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Haddad propõe que Banco Central fiscalize fundos de investimentos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (19) que apresentou uma proposta ao governo para que o Banco Central passe a fiscalizar os fundos de investimento no país. Atualmente, a atribuição é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central. Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente”, disse ele, em entrevista na manhã de hoje ao programa UOL News.

Para o ministro, essa mudança deveria ocorrer porque, em sua visão, “há uma intersecção muito grande entre os fundos e as finanças”, o que pode trazer impactos para as contas públicas.

“Isso tem impacto até sobre a contabilidade pública, por exemplo. A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, disse ele, ressaltando que essa fiscalização pelo Banco Central já acontece em outros países desenvolvidos.

“Eu entendo que seria, inclusive, uma resposta muito boa neste momento nós ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos por parte do Banco Central porque aí fica num lugar só. Fica tudo sendo supervisionado e regulado num lugar só, que é mais ou menos o desenho dos bancos centrais do mundo desenvolvido.”

Operações recentes realizadas pela Polícia Federal têm demostrado que alguns fundos de investimentos podem estar sendo utilizados em fraudes no país. Um desses exemplos é o caso envolvendo o Banco Master e os fundos da Reag Investimentos.

Na semana passada, o Banco Central anunciou a liquidação da Reag Investimentos, hoje CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. A instituição é suspeita de administrar fundos fraudulentos ligados ao Banco Master. O esquema funcionaria por meio de uma ciranda financeira de depósitos e retiradas por diversos desses fundos, com o objetivo de ocultar o beneficiário final do dinheiro. Segundo as investigações, as fraudes podem superar os R$ 11 bilhões.

Elogios

Durante a entrevista de hoje, o ministro fez elogios ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, dizendo não ter se arrependido de ter sugerido o nome dele para ocupar a função. Haddad ressaltou que Galípolo vem atuando “com grande competência” no caso do Banco Master e em outros problemas que herdou de gestões anteriores.

“Ele [Galípolo] herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, disse o ministro. “Ele herdou um grande abacaxi, mas, em minha opinião, ele está resolvendo isso com grande competência”, completou.

Antes de viagem ao Panamá, Lula conversa com presidente Mulino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quinta-feira (15), um telefonema do presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes trataram dos preparativos para a visita que Lula fará ao Panamá para participar da abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), no dia 28 de janeiro.

Na visita, Lula também participará de reunião bilateral com o presidente Mulino para discutir temas relacionados a comércio, investimentos e cooperação.

O Panamá é um dos países associados ao Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Ainda segundo o Palácio do Planalto, Lula e Mulino trocaram – por telefone – impressões sobre a situação na Venezuela e reiteraram a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe. Também coincidiram, de acordo com a nota, sobre a necessidade de fortalecimento das Nações Unidas e na defesa do direito internacional e do diálogo.

Fonte: Agência Brasil

Brasil quita R$ 2,2 bilhões com organismos internacionais em 2025

O Brasil destinou cerca de R$ 2,2 bilhões em 2025 para a quitação de contribuições obrigatórias a organismos internacionais, informou nesta quinta-feira (15), em Brasília, o Ministério do Planejamento e Orçamento. O dinheiro também foi usado em integralizações e recomposições de cotas em bancos de desenvolvimento e fundos multilaterais.

Segundo o governo, os pagamentos garantiram a adimplência do Brasil em fóruns globais, regionais e setoriais estratégicos.

No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o país quitou integralmente compromissos com o orçamento regular, missões de paz e mecanismos judiciais vinculados à ONU, passando a integrar um grupo restrito de nações totalmente adimplentes com a organização. Também foram honradas contribuições a agências especializadas em áreas como saúde, educação, trabalho e migração.

Estratégia

Segundo o ministério, a estratégia de pagamentos escalonados ao longo do ano, aliada ao monitoramento da taxa de câmbio, permitiu reduzir custos para o Tesouro Nacional e assegurar previsibilidade orçamentária. A regularização das obrigações reforça o compromisso do Brasil com o multilateralismo, a integração regional e a responsabilidade fiscal.

Confira a lista de organismos, bancos e fundos internacionais com os quais o Brasil quitou pagamentos em 2025:

Sistema das Nações Unidas

•    Organização das Nações Unidas (ONU) – orçamento regular, missões de paz e Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais (IRMCT)

•    Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

•    Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)

•    Organização Mundial da Saúde (OMS)

•    Organização Internacional do Trabalho (OIT)

•    Organização Internacional para as Migrações (OIM)

•    Organização Mundial do Turismo (OMT)

•    União Postal Universal (UPU)

Meio ambiente e clima

•    Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)

•    Protocolo de Quioto

•    Protocolo de Montreal

•    Protocolo de Cartagena

•    Protocolo de Nagoia

Integração regional e cooperação hemisférica

•    Secretaria do Mercosul

•    Parlamento do Mercosul (Parlasul)

•    Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos do Mercosul (IPPDH)

•    Secretaria do Tribunal Permanente de Revisão (TPR)

•    Organização dos Estados Americanos (OEA)

•    Associação Latino-Americana de Integração (ALADI)

•    Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)

Outros organismos internacionais

•    Organização Mundial do Comércio (OMC)

•    Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

•    Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)

•    Tribunal Penal Internacional (TPI)

•    Tribunal Internacional do Direito do Mar (TIDM)

•    Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN)

•    Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO)

•    Bancos de desenvolvimento e fundos multilaterais

•    Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (FONPLATA)

•    Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA)

•    Corporação Financeira Internacional (CFI)

•    Corporação Andina de Fomento (CAF)

Por que a adimplência importa

•    Garante participação plena do Brasil em decisões internacionais

•    Preserva direitos de voto e influência em organismos multilaterais

•    Permite acesso a empréstimos, doações e cooperações técnicas

•    Reforça a imagem do país como ator comprometido com a cooperação internacional e o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Brasil

Lula cita caso Master e defende PEC da Segurança Pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (15) que a política de segurança pública de seu governo vive um “bom momento” e destacou as recentes ações de combate ao crime organizado, incluindo as investigações envolvendo desvios no Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que apura fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

“Nós nunca estivemos tão perto e nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar ao andar de cima da corrupção e do crime organizado nesse país como agora. Nesse exato momento histórico do Brasil, depois da Operação Carbono Oculto, que foi a maior operação já feita pela Polícia Federal, junto com a Polícia de São Paulo, junto com a Receita Federal, depois da Refit, quando nós conseguimos bloquear cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada. Depois que nós fizemos isso, depois da situação do Banco Central com o Banco Master”, elencou o presidente durante discurso de posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em evento reservado no Palácio do Planalto. A cerimônia contou com a participação de alguns auxiliares e do ex-ministro Ricardo Lewandowski.     

“Nós vamos mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado”, pontuou o presidente.

Lula afirmou que está confiante no avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, que tramita na Câmara dos Deputados e que definirá o papel da União no setor. “Porque a Constituição de 1988 transferiu para os estados a responsabilidade. E nós vamos saber aonde é que o Estado [União] pode participar. Não é só a transferência de dinheiro, qual é a ação da Polícia Federal, qual é a ação da Guarda Nacional que nós temos que criar com muita força, qual é a ação da Polícia Rodoviária Federal, qual é o papel de cada um”, afirmou.

Lula pediu articulação entre diferentes órgãos de Estado e disse que o enfrentamento ao crime “não é ficar apenas matando gente em favela”.

“Não é apenas ficar prendendo o pobre, vai chegar na cobertura e saber quem é efetivamente responsável, quem ganha dinheiro, quem não paga imposto, quem sonega neste país. Que é uma das razões do empobrecimento do nosso país”, prosseguiu.

Após a posse, Wellington Lima e Silva conversou com jornalistas e defendeu que a PEC avance no Congresso, onde o governo não conta com ampla base de apoio.

“Eu acredito piamente no sentido de responsabilidade do Congresso. Todo projeto, todo encaminhamento de proposta legislativa que sai do Executivo, ela vai ser apreciada pelo Congresso, pelas duas Casas. E o governo tem que fazer o esforço, no limite, para que o produto final dessa iniciativa seja condizente com o que ele espera daquela política pública e que contemple o interesse da sociedade”, disse.

Ministério

Wellington Lima e Silva disse que conversará com cada um dos secretários da pasta para avaliar eventual permanência ou substituição da equipe. Segundo o ministro, o presidente Lula deu liberdade total para a montagem dos principais cargos do ministério. Já os atuais diretores-gerais da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) permanecerão nos cargos. 

“Na reunião de transição de ontem, eu já tinha assegurado que o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal permaneceriam, esses não vão sofrer. E no caso dos secretários nacionais, eu me permito o direito de ouvir eles, analisar o resultado e definir ajustes. Então, podem permanecer muitos deles, posso mudar um, dois, três ou quatro, o presidente deu plena liberdade para montar a equipe, não tem nenhuma circunstância, senão análise de mérito do resultado produzido até então”.

Fonte: Agência Brasil

Comitê do IBS é sancionado e reforma tributária avança no Brasil

A Presidência da República sancionou, nesta terça-feira (13), com vetos, o Projeto de Lei Complementar nº 108/2024, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e conclui a regulamentação da reforma tributária. A medida representa um passo decisivo para que o novo modelo de tributação comece, de fato, a sair do papel e chegue ao dia a dia de empresas, Estados, municípios e contribuintes.

Na prática, a nova lei estabelece quem será responsável por administrar, arrecadar e distribuir o IBS, imposto que fará parte do novo sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), definindo as bases do seu funcionamento. O Comitê Gestor será o órgão encarregado de coordenar esse processo, garantindo regras uniformes e evitando disputas entre Estados e municípios.

Para o advogado João Lucas Vieira, especialista em Direito Tributário, a criação do Comitê Gestor é um dos pontos mais importantes de toda a reforma.

“A reforma tributária só funciona na prática se houver uma governança clara. A criação do Comitê Gestor do IBS e a previsão das suas competências e do seu funcionamento é essencial para que os empresários e autônomos já comecem a se organizar para quando o novo imposto iniciar a sua vigência de forma efetiva.”, explica.

Durante a sanção, o governo federal também lançou a plataforma digital da Reforma Tributária, que deve reunir informações, normas e orientações sobre o novo sistema, facilitando o acesso e aumentando a transparência para a sociedade.

Novos impostos

A sanção desta terça-feira complementa a lei promulgada em janeiro de 2025, que consolidou cinco tributos atuais — PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI — em dois novos impostos: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado por Estados e municípios. Essa regulamentação também criou a cesta básica nacional com isenção total de tributos, estabeleceu alíquotas reduzidas para medicamentos e instituiu o Imposto Seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Durante a cerimônia, o presidente vetou alguns dispositivos do projeto, como a isenção para determinados fundos de investimento, exceções ao Imposto Seletivo em exportações específicas, a criação da Escola de Administração Fazendária no âmbito do Ministério da Fazenda e um trecho que previa desconto em seguros ligados a furtos ou roubos.

“O IVA precisa ser simples e neutro. Quando se criam muitas exceções, o sistema perde eficiência e volta a gerar distorções. Estamos diante de uma mudança estrutural. Quem se antecipa, revisa processos e entende o novo modelo sai na frente, reduz riscos e aproveita melhor os benefícios de um sistema mais simples e transparente”, conclui João Lucas Vieira.

Foto: Divulgação

Suspensão da emissão de vistos dos EUA não afeta turistas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a suspensão, por tempo indeterminado, da emissão de vistos para 75 países, entre eles o Brasil. A medida não afeta os vistos para turistas

De acordo com informações da Agência Reuters, entre os países afetados estão Brasil, Somália, Irã, Rússia, Afeganistão, Nigéria, Iêmen e Tailândia. A medida entra em vigor a partir do dia 21 janeiro.

“O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis os imigrantes em potencial que se tornariam um encargo público para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, disse Tommy Pigott, porta-voz adjunto do Departamento de Estado.

“O processamento de vistos de imigrantes desses 75 países será pausado enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para evitar a entrada de estrangeiros que receberiam assistência social e benefícios públicos”, acrescentou.

Procurado, o Itamaraty não se manifestou até o momento. A Agência Brasil procurou ainda a Embaixada dos EUA em Brasília e aguarda retorno.

A decisão ocorre em meio à crise em torno do estado de Minnesota, onde a polícia anti-imigração ICE assassinou a estadunidense Renee Nicole Good, gerando uma onda com mais de mil protestos em todo o país.  

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem atacado imigrantes do estado, governado por democratas, acusando-os de fraudarem sistemas de benefícios sociais.

Desde que retornou à Presidência, Trump tem adotada medidas de repressão à imigração, priorizando a fiscalização da imigração, enviando agentes federais para as principais cidades dos EUA e provocando confrontos violentos tanto com imigrantes quanto com cidadãos norte-americanos.

Na segunda-feira (12), o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou ter revogado mais de 100.000 vistos desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo no ano passado.

* Com informações da Reuters / Fonte: Agência Brasil

Eleitores em situação regular podem exercer a função de mesário

Em um país marcado por grandes distâncias geográficas e pela diversidade de realidades locais, a realização de eleições seguras e transparentes só é possível com a participação ativa da sociedade. Nesse cenário, os mesários assumem um papel essencial, atuando diretamente no atendimento ao eleitor e na aplicação das normas que garantem a organização, a segurança e a regularidade da votação.

A importância dessa atuação, destacada pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Adonaid Tavares, ressalta o caráter cidadão da função. “O mesário é a ponte entre a Justiça Eleitoral e o eleitor, sendo fundamental para que a votação aconteça de forma tranquila e confiável”, afirma o juiz.

Todo eleitor em situação regular perante a Justiça Eleitoral pode atuar como mesário, preferencialmente na própria Zona, Seção e local em que vota. Segundo o juiz, no dia da eleição, o mesário é a autoridade máxima da Seção Eleitoral, responsável por receber os eleitores, conferir a identificação, colher assinaturas, liberar a urna eletrônica e zelar pelo sigilo do voto, pela segurança do equipamento e pela ordem no ambiente de votação.

Mais do que uma função operacional, ser mesário é um exercício de cidadania. “Quando o cidadão aceita ser mesário, ele assume um compromisso direto com a democracia e contribui para fortalecer a confiança da sociedade nas eleições”, conclui Adonaid Tavares.

Benefícios e como participar

A legislação garante benefícios aos eleitores convocados para compor as mesas receptoras de votos, como a dispensa do trabalho, sem prejuízo do salário ou de outras vantagens, pelo dobro dos dias trabalhados nas eleições e nos treinamentos promovidos pela Justiça Eleitoral. A atuação como mesário também pode ser utilizada como critério de desempate em concursos públicos, desde que haja previsão no edital.

Quem deseja atuar como mesário voluntário pode se inscrever no cartório eleitoral responsável por seu município ou bairro, cuja identificação está disponível no site do TRE-AM ou no aplicativo do e-Título.

A inscrição também pode ser realizada pelo link: https://www.tre-am.jus.br/servicos-eleitorais/mesario-voluntario/inscricao. Após o cadastro, o eleitor passa a integrar o banco de mesários da justiça eleitoral e poderá ser convocado para as próximas eleições, conforme a necessidade da respectiva seção eleitoral.

Foto: Júnior Souza/TRE-AM

Brasil movimentou quase US$ 3 bi em comércio com Irã em 2025

O Brasil manteve um comércio de quase US$ 3 bilhões com o Irã em 2025, apesar de o país persa representar apenas 0,84% das exportações brasileiras.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as vendas brasileiras para Teerã somaram US$ 2,9 bilhões no ano passado, consolidando o Irã como o quinto principal destino das exportações nacionais no Oriente Médio.

Embora ocupe a 31ª posição no ranking geral dos destinos das exportações brasileiras, o Irã aparece atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita na região. No ano passado, as vendas brasileiras ao país superaram as destinadas a mercados como Suíça, África do Sul e Rússia.

O comércio bilateral é fortemente concentrado no agronegócio. Em 2025, milho e soja responderam por 87,2% das exportações brasileiras ao Irã. Somente o milho representou 67,9% do total, com vendas superiores a US$ 1,9 bilhão, enquanto a soja respondeu por 19,3%, somando cerca de US$ 563 milhões.

Também figuram entre os principais produtos exportados açúcares e itens de confeitaria, farelos de soja para alimentação animal e petróleo.

As importações brasileiras provenientes do Irã, por sua vez, foram bem mais modestas. Em 2025, o Brasil comprou cerca de US$ 84 milhões do país do Oriente Médio, com destaque para adubos e fertilizantes, que corresponderam a aproximadamente 79% do total, além de frutas, nozes, pistaches e uvas secas.

A relação comercial entre os dois países tem apresentado oscilações nos últimos anos. Em 2022, as exportações brasileiras ao Irã atingiram US$ 4,2 bilhões, o maior valor da série recente, antes de recuarem em 2023 e voltarem a crescer em 2024 e 2025. Do lado das importações, os volumes variaram de forma ainda mais acentuada, com quedas expressivas em 2023 e recuperação no ano passado.

Ameaça de Trump

O tema ganhou nova dimensão após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar nesta segunda-feira (12) que irá impor tarifas de 25% sobre países que mantiverem relações comerciais com o Irã.

Segundo o republicano, a taxa será aplicada “sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos” por esses países e entraria em vigor imediatamente, embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado detalhes formais da medida.

O anúncio acendeu um alerta sobre possíveis impactos ao comércio brasileiro, sobretudo no agronegócio, principal beneficiário da relação com Teerã.

O governo federal informou que aguarda a publicação da ordem executiva americana para se manifestar oficialmente sobre o tema.

Iniciativas diplomáticas

A aproximação comercial entre Brasil e Irã também tem sido acompanhada por iniciativas diplomáticas. Em abril de 2024, o ministro da Agricultura do Irã visitou o Brasil e se reuniu com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na ocasião, os dois países concordaram com a criação de um comitê agrícola e consultivo bilateral, com o objetivo de agilizar pautas de interesse comum, ampliar o intercâmbio técnico e discutir medidas para facilitar o comércio.

Durante a visita, o governo iraniano também demonstrou interesse em instalar uma empresa de navegação no Brasil, o que poderia reduzir custos logísticos e impulsionar ainda mais o fluxo comercial entre os dois países. Desde agosto de 2023, o Irã integra o Brics, bloco do qual o Brasil é membro fundador.

A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã, marcadas por ameaças mútuas, repressão a protestos internos no Irã e declarações recentes de autoridades dos dois países sobre a possibilidade de negociações, sem descartar um agravamento do conflito.

Fonte: Agência Brasil

Trump anuncia tarifas de 25% a países que negociarem com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) a imposição, com efeitos imediatos, de uma tarifa de 25% sobre “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã”. 

Segundo Trump, estes países terão uma tarifa imediata sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos.

“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América”, anunciou Donald Trump em sua rede social. 

“Esta ordem é definitiva e irrecorrível”, acrescentou. 

Protestos

O anúncio de Trump surge no momento em que o regime de Teerã enfrenta uma das maiores ondas de protestos dos últimos anos. 

Neste domingo (11) e segunda-feira, Teerã registrou também atos pró-regime da República Islâmica e para criticar as manifestações violentas dos últimos dias.

Ontem, o presidente do Irã Masoud Pezeshkian afirmou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas que os distúrbios recentes são provocados por “terroristas do estrangeiro”, para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel. 

Em resposta aos protestos, que já se estendem a todo o país, as autoridades iranianas têm respondido com força letal perante a população. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes. 

Nos últimos dias, o presidente estadunidense tem repetido ameaças de intervenção no Irã. Donald Trump afirmou que tem opções “muito fortes”, incluindo a via militar, e adiantou ainda que está em contacto com líderes da oposição iranianos. 

Fonte: Agência Brasil

Trump diz que Estados Unidos “estão prontos para ajudar o Irã”

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os Estados Unidos (EUA) estão prontos para intervir no Irã, onde ocorrem manifestações populares contra o governo.

“O Irã está em busca de liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar, escreveu em sua própria rede social.

Trump afirmou nessa sexta-feira (9) que seu país poderia entrar em ação no Irã caso o regime matasse os manifestantes. No momento, já morreram mais de 50 pessoas. Além disso, as autoridades iranianas intensificaram a repressão contra os protestos, segundo informam as agências internacionais.

O Irã passa por um apagão na internet desde ontem (9), provocado pelas autoridades locais. Telefonemas também não chegam ao país e os voos foram cancelados.

As manifestações começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o aumento da inflação, mas já passaram para o âmbito político e buscam agora a derrubada do governo.

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse que os protestos são promovidos por “vândalos” que agem em nome de Donald Trump.

Fonte: Agência Brasil