisual e Demais Linguagens com os 280 projetos de artistas e fazedores de cultura beneficiados. A apresentação aconteceu na sede do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), no Palácio Rio Branco, localizado na avenida Sete de Setembro, na praça D. Pedro II, no Centro Histórico da cidade.

Na ocasião, o presidente do Concultura, Neilo Batista, fez uma retrospectiva da execução da LPG, lembrando que Manaus foi a primeira capital a apresentar seu plano de ação, depois de realizadas as oitivas nas audiências setoriais dos oito segmentos artísticos.

“A Prefeitura de Manaus deu prioridade, também, às buscas-ativas em comunidades indígenas e ribeirinhas, onde alguns artistas vivem em situação de vulnerabilidade e invisibilidade. O resultado foi termos projetos contemplados nessas comunidades como Livramento, Terra Preta, Waikiru e Tupé, a exemplo de sala de cinema comunitária, literatura e demais artes”, relatou Neilo.

A divisão dos recursos foi de 79% – R$ 12,5 milhões -, mais os rendimentos de sobras de projetos não contemplados, o equivalente a   R$ 691.938,00, totalizando R$ 13.242.639,46 para o setor do audiovisual, a maior parte, justificado por ter sido o montante da LPG tirado do Fundo Nacional do Audiovisual. Os outros 21%, correspondentes a R$ 5,084 milhões, foram para as Demais Linguagens.

Projetos

Dos 93 projetos contemplados do Audiovisual, 50 são de pessoas físicas e 43 pessoas jurídicas que resultaram em produtos culturais como 12 longas de 70 minutos, curtas ou 27 médias metragens, nove salas de cinema, quatro novos meios e mídias sociais, e etc. Nas categorias Cineclubismo e Restauro de Obras Audiovisuais não houve contemplados, o que resultou no saldo remanescente no valor R$ 1.021.938,74 que vai atender aos suplentes, cujo uso ainda definido pelo fórum do Audiovisual.

Neilo Batista justificou que o valor destinado à operação da LPG foi de  5% (R$ 840 mil), que foram utilizados em ações como a realização das buscas-ativas e contratação da plataforma Prosas, Avaliadores e pessoal técnico; realização de cursos, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-AM), para elaboração de projetos e gestão de carreiras, para 650 artistas e fazedores de cultura de Manaus e comunidades ribeirinhas e indígenas.

O valor total de incentivo para as Demais Linguagens, foi de R$ 5.084.000,00, contemplando 187 projetos, sendo 128 pessoas físicas e 59 pessoas jurídicas, mais 28 Bolsas Culturais e 58 Mestres da Cultura (R$ 10 mil cada).

As buscas-ativas foram realizadas em comunidades indígenas e ribeirinhas, nos polos da região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, no Tarumã-Mirim, e outro em Terras Pretas, onde foram realizados curso de projetos, cadastro prévio e a busca-ativa de artistas em situação de vulnerabilidade social.

Foto: Valdo Leão / Semcom

Resultados da 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas serão apresentados em eventos regional e nacional

Após dois dias de debates, a 5ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (CT&I) formulou propostas de políticas públicas que serão apresentadas na conferência regional, em abril, e nacional, em junho deste ano. O evento foi promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), e encerrou com uma plenária nesta quarta-feira (27/03), com discussões voltadas para a promoção do desenvolvimento científico no cenário amazonense.

De acordo com o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jeibi Medeiros, as propostas foram produzidas a partir de debates realizados em grupos de eixos temáticos e buscam atender demandas e anseios da área. A plenária teve como objetivo levantar o que foi debatido no primeiro dia e promover discussões produtivas com a participação da comunidade.

“Essa é a nossa missão: construir um Amazonas mais sustentável, em busca do desenvolvimento e da inclusão de todas as nossas potencialidades. Os eixos foram a ferramenta-chave para construir o diagnóstico preliminar e o mapa estratégico para orientar futuros investimentos. Vamos juntos agora para o novo desafio que é a nossa conferência regional”, declarou Jeibi.

Conforme Medeiros, as discussões sobre Políticas Públicas e Investimentos abordaram estratégias para o desenvolvimento de políticas mais eficazes e atraentes, capazes de impulsionar o investimento em ciência, tecnologia e inovação, além de promover parcerias estratégicas entre o público e o privado. “No primeiro momento, foram apresentados os resultados debatidos nas conferências municipais de Manaus, Maués, Parintins, Tefé, Coari, Itacoatiara, Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte. Os próximos passos serão a etapa regional da conferência, que será sediada no Amazonas em abril”.

A 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que acontece de 4 a 6 de junho, em Brasília, com o tema “Um Brasil justo, sustentável e desenvolvido”, tem caráter consultivo e busca discutir junto à sociedade as necessidades do setor e propor recomendações para a elaboração de uma nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) que deverá ser seguida pelos próximos anos (2024-2030).

Também estiveram presentes no evento, a professora titular da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a diretora da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Dra. Marilene Corrêa, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Dr. George Henrique, analista em Ciência e Tecnologia (C&T), a Dra. Deuza Santos, professora da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Dra. Deolinda Garcia, o Designer Educacional do Centro de Educação Tecnológico do Amazonas (CETAM), Wanderlene Gurgel, a Diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Priscila Duarte, o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Aldo Evangelista.

FOTO: Calebe Nascimento/ Sedecti 

ACNUR divulga estudo sobre pessoas refugiadas no Brasil

No segundo semestre de 2023, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) conduziu processos de escuta e diálogo com pessoas refugiadas sobre diferentes recortes temáticos, como acesso a emprego e renda, assistência social e educação. Chamado de “Diagnóstico Participativo”, o mecanismo de compreensão e análise das principais reivindicações de refugiados e outros deslocados forçados envolveram 218 participantes em todo o Brasil, de 15 cidades localizadas nos estados do Amazonas, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e no Distrito Federal. 

O estudo pode ser acessado na íntegra aqui.

Os principais desafios enfrentados pela população refugiada, bem como as soluções sugeridas, foram agrupados em seis eixos temáticos, identificados como prioritários: i) apoio econômico e assistência social; ii) moradia, água, saneamento e higiene; iii) acesso a emprego e renda; iv) educação; v) unidade familiar; e vi) saúde.

No âmbito do apoio econômico e assistência social, barreira linguística, falta de informações sobre programas sociais e casos de xenofobia em sistemas públicos de atendimento estão entre dificuldades mais citadas por essa população. “Fica claro que dão prioridade (no atendimento público) para os brasileiros. Se for estrangeiro, criam muitas dificuldades e barreiras, solicitam mais documentos do que é exigido e por isso às vezes desistimos”, afirmou um homem durante a realização de uma etapa do processo. 

Na perspectiva da moradia, temas como condições precárias de moradia, infraestrutura inadequada e mesmo insegurança nos bairros foram temas comuns em diferentes localidades. Sobre o tema da empregabilidade, o desafio de inserção nas áreas de formação do país de origem, a alta incidência de trabalho informal e subemprego e a dificuldade de acesso aos programas de microcrédito contextualizam a realidade enfrentada pelas pessoas refugiadas entrevistadas. “O fato de não sabermos como conseguir crédito no Brasil para iniciar os nossos empreendimentos faz com que precisemos emprestar dinheiro de agiotas, o que é perigoso”, disse uma mulher haitiana.  

Já no campo da educação, as barreiras linguísticas, a dificuldade de acesso aos locais de estudo e a evasão associada à violência e discriminação no ambiente educativo são listadas como alguns dos principais desafios existentes.  

De forma transversal às temáticas, as pessoas refugiadas propuseram soluções que destacam a importância do acesso à informação de qualidade, verídica e atualizada, bem como de formações sobre temas diversos que agreguem conhecimentos sobre a realidade brasileira. Elas também enfatizaram a necessidade de mais ações de engajamento do setor privado e do aprimoramento de políticas públicas, com efetiva participação em medidas que impactem diretamente suas vidas no Brasil.

“A realização deste constante processo de diálogo, com escuta ativa e plano prático de encaminhamentos, considera em primeiro plano as opiniões e visões das pessoas refugiadas e em necessidade de proteção internacional, sendo um elemento fundamental para o planejamento dos trabalhos do ACNUR. Seguimos atentos às necessidades dos refugiados no Brasil para a construção de planos e políticas sólidas que facilitem o processo de acolhimento e integração dessa população, conciliando parcerias públicas e privadas para ampliarmos nossas respostas”, afirma o Representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli. 

Composição da amostra e metodologia 

As pessoas refugiadas participantes do Diagnóstico Participativo de 2023 foram maioritariamente venezuelanas, representando 54% dos respondentes, seguidas por haitianas (21%), afegãos (9%), colombianos (5,5%), cubanos (3,5%) e sírios (1,4%).  

Como forma de contemplar uma amostra diversa de perfis e localidades, porém não representativa estatisticamente da população refugiada no Brasil, adotou-se a abordagem de idade, gênero, e diversidade, assim como se considerou as diferentes nacionalidades e aspectos socioeconômicos. 

Para o desenho dos temas a serem discutidos, primeiramente realizou-se uma revisão das informações existentes sobre as lacunas de proteção e integração enfrentadas por pessoas forçadas a se deslocar de diferentes nacionalidades. Em seguida, foi conduzido um mapeamento das populações refugiadas, a fim de definir quais comunidades e indivíduos participariam do processo de consulta, baseando-se na maior diversidade agregada. A partir disso, foram propostas as agendas de encontro, conforme a disponibilidade das pessoas participantes e dos parceiros do ACNUR. 

Para cada grupo, formado entre seis e 10 pessoas, foram apresentadas 12 temáticas para discussão, na qual deveriam selecionar até quatro assuntos a serem discutidos de forma prioritária, com o apoio de perguntas conduzidas por mediadores do ACNUR ou de organizações parceiras.  

Como complemento ao conteúdo das temáticas, o relatório traz também as experiências das pessoas refugiadas participantes dos encontros com base na idade, gênero e diversidade, destacando segmentos específicos como jovens; mulheres e meninas; populações indígenas; idosos; pessoas LGBTQIA+; e pessoas com deficiência.

Recortes regionais 

No Amazonas, os processos de escuta foram conduzidos em Manaus, Iranduba e Tabatinga, envolvendo 46 participantes. Em Manaus, cinco consultas foram realizadas com 33 pessoas do Haiti e de Cuba. Em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, uma pessoa foi consultada, enquanto 12 pessoas foram consultadas no município de Tabatinga, na região de fronteira.

Na capital amazonense, os participantes destacaram desafios relacionados ao apoio econômico, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho formal, à educação e a serviços socioassistenciais. A barreira linguística foi mencionada como um desafio tanto no campo econômico quanto nas questões educacionais. 

O diagnóstico revelou que a falta de apoio econômico e assistência social foi o principal desafio apontado pelos participantes na capital amazonense. A discriminação também foi apontada como uma barreira para o acesso à rede de acolhimento, bem como a falta de informação sobre benefícios sociais e a dificuldade de acessar serviços de assistência para idosos e trabalhadores rurais. 

Os desafios inerentes ao ingresso no mercado de trabalho formal foram destaque, com participantes mencionando questões de exploração laboral e custos relacionados à revalidação de diplomas. A educação também foi um ponto de preocupação, com escassez de vagas em creches, dificuldades de acompanhamento das aulas devido ao idioma e barreiras na aceitação da documentação para matrícula. 

No contexto nacional, o diagnóstico sublinhou que barreiras linguísticas e a falta de conhecimento sobre marcos legais e procedimentos prejudicam o acesso dos refugiados à informação e aos seus direitos. Nesse contexto, aprimorar os canais de comunicação, disponibilizando informações em uma linguagem simples e em diversos idiomas, torna-se crucial. 

As limitadas opções para acesso a meios de vida e renda foram identificadas como fatores que dificultam a integração efetiva dos refugiados e migrantes. Esta situação compromete o acesso a direitos e serviços básicos, incluindo moradia digna e alimentação adequada. A escassez de recursos econômicos amplifica os problemas de saúde mental decorrentes da experiência de deslocamento forçado e expõe essas pessoas a uma série de riscos, como a residência em áreas periféricas expostas ao crime organizado e a exploração laboral.

Para enfrentar essas situações, é fundamental apoiar a inserção dos refugiados e migrantes no mercado de trabalho formal, estimular o empreendedorismo e facilitar a revalidação de diplomas. Além disso, o diagnóstico constatou a falta de conhecimento e preparação por parte de funcionários públicos e prestadores de serviços. Nesse sentido, o compartilhamento de informações sobre os direitos dos refugiados e migrantes, aliado à sensibilização e à capacitação destes profissionais, torna-se essencial para superar as barreiras identificadas.

O engajamento em atividades e projetos que promovam a coexistência pacífica entre refugiados, migrantes e a comunidade de acolhida é fundamental para abordar de maneira eficaz os desafios enfrentados por aqueles que necessitam de proteção internacional. 

Por fim, o ACNUR reafirma seu compromisso em apoiar iniciativas conjuntas para superar os desafios apresentados e reconhece a importância da participação dos atores locais, autoridades e sociedade civil para construir soluções duradouras. 

Foto: Felipe Irnaldo/ACNUR

Comissão aprova proibição de bloqueio de recursos federais para vítimas de desastres

A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que proíbe o contingenciamento de recursos federais destinados às ações de prevenção em áreas de risco de desastre e de recuperação em áreas atingidas ou sob risco de serem atingidas por desastres. 

O contingenciamento é um bloqueio provisório de despesas determinado pelo governo para ajustar os gastos públicos ao ritmo da arrecadação federal.

Pela proposta, os estados, o Distrito Federal e os municípios federados poderão solicitar à União o ressarcimento das despesas emergenciais realizadas antes do início dos repasses dos recursos solicitados por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

O texto aprovado foi o substitutivo da relatora, deputada Daniela Reinehr (PL-SC), ao Projeto de Lei 431/20, do ex-deputado Alexandre Frota (SP), e apensados (PLs 636/22, 1523/23, 3830/23 e 4769/23.

A proposta altera a Lei 12.340/10, que regulamentou o Fundo Especial para Calamidades Públicas (Funcap). O fundo custeia ações de socorro e assistência às vítimas de áreas afetadas por desastres.

“É sabido que, em muitos casos, esses recursos não são transferidos no momento necessário, aumentando o risco e, pior, comprometendo o enfrentamento eficaz de desastres, com o agravamento dos seus efeitos sociais, ambientais e econômicos”, afirma a relatora.

A parlamentar apresentou o novo texto para fazer “pequenas correções” ao projeto original, retirando a restrição de o desastre ser necessariamente “natural” e incorporando ao texto medidas contidas nos projetos apensados, dentre outras alterações.

Próximos passos

O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Lira, “adiamento de decisão sobre Chiquinho Brazão não beneficia o deputado preso”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que os procedimentos a serem adotados pelo Plenário para decidir sobre a prisão do deputado Chiquinho Brazão (RJ), acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, seguirão o rito regimental.

Segundo Lira, o caso é complexo, sensível e deve ser tratado com o máximo cuidado, em razão de sua repercussão. O presidente explicou que a Câmara foi informada oficialmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que cabe, agora, a análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Como houve um pedido de vista na comissão, a análise do processo fica adiada por duas sessões do Plenário da Câmara. Só a partir da deliberação da CCJ os deputados decidirão se mantêm ou não a prisão de Brazão.

“É importante salientar que não há nenhum prejuízo para o processo e para a investigação, porque o tempo que transcorrer é em desfavor do parlamentar preso, até que o Plenário se posicione”, disse Lira, em entrevista coletiva após a reunião da CCJ.

Questionamento em Plenário

Na sessão do Plenário desta terça-feira (26/03), Lira foi questionado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) sobre o motivo de a prisão não ter sido analisada diretamente no Plenário da Câmara. Ele respondeu que, em outras vezes, o Plenário decidiu diretamente sobre o afastamento ou a prisão de deputados porque a CCJ não tinha sido instalada. “Não podemos fugir do Regimento Interno. Na CCJ, existe vista e eu não posso ignorar isso nem a presidente da CCJ. Essa vista será cumprida”, disse Lira.

Em fevereiro de 2021, o Plenário da Câmara decidiu manter a prisão do então deputado Daniel Silveira. Em outra decisão, no ano de 2020, o Plenário rejeitou o afastamento do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), que havia sido determinado por medida cautelar do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Acervo

Câmara aprova projeto que altera a Lei de Falências

A Câmara dos Deputados aprovou proposta que muda a Lei de Falências para incluir a formulação de um plano de falência, a figura do gestor fiduciário e agilizar a venda dos bens da massa falida. O texto será enviado ao Senado.

Foi aprovado o substitutivo da relatora, deputada Dani Cunha (União-RJ), para o Projeto de Lei 3/24, do Poder Executivo. Ela afirmou que a proposta vai garantir celeridade, desburocratização e moralização no processo falimentar. “Posso citar o exemplo de famosas falências que estão em curso há mais de 20 anos”, disse.

A relatora fez novas alterações no texto depois de reunião na residência oficial da Presidência da Câmara com líderes partidários e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Dani Cunha explicou que o texto foi feito a muitas mãos, com muitos acordos que revelam o espírito da democracia. “A gente consegue ver um consenso: a necessidade de moralizar a pauta da falência no Brasil.”

O texto da relatora faz diversas mudanças na proposta do governo e na Lei de Falências, tratando de tópicos como mandato do administrador judicial, sua remuneração e uso de créditos de precatórios.

A proposta determina ainda que os valores de créditos de natureza trabalhista, apurados pela Justiça trabalhista, terão seu pedido de pagamento processado apenas no juízo falimentar, proibindo qualquer ato de execução, cobrança, penhora ou arresto de bens por parte da vara trabalhista.

Por outro lado, aumenta de 150 para 200 salários mínimos por credor o limite de créditos que o trabalhador poderá receber da massa falida em primeiro lugar.

Em relação aos créditos da Fazenda Pública, a serem apresentados junto aos pendentes de definição (exigibilidade suspensa, por exemplo), o governo credor deverá informar ao devedor memória de cálculo com o maior desconto possível que poderia ser obtido em programas de incentivo à regularização ou de transação tributária vigentes.

Caberá à assembleia-geral de credores escolher o gestor fiduciário, com atribuições de elaborar o plano de falência e levar adiante a venda de bens para satisfazer as despesas com o processo falimentar e pagar os credores segundo suas classes de preferência. O administrador judicial da falência somente atuará se a assembleia de credores não eleger um gestor.

Debate em Plenário

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que o projeto aperfeiçoa o sistema tributário e de gestão fiscal do Executivo. “Estamos dando condições ao País para dar sustentabilidade ao crescimento da economia brasileira com gestão eficiente e compromisso republicano do governo”, disse.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a proposta agiliza o processo de falências e as condições de os credores serem atendidos. “Hoje a empresa entra em falência e não honra com seus compromissos. As dívidas precisam ser pagas para se fazer valer os direitos.”

Para a líder da Minoria, deputada Bia Kicis (PL-DF), “o projeto tem o potencial para abreviar as falências”. Segundo ela, o texto propõe algo melhor que os processos falimentares atuais, prolongados por décadas.

Para o deputado Merlong Solano (PT-PI), o texto desburocratiza o processo de falência, diminui a judicialização, aumenta a participação dos credores nas decisões e preserva a prioridade dos créditos trabalhistas. “Os salários dos trabalhadores eventualmente prejudicados ficam na linha de frente do processo de recebimento dos valores dos credores”, ressaltou.

Já o deputado Gilson Daniel (Pode-ES) foi contra o texto por acreditar que a mudança não beneficia os trabalhadores. “Muitas empresas que poderiam ser recuperadas, com esta nova lei, vão abrir falência, pois os credores vão querer a falência dela”, disse.

Ele também reclamou da falta de discussão da proposta em relação a outras mudanças de anos anteriores sobre a Lei de Falências.

Avaliação de bens

Nos atos de avaliação dos bens, o gestor ou administrador judicial poderá contratar avaliadores para bens de valor igual ou superior a mil salários mínimos (cerca de R$ 1,4 milhão). Será permitido ainda vender os bens em prazo diferente dos 180 dias atuais se aprovado no plano de falência.

Esse plano deverá conter proposta de gestão dos recursos da massa falida, detalhes da estratégia de venda dos bens encontrados e ações a tomar quanto aos processos judiciais, administrativos ou arbitrais em andamento.

O plano poderá tratar ainda de pontos como:

  • a compra dos bens da massa falida com os créditos dos credores;
  • a transferência dos bens da massa falida a uma nova sociedade com participação dos credores; e
  • a sugestão de descontos para receber os créditos, desde que aprovados pela respectiva classe de credores, exceto quanto aos créditos fiscais e do FGTS.

Entretanto, o plano não poderá prever a concessão automática ou discricionária de descontos em relação aos devedores, seja em juízo ou fora dele.

Outro plano

Credores que representem, no mínimo, 10% do total de créditos contra a massa falida poderão se opor ao plano de falência. Nesse caso, ele terá de ser deliberado pela assembleia-geral de credores, e a classe para a qual não haja expectativa de recebimento de valores não terá direito a voto.

O plano de falência não dependerá do consentimento do falido e poderá ser alterado na assembleia por iniciativa do gestor ou administrador judicial ou por propostas alternativas apresentadas por credores que detenham, no mínimo, 15% dos créditos presentes na reunião.

Remuneração do gestor

Sobre a remuneração desses administradores judiciais e dos gestores, em vez do máximo de 5% dos créditos envolvidos, como a lei prevê atualmente, o texto de Dani Cunha propõe três limites diferentes a serem levados em conta pelo juiz.

Um deles prevê um escalonamento do percentual dos créditos envolvidos:

  • 2% para valores totais acima de 400 mil salários mínimos;
  • 3% se maior que 100 mil salários e menor que 400 mil;
  • 4% quando entre 50 mil e 100 mil salários; e
  • 5% no caso de créditos abaixo de 50 mil salários mínimos.

Outro limite será um teto de 10 mil salários mínimos (R$ 14,12 milhões) para a totalidade das remunerações devidas à administração judicial, incluindo substituições e pessoal da equipe.

O terceiro será o teto do funcionalismo federal, atualmente em R$ 44 mil, quando a remuneração for destinada a administrador pessoa física.

O administrador que tiver as contas desaprovadas não terá direito à remuneração.

Mandato do administrador

O texto aprovado prevê mandato de três anos para o administrador judicial nomeado pelo juiz conduzir o processo falimentar. Esse administrador, seja na falência ou na recuperação judicial, não poderá assumir mais de um processo com dívidas de 100 mil salários mínimos ou mais em até dois anos do término de seu mandato anterior perante o mesmo juízo.

Essa proibição de acúmulo de funções em diferentes processos não se aplica caso o administrador judicial conclua os trabalhos em três anos.

O administrador judicial ou gestor fiduciário que já tenha exercido anteriormente essa função na recuperação judicial de determinada empresa não poderá atuar na condução do processo de falência dessa empresa.

Ele não poderá contratar parentes ou familiares até o 3º grau, sejam seus ou de magistrados e membros do Ministério Público atuantes em varas de falência.

Comitê de credores

Quanto ao comitê de credores, o projeto prevê a inclusão de um representante da Fazenda Pública. Esse comitê examinará o plano de falência, emitindo parecer; examinará propostas de acordo; e avaliará a necessidade de substituição do gestor.

A fiscalização das atividades do devedor e dos atos do gestor fiduciário ou administrador judicial poderá ser realizada individualmente por qualquer membro do comitê, com acesso amplo e irrestrito a documentos e informações.

Se a assembleia-geral assim decidir, o comitê poderá assumir função deliberativa para garantir maior rapidez na elaboração e execução do plano de falência.

Quórum

Para a realização das assembleias de credores, a relatora diminuiu o intervalo entre duas convocações sucessivas, passando de cinco dias para uma hora.

Já o quórum será de mais da metade do valor dos créditos presentes e mais da metade da maioria numérica de credores presentes.

No caso permitido pela lei, de substituição das deliberações da assembleia-geral por documento de adesão assinado pelos credores, o quórum passa de mais da metade dos créditos para metade desses créditos e a maioria numérica de credores.

No entanto, na autorização de forma alternativa de realização de ativo na falência, como a transformação de dívida em participação no capital, o quórum passa de 2/3 dos créditos para mais da metade dos créditos e maioria numérica dos credores.

Recuperação judicial

Na recuperação judicial, o texto muda de cinco para dois anos o intervalo mínimo entre duas recuperações judiciais sucessivas pedidas pela mesma empresa. O prazo poderá ser dispensado se todos os credores sujeitos ao procedimento anterior tiverem seus créditos totalmente liquidados.

O texto proíbe a inclusão em nova recuperação judicial de créditos vindos de recuperação judicial anterior do mesmo devedor.

Os contratos e as obrigações decorrentes de atos cooperativos estarão excluídos da recuperação judicial.

Isenção de imposto

No caso de liquidação judicial, extrajudicial ou falência, a proposta prevê a isenção do imposto de renda sobre o capital no lucro obtido com a venda de bens e direitos do ativo da empresa (como prédios, por exemplo) a fim de pagar os credores.

Bens pessoais do devedor

Sobre a desconsideração da personalidade jurídica, mecanismo usado para buscar, em certas circunstâncias, bens pessoais dos proprietários e administradores da empresa falida para pagar as dívidas, o projeto prevê que seu uso favorecerá a todos os credores, mas não serão permitidas a extensão da falência a outras empresas ou a ampliação dos beneficiários ou mesmo a ampliação da responsabilidade pela dívida a pessoas que não tenham promovido o incidente que motivou o uso desse mecanismo.

A mudança atinge os casos previstos inclusive no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor.

Uso de precatórios

O texto aprovado permite ainda o uso de qualquer direito creditório contra o poder público, como precatórios, para pagar os credores, contanto que seja pelo seu valor de face.

Um desconto poderá ser aplicado se aprovado por ¾ do número de presentes em assembleia e por igual fração dos créditos devidos pela massa falida.

Depois de deduzidas todas as dívidas de credores perante os Fiscos, os direitos creditórios poderão ser cedidos aos credores por valor aceito em assembleia.

Essa cessão obedecerá a seguinte ordem:

  • créditos trabalhistas;
  • créditos com garantia real, se o credor liberar o bem para venda;
  • créditos tributários, exceto extraconcursais e multas tributárias;
  • demais créditos.

De maneira semelhante, Dani Cunha propôs o uso de direitos creditórios privados, como debêntures emitidas por outras empresas e em posse da massa falida. Nesse caso, o valor a ser usado será o da última avaliação do título, se ela tiver ocorrida há menos de dois anos, valendo a decisão da assembleia com igual quórum dos precatórios para a aceitação de desconto.

Os direitos creditórios, sejam contra o setor público ou privado, poderão fazer parte de fundo ou outro tipo de investimento na conversão de dívida em participação no capital.

Leilão

Em relação aos procedimentos de leilão de bens da massa falida, o texto permite a credores com valores a receber inferiores ao valor da avaliação se unirem para a compra do bem ou mesmo inteirar o restante com outros recursos de que disponham.

Falências em andamento

Para as falências ou recuperações judiciais em curso, o projeto permite soluções diferentes, com os limites de remuneração dos administradores judiciais valendo imediatamente.

Nas recuperações judiciais, o juiz deverá confirmar ou substituir o administrador atual, que terá mandato de três anos a partir de então.

Em falências com processos de menos de três anos, o administrador ficará na função até se completar esse tempo. Naquelas com mais de três anos e menos de seis anos de processo, a assembleia de credores deverá decidir pela continuidade ou não do administrador pelo período restante até se alcançar os seis anos.

Finalmente, para aqueles processos com mais de seis anos e ainda em andamento, o juiz deverá nomear novo administrador.

Lei de transação

O substitutivo de Dani Cunha muda ainda a Lei das Transações (Lei 13.988/20) para aplicar descontos máximos aos créditos devidos ao Fisco e considerados sem controvérsia no âmbito de processos de recuperação judicial, liquidação judicial ou extrajudicial e falência. As regras se aplicam ainda às sociedades em recuperação extrajudicial.

Assim, valerão nessas situações:

  • desconto de 65% do valor total dos créditos objeto da transação ou de 70% se for microempresa ou empresa de pequeno porte quando a dívida ativa decorrer de processo administrativo encerrado ou ação judicial transitada em julgado;
  • possibilidade de uso de direitos creditórios contra a União (como precatórios cedidos por terceiros) para antecipar a liquidação do crédito e abater do total apurado;
  • uso de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL para abater 70% do saldo remanescente da dívida após aplicados os descontos.

Outros pontos

Confira outros pontos do Projeto de Lei 3/24:

  • o falido não terá mais direito a acompanhar a avaliação dos bens;
  • credores não precisarão mais seguir valor de avaliação para comprar bens da massa falida com seus créditos no processo falimentar;
  • acaba com a necessidade de avaliação para a venda antecipada de bens perecíveis, deterioráveis ou sujeitos a considerável desvalorização;
  • o falido poderá fiscalizar a administração da massa falida de forma ampla, requerer providências para conservar direitos e bens da empresa e apresentar recursos.

Fonte: Agência Câmara de Notícias / Foto: Mário Agra / Câmara dos Deputados

Pacheco, “negociação para endividamento de estados deve ser agilizada”

Após reunião nesta terça-feira (26/03) com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e governadores de estados superendividados das regiões Sul e Sudeste, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, informou que as soluções para renegociação dessas dívidas com a União serão definidas nas próximas semanas. Ele pediu para que o governo envie ao Congresso Nacional projeto de lei nesse sentido em até dez dias. 

Pacheco elogiou a proposta inicial do governo de ampliação do ensino técnico e profissionalizante nos estados como contrapartida à renegociação das dívidas, mas sublinhou que o problema principal são as “dívidas impagáveis” com a União de alguns estados. 

“A ideia do Ministério da Fazenda em relação ao fortalecimento do ensino profissionalizante e os investimentos como condição para redução de juros. Acho uma ideia bastante interessante, mas é uma ideia paralela ao que é o cerne do problema. A nossa proposta se mantém, é isso que nós vamos tramitar no Congresso: que é a questão do pagamento da dívida, aceitação de ativos, inclusive capital acionário, recebíveis, créditos de ações judiciais e a redução do índice de correção da dívida”, listou.

Pacheco disse que o Senado e os governadores querem um programa de pagamento dessas dívidas que seja sustentável e substitua o atual regime de recuperação fiscal. Para ele, o índice de correção das dívidas não quitadas precisa mudar, pois gerou aumento substancial no endividamento estadual. Os débitos são atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 4% e encargos.

“A alteração do índice, eu considero que é algo inevitável, que precisa ser concretizado para bem dos estados e para bem da União. Mas, para além da discussão do índice de correção, nós precisamos ter um programa sustentável de pagamento da dívida (…) para equacionamento do problema num menor espaço de tempo e poder haver o pagamento efetivo da dívida”, sustentou.

Pacheco tem enfatizado que o endividamento das unidades da Federação é “o maior problema federativo” que o Brasil enfrenta. Participaram da reunião os governadores Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ), Ratinho Júnior (PR), Renato Casagrande (ES), Eduardo Leite (RS), Tarcísio de Freitas (SP) e a vice-governadora Marilisa Boehm (SC). Ratinho Júnior é o presidente do Consórcio de Integração dos Estados do Sul e Sudeste do Brasil (Cosud).

Os débitos de Minas Gerais com o governo federal ultrapassam os R$ 160 bilhões. Mas o problema também atinge estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goiás. A dívida de Minas Gerais com a União começou em 1998, no valor de R$ 15 bilhões.

Pacheco apresentou a proposta de renegociação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro do ano passado. O acordo prevê quatro estratégias para a quitação dos débitos: rediscussão do valor da dívida; transferência para a União de ativos do estado avaliados com preço justo; cessão de créditos judiciais para a União; e desconto do saldo remanescente da dívida.

Segurança pública

A segurança pública foi outra questão debatida com os governadores, segundo Pacheco. Os governadores defenderam a aprovação de projetos relativos às chamadas audiências de custódia, à segurança jurídica dos policiais durante abordagens, ao compartilhamento e integração de dados e informações entre todas as polícias do país e à criação do qualificador de homicídio a mando de organização criminosa.

“Eu particularmente fiz um pedido aos governadores para que eles possam priorizar, nos seus respectivos estados, o sistema socioeducativo. Apostar na recuperação de menores infratores, o sistema socioeducativo recupera muito melhor do que o sistema penal comum”, avaliou Pacheco.

Fonte: Agência Senado / Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

PEC sobre drogas recebe elogios e críticas em terceira sessão de discussão

Na terceira sessão de discussão da proposta de emenda à Constituição que criminaliza o porte e a posse de drogas, independentemente da quantidade, (PEC 45/2023) nesta terça-feira (26/03), a proposição recebeu apoio de grande parte dos senadores, que destacaram o sentimento do povo contrário à descriminalização e alertaram para as consequências de eventual liberação do porte e posse de pequenas quantidades pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A PEC precisa passar por mais duas sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Depois, haverá mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno. Se aprovada, a matéria seguirá para análise, também em dois turnos, da Câmara dos Deputados. 

Racismo estrutural

Abrindo o debate, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), que foi delegado de polícia por 27 anos, criticou a posição dos colegas que teriam sido levados pelo “discurso fácil” de combate à criminalidade. Ele lembrou sua experiência com dependentes químicos e suas famílias, que pediam “socorro ao Estado brasileiro”, ressaltando que, nos termos da PEC, essas famílias passariam a ter um duplo encargo.

“Além de ter um filho dependente, agora ele vai ser criminoso. Não sou eu que estou dizendo: é o que nós aqui estamos fazendo”.

Na avaliação de Contarato, a proposta não define quem é traficante e quem é usuário, o que prejudicaria os setores mais vulneráveis da sociedade e perpetuaria o racismo estrutural.

Jorge Seif (PL-SC), porém, defendeu as forças policiais das acusações de racismo e manifestou concordância com o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, para quem o Brasil está perdendo a batalha contra as drogas. Para Seif, liberar pequenas quantidades de drogas sem regulamentar a cadeia de produção como um todo é “pôr a carroça na frente dos bois”, e a falta de emendas apresentadas à PEC atesta a perfeição do texto.

“A proposição e o relatório foram perfeitos e estão em consonância com a sociedade brasileira”.

Opinião pública

Tal como Jorge Seif, o relator da proposta, senador Efraim Filho (União-PB), citou o grande número de pesquisas de opinião pública que apontam “acima de 70%” de opiniões contrárias à liberação das drogas, e disse que a decisão sobre o assunto não deve caber ao Judiciário.

“Nosso parecer veio exatamente em sintonia do que pensa e do que defende a sociedade brasileira. A sociedade não quer, e o Estado não está preparado para essa descriminalização”.

Efraim argumentou a favor da PEC citando, além da questão da segurança pública, os danos à saúde pública: ele lembrou que, em Portugal, a flexibilização da legislação sobre drogas foi antecedida de investimento de “bilhões” no tratamento das consequências do consumo. Ele também negou os argumentos de que, na forma atual, a proposta encaminhará os usuários ao encarceramento.

Izalci Lucas (PSDB-DF) declarou que a descriminalização seria um “desastre” e que os senadores não devem sinalizar a liberação de entorpecentes ou a regulamentação de quantidades. Também citando pesquisas, ele disse que é falsa a impressão de que os policiais civis são contra a PEC e contestou o conceito de que “todos os pretos e pobres são condenados” por drogas.

“O excesso de presos se deve à falta de políticas públicas de Estado. Cada governo que entra faz questão de acabar com tudo e começar tudo de novo, repetindo os erros de sempre. Então, cabe a esses governos que estão aí oferecer realmente uma política pública decente para os nossos jovens porque, aí sim, eles vão com certeza evitar a ociosidade e entrar no mundo das drogas”.

Diretriz constitucional

Respondendo a Magno Malta (PL-ES), o presidente do Senado e autor da PEC, Rodrigo Pacheco, resumiu o objetivo da proposta, que visa estabelecer uma diretriz constitucional para o tratamento da política de drogas no país, determinando que a lei considerará crime o porte e a posse de substância ilícita, e assim será com a maconha “enquanto a administração pública entender” que a maconha é ilícita.

“Essa é uma posição política do Senado, para poder definir que essa guerra contra as drogas envolve não só uma guerra contra o tráfico de drogas no que se organiza, as organizações e associações criminosas do Brasil, mas também uma consequência jurídica, que é para aqueles que portam as drogas vindas de traficantes de drogas, ou seja, uma consequência que não é a prisão, mas é uma consequência jurídica de, no mínimo, uma advertência de que aquilo faz mal para a saúde e aquilo é uma substância ilícita reconhecida pela administração pública do Brasil”.

Pacheco não vê nem “confrontação” nem “retrocesso” na proposta, que preserva a distinção entre as penas ao tráfico e ao porte para uso sem que isso implique em “ausência de consequência jurídica”. Ele disse temer que eventual decisão judicial seja interpretada como estímulo ao uso sem que o Estado tenha se organizado para isso.

“Se vier a descriminalização por uma discussão de política pública, para se definir onde comprar, critérios, cadastro de usuários, como vários países fazem, será uma discussão política que eu respeitarei. Se quiserem fazer no Plenário, eu posso até ter minha posição contrária, mas faremos no ambiente próprio, que é o Parlamento. Mas a descriminalização por decisão judicial, que resolve um problema de demanda, mas não resolve o problema da oferta, porque a oferta continua sendo ilícita por um traficante de drogas, é realmente uma distorção”.

Crime organizado

Magno Malta aplaudiu as explicações de Pacheco, alertou para o aumento do poder do crime organizado no Brasil e acusou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de ter se tornado o “megafone de George Soros” para a legalização da maconha no Brasil.

“No dia que alguém disser a ele: “olha, ex-presidente, nesse avião que o senhor vai viajar para receber um outro título de doutor honoris causa nos Estados Unidos, o piloto é maconheiro, fuma dez baseados por dia”. Se ele tiver coragem de subir no avião, esse é o dia de legalizar”.

Malta também enalteceu o trabalho de recuperação de dependentes químicos da Fundação Dr. Jesus, do deputado federal Sargento Isidório (presente ao debate), e cumprimentou o senador Jaques Wagner (PT-BA) por ter, quando foi governador da Bahia, celebrado convênio com a instituição.

Damares Alves (Republicanos-DF) classificou a PEC como oportuna e necessária. Ela contou sua experiência com usuários de drogas e opinou que uma eventual descriminalização não contribui para enfrentar o problema dentro das famílias.

“A única forma de eu proteger um adolescente das drogas é não o deixar ter acesso às drogas. E, lá na ponta, a arma mais poderosa que a família tem para o adolescente não chegar perto das drogas é dizer: “isso é crime”. Dizer somente para o adolescente que isso faz mal, que isso vai levá-lo para uma dependência, para uma doença, não tem sido a arma mais poderosa”.

Fonte: Agência Senado / Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado