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Estados Unidos começa a proibir entrada de países

O decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que proíbe viagens de cidadãos de 12 países para o território norte-americano entra em vigor às 1h01 (horário de Brasília) de segunda-feira, em uma medida anunciada pelo presidente para proteger o país de “terroristas estrangeiros”. Os países afetados pela proibição são Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen. A entrada de pessoas de outros sete países – Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela – será parcialmente restrita.

Trump disse que esses países abrigam uma “presença em larga escala de terroristas”, não cooperam com a segurança de vistos, não têm capacidade de verificar as identidades dos viajantes, bem como possuem registros inadequados de históricos criminais e altas taxas de permanência acima do permitido nos EUA.

Autoridades e residentes de países cujos cidadãos serão banidos em breve expressaram consternação e descrença. O presidente do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno, disse que havia instruído seu governo a parar de conceder vistos a cidadãos norte-americanos em resposta à ação de Trump. “O Chade não tem aviões para oferecer nem bilhões de dólares para dar, mas o Chade tem sua dignidade e seu orgulho”, disse ele em uma publicação no Facebook, referindo-se a países como o Catar, que presenteou os EUA com um avião de luxo para uso de Trump e prometeu investir bilhões de dólares nos EUA.

Parlamentares democratas também expressaram preocupação com as políticas. “A proibição de viagem de Trump para cidadãos de mais de 12 países é draconiana e inconstitucional”, disse o deputado Ro Khanna nas redes sociais na quinta-feira.

Países com proibição total de entrada

Os 12 países cujos cidadãos estão completamente impedidos de entrar nos Estados Unidos, seja para fins de imigração ou não imigração (como turismo, negócios ou estudo), são:

  1. Afeganistão
    • Motivo: Citado por abrigar uma “presença em larga escala de terroristas”, devido ao controle do Talibã, classificado como um grupo terrorista global designado (SDGT). Há falta de uma autoridade central confiável para emissão de passaportes e verificação de identidades.
    • Impacto: Muitos afegãos receberam vistos de imigrante especiais (Special Immigrant Visas) por colaborarem com o governo dos EUA durante a guerra. Esses vistos estão isentos da proibição. Em 2024, a maioria dos vistos emitidos para afegãos foram de imigração.
  2. Mianmar (Birmânia)
    • Motivo: Alta taxa de overstays (permanência além do período autorizado pelo visto) e falta de cooperação com os EUA na devolução de cidadãos deportados. Também citado por deficiências na emissão de documentos de identidade.
    • Impacto: Afeta programas de intercâmbio, como o caso de uma professora de Mianmar que planejava participar de um programa do Departamento de Estado dos EUA.
  3. Chade
    • Motivo: Alta taxa de overstays (49,54% em 2023 para vistos de negócios e turismo, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA) e falta de cooperação na aceitação de cidadãos deportados.
    • Impacto: O presidente do Chade, Mahamat Idriss Déby Itno, anunciou a suspensão de vistos para cidadãos norte-americanos em retaliação, destacando a “dignidade e orgulho” do país.
  4. República do Congo
    • Motivo: Falta de competência na emissão de passaportes e documentos civis, além de altas taxas de overstays.
    • Impacto: Em 2024, a maioria dos vistos emitidos para cidadãos da República do Congo foram para turismo, negócios ou estudo. A proibição afeta principalmente esses viajantes.
  5. Guiné Equatorial
    • Motivo: Deficiência na verificação de identidades e emissão de documentos, além de altas taxas de overstays.
    • Impacto: Poucos vistos são emitidos anualmente, mas a proibição impacta viajantes de negócios e turismo.
  6. Eritreia
    • Motivo: Falta de cooperação na aceitação de cidadãos deportados, registros inadequados de históricos criminais e altas taxas de overstays.
    • Impacto: Incluída na lista devido a questões de segurança e falta de autoridade central confiável.
  7. Haiti
    • Motivo: Ausência de autoridade central para questões de aplicação da lei e emissão de documentos, além de altas taxas de overstays. O país enfrenta violência de gangues, o que agrava a percepção de risco.
    • Impacto: Afeta significativamente famílias e crianças doentes que buscam tratamento ou reunificação nos EUA. Em 2024, cerca de 66.563 haitianos entraram nos EUA, e a proibição pode agravar a crise humanitária no país.
  8. Irã
    • Motivo: Acusado de ser uma “fonte significativa de terrorismo” e de não cooperar com os EUA em questões de segurança ou aceitação de deportados.
    • Impacto: Vistos de imigração para minorias étnicas e religiosas perseguidas no Irã estão isentos. O Irã foi alvo de proibições anteriores na primeira administração Trump.
  9. Líbia
    • Motivo: Falta de autoridade central confiável para emissão de passaportes e vetting, além de presença de atividades terroristas.
    • Impacto: Poucos vistos são emitidos, mas a proibição afeta viajantes de turismo e negócios.
  10. Somália
    • Motivo: Considerada um “refúgio seguro para terroristas” devido à falta de controle territorial pelo governo, além de não aceitar cidadãos deportados.
    • Impacto: A maioria dos vistos emitidos em 2024 foram de imigração. A proibição afeta famílias e trabalhadores qualificados.
  11. Sudão
    • Motivo: Presença de terroristas, altas taxas de overstays e falta de cooperação na aceitação de deportados. O Sudão está no topo da lista de crises humanitárias do International Rescue Committee (IRC).
    • Impacto: Afeta famílias de refugiados e imigrantes, agravando a maior crise humanitária registrada.
  12. Iêmen
    • Motivo: Falta de controle territorial devido à guerra civil e operações militares dos EUA contra os Houthis, além de deficiências na emissão de documentos.
    • Impacto: A maioria dos vistos emitidos em 2024 foram de imigração, especialmente para parentes próximos de cidadãos americanos.

Países com restrições parciais

Os sete países cujos cidadãos enfrentam restrições parciais, com suspensão de vistos de imigração e vistos não imigratórios específicos (B-1, B-2, B-1/B-2, F, M e J, que cobrem turismo, negócios, estudos e intercâmbio), são:

  1. Burundi
    • Motivo: Altas taxas de overstays e questões de segurança.
    • Impacto: Afeta estudantes e turistas, com cerca de 45.000 vistos (incluindo 69.000 temporários) emitidos em 2024 para os sete países com restrições parciais.
  2. Cuba
    • Motivo: Falta de cooperação com os EUA e questões de segurança.
    • Impacto: A proibição parcial afeta vistos de turismo e estudo, mas não outras categorias de vistos de trabalho.
  3. Laos
    • Motivo: Falta de cooperação na devolução de cidadãos deportados e altas taxas de overstays.
    • Impacto: Limita opções para estudantes e turistas.
  4. Serra Leoa
    • Motivo: Altas taxas de overstays e deficiências na emissão de documentos.
    • Impacto: Afeta principalmente viajantes de turismo e negócios.
  5. Togo
    • Motivo: Altas taxas de overstays e questões de segurança na emissão de documentos.
    • Impacto: Restrições em vistos de estudante e turismo.
  6. Turcomenistão
    • Motivo: Altas taxas de overstays e falta de cooperação em segurança de vistos.
    • Impacto: Limita mobilidade para estudantes e visitantes de curto prazo.
  7. Venezuela
    • Motivo: Falta de uma autoridade central competente para emissão de passaportes e documentos, além de altas taxas de overstays.
    • Impacto: Com cerca de 250.234 venezuelanos entrando nos EUA em 2022, a restrição parcial afeta significativamente vistos de turismo, negócios e estudo. A inclusão da Venezuela é notável devido a recentes esforços de reaproximação diplomática com os EUA.

Foto: Reprodução/Fonte: Agência Brasil/Reuters

Começam a ser ouvidos os réus do núcleo 1 da trama golpista

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (9), às 14h, os interrogatórios dos réus do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro.

Os depoimentos serão realizados pelo próximos cinco dias na sala da Primeira Turma da Corte e serão transmitidos ao vivo pela TV Justiça.

Entre os dias 9 e 13 de junho, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, vai interrogar presencialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.

Nesta segunda-feira, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator nas investigações, será o primeiro a depor.

No dias seguintes, a partir das 9h, os demais réus serão chamados, por ordem alfabética, para serem interrogados por Moraes.

Durante as oitivas, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e as defesas dos demais acusados também poderão fazer perguntas aos acusados.

O único réu que irá depor por videoconferência será o general Braga Netto. Vice na chapa de Bolsonaro em 2022, o militar da reserva está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado e obter detalhes da delação de Mauro Cid. 

Confira a ordem dos depoimentos:

 Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

 Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

 Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

 Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

 Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

 Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

 Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

 Walter Braga Netto. 

Os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

O interrogatório dos réus é uma das últimas fases da ação penal. A expectativa é de que o julgamento que vai decidir pela condenação ou absolvição do ex-presidente e dos demais réus ocorra no segundo semestre deste ano. Em caso de condenação, as penas passam de 30 anos de prisão. 

Por estarem na condição de réus, os acusados poderão se recusar a responder perguntas que possam incriminá-los. A Constituição garante aos investigados o direito de não produzir provas contra si.

Fonte: Agência Brasil

Haddad apresenta alternativas ao aumento do IOF

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou a líderes partidários uma Medida Provisória com ajustes no setor financeiro como alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Segundo Haddad, pela proposta, todos os títulos de investimento que hoje são isentos de imposto de renda terão uma alíquota de 5%.

“Eles ainda vão manter uma distância com os títulos públicos em geral mas não permanecerão isentos, pois estão criando uma distorção no mercado de crédito no Brasil”, disse.

O governo ainda propôs uma alteração na alíquota das bets, casas de apostas esportivas, como alternativa.

Segundo o ministro, com essas medidas, será possível “recalibrar” o decreto do IOF. Essas duas medidas serão incluída na mesma MP .

A proposta foi discutida na noite deste domingo (8), em reunião com parlamentares da base do governo na residência oficial da presidência da Câmara. Segundo relatos, a ideia foi bem recebida pelos presentes.

O aumento do IOF, que visa arrecadar R$ 18 bilhões este ano, gerou forte reação no Congresso e abriu um impasse entre o governo e o Legislativo.

Parlamentares reclamaram da falta de diálogo prévio e ameaçaram derrubar o decreto, aprovado sem consulta ao Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegaram a dar um prazo de dez dias para que o governo apresentasse uma alternativa viável à medida.

A insatisfação levou à convocação da reunião deste domingo, em que o Executivo buscou recompor o diálogo com os líderes e preservar a arrecadação estimada com o decreto.

Fonte: CNN Brasil / Foto: Reprodução

Equipe econômica apresentará alternativas ao IOF

Após cerca de dez dias de debates, a equipe econômica apresentará neste domingo (7) aos líderes partidários as alternativas para o decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O encontro ocorrerá na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, com a presença prevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Na semana passada, Haddad afirmou que o pacote deve incluir um projeto de lei, uma proposta de emenda à Constituição (PEC) e “provavelmente” uma medida provisória. Segundo o ministro, a equipe econômica pretende concluir os detalhes das medidas na segunda-feira (9), para apresentar as propostas na terça-feira (10).

Neste sábado (7), o presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu um debate sobre benefícios fiscais.

“Isenções essas que chegam a um número não mais possível de suportar pelas contas do nosso país. Isenções essas que não têm o mínimo de acompanhamento sobre o retorno e a contrapartida que deve ser dada por quem as recebe à nossa sociedade e à nossa população”, declarou Motta em evento com empresários e políticos em Guarujá (SP).

O deputado também defendeu a realização de uma reforma administrativa, mas não entrou em detalhes sobre as propostas.

“Modernizar para que, ao menor custo, se consiga entregar serviços de mais qualidade à nossa população. É essa, sem dúvida alguma, a principal missão dessa reforma administrativa que queremos para o Estado brasileiro”, acrescentou.

Em entrevista a jornalistas na saída do evento, Motta disse que não descarta a possibilidade de pautar a votação do projeto que derruba o decreto que aumentou o IOF. Segundo ele, a medida dependerá do resultado da reunião deste domingo. “Vamos amanhã, após a apresentação das medidas do governo, decidir sobre o PDL [projeto de decreto legislativo], que pode entrar na pauta na próxima terça-feira”, declarou Motta.

Revisão do decreto

Na semana passada, Haddad afirmou que parte do decreto que elevou as alíquotas de IOF pode ser revista. Isso, porque somente após o desenho final das medidas o governo saberá o quanto arrecadará para poder compensar a alta do IOF anunciada há duas semanas, sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e o arcabouço fiscal.

“Preciso de pelo menos parte das medidas para rever o decreto. Tenho a Lei de Responsabilidade Fiscal, o arcabouço [fiscal], uma série de constrangimentos legais que me impõem uma obrigação que tenho que cumprir. No que diz respeito ao ano que vem, temos liberdade. No que diz respeito a esse ano, preciso aguardar uma reunião com os líderes para uma definição definitiva”, justificou Haddad na última terça-feira (3).

Fonte: Agência Brasil

Brasil e Angola buscam diversificar comércio

O governo brasileiro busca uma reaproximação com a Angola por meio da diversificação da pauta comercial para além do agronegócio e do petróleo, setores que dominam a relação bilateral. O fluxo de comércio entre os países caiu após 2015 em função dos efeitos da Operação Lava Jato, da competitividade da China e de crises econômicas.

Com uma história inicialmente conectada pelo comércio de trabalhadores escravizados – Angola foi a principal fonte de mão de obra escrava do Brasil – o país hoje de 36 milhões de habitantes, que tem o português como língua oficial, abriga a maior comunidade de brasileiros vivendo na África: cerca de 30 mil pessoas.

Na primeira viagem à África no atual mandato, em agosto de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Luanda, a capital, com objetivo de ampliar as trocas comerciais.

“Começamos por um país que sempre foi nossa maior ponte com esse continente irmão. Nos últimos anos, o Brasil tratou os países africanos com indiferença. Vamos corrigir esses erros. E vamos alçar nossa parceria estratégica a um novo patamar. O Brasil quer apoiar Angola no esforço de diversificar sua economia”, disse o presidente.

Na ocasião, foram assinados acordos de cooperação em áreas como turismo, educação, saúde, agricultura e exportação. Lula ainda inaugurou a galeria Ovídio de Andrade Melo, em Luanda, centro cultural ligado ao Itamaraty dedicado à arte e cultura brasileira e angolana.

A atenção especial dada à Angola no terceiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi coroada com a inauguração do Consulado-Geral do Brasil em Luanda, capital do país, em fevereiro deste ano. É o único consulado-geral do país na África.

Visita a Brasília

Em 23 de maio deste ano, foi a vez de o presidente de Angola, João Lourenço, visitar Brasília, no marco dos 50 anos da independência do país africano, sendo o Brasil a primeira nação a reconhecer Angola após a libertação do colonialismo português, em 1975.

“Nós constatamos que, efetivamente, o Brasil está de volta à África. E o exemplo disso é que, nesse período de cerca de dois anos, conhecemos uma intensa troca de delegações, da Angola para o Brasil e do Brasil para Angola”, afirmou João Lourenço.

Na ocasião, foi anunciado acordo nas áreas de defesa e segurança. “A Embraer está à disposição para a restauração da frota angolana de aeronaves Super Tucano e o fornecimento de aeronaves adicionais”, disse Lula.

O professor de história da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Gilberto da Silva Guizelin, que estuda as relações Brasil-Angola, avalia que a reaproximação do Brasil foi significativa no atual mandato.

“Com o impeachment e os governos Temer Bolsonaro, há praticamente um congelamento dessas relações. Ambos os governos vão fechar embaixadas e postos diplomáticos no continente africano. Nem Temer nem Bolsonaro fizeram uma única viagem à África. Tem viagem de ministros, mas não há uma diplomacia presidencial, como a gente verificou no governo Lula, por exemplo, e no governo José Sarney”, destacou o especialista.

Fluxo comercial

O fluxo comercial entre os países, desde o fim do tráfico de escravos, sempre foi residual. A partir do primeiro governo Lula, ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão, chegando ao ápice de US$ 4 bilhões em 2008, com uma queda grande a partir de 2015 (US$ 0,67 bilhão).

Atualmente, Angola representa o destino de apenas 0,2% do total exportado pelo Brasil, sendo apenas 0,4% das nossas importações, segundo dados de 2024.

A professora de relações internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Elga Lessa de Almeida explicou que a relação comercial entre os dois países nas últimas décadas esteve pautada pelas oscilações do mercado de petróleo.

“Quando você pega o gráfico do preço do petróleo, ele vai fazer o movimento igualzinho. É uma relação comercial muito dependente do petróleo porque essa é a principal riqueza de Angola, que ainda é muito dependente do petróleo”, explicou a especialista.

As exportações de Angola para o Brasil são formadas por óleos brutos de petróleo (94%) e óleos combustíveis de petróleo (6,2%), principalmente. Já as exportações brasileiras para o país africano são principalmente de carnes bovinas, suínas e de aves congeladas ou refrigeradas (30%), açúcares e melaços (23%), entre outros.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a queda na corrente comercial entre Brasil e Angola em 2015 pode ser explicada, em grande parte, pelas crises econômicas enfrentadas por ambos os países à época, acompanhadas pela queda no preço do petróleo no período.

“Isso pode ter impactado a capacidade de importação de Angola. Já o crescimento de 143% entre 2021 e 2022 pode ser atribuído à recuperação econômica pós-pandemia, com retomada da demanda global e regional”, informou, em nota, a pasta.

O MDIC espera que o volume de comércio entre Brasil e Angola continue a se expandir nos próximos anos. “Entre os principais desafios estão questões estruturais, como a limitação da capacidade de pagamento e financiamento por parte dos importadores angolanos, além de barreiras logísticas e operacionais”, informou o ministério.

Lava Jato e China

A queda no fluxo comercial entre Brasil e Angola a partir de 2015 esteve vinculada à baixa nos preços do petróleo naquele período – o que jogou também a Venezuela em crise –, além das repercussões da Lava Jato nas construtoras brasileiras e da expansão da influência econômica da China no continente africano.

O professor Gilberto da Silva Guizelin destacou que houve certo afastamento político e diplomático com a África a partir do governo de Dilma Rousseff, que deu maior atenção ao Brics.

“Além de ser um reflexo desse esfriamento político, é um reflexo da campanha da Lava Jato, porque a Odebrecht, a Andrade Gutierrez, todas essas construtoras, vão ser envolvidas na investigação da Lava Jato, e os acordos que elas tinham com Angola vão ser listados nesses processos. A Odebrecht vai chegar a pedir falência”, lembrou.

O historiador explicou que as construtoras brasileiras precisavam do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para operar no exterior. Com a Lava Jato, parte desse financiamento foi cortada.

Em 2015, o BNDES suspendeu os desembolsos para exportações de bens e serviços de engenharia de construtoras brasileiras. Dos contratos suspensos, quatro eram em Angola e somavam US$ 808 milhões.

O BNDES explicou à Agência Brasil que oferece linhas de crédito à exportação para Angola desde 2005, tendo sido realizadas 91 operações de apoio a 11 exportadores ao longo de 14 anos, somando R$ 3,4 bilhões. O último desembolso realizado foi em 2015.

“Vale lembrar que todos os desembolsos do BNDES são realizados no Brasil, em reais, para os exportadores brasileiros, contribuindo para a geração de emprego, renda e divisas para os brasileiros. É importante destacar que Angola nunca esteve inadimplente com o BNDES e liquidou sua dívida integral e antecipadamente em 2019”, ressaltou a instituição financeira.

Somada ao fim ou à suspensão dos financiamentos, a entrada da China na África a partir de 2010 tomou espaço das empresas brasileiras, oferecendo empréstimos e levando suas companhias de construção civil, como destacou o o professor Guizelin.

“Para você ter uma ideia, Angola vai sediar uma Copa das Nações Africanas, e todos os estádios criados para sediar essa Copa em Angola foram construídos por construtoras chinesas. Todos. As construtoras chinesas são financiadas pelo próprio Estado chinês”, informou.

Petróleo

Existe certa dificuldade em diversificar essa pauta devido às limitações das economias de ambos os países, avalia ainda a professora Elga Lessa, que também leciona na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

“A gente tem essa limitação de comércio. Nos governos Temer e Bolsonaro, houve redução de investimentos da Petrobras na África e parte desses investimentos era em Angola”, acrescentou.

Segundo a especialista, havia uma grande expectativa de cooperação com a Petrobras uma vez que Angola também encontrou petróleo no pré-sal de sua costa marítima. “Eles tinham muita expectativa dessa parceria, dessa cooperação, em relação a essa exploração. E aí, a Petrobras sai e retira investimentos”, completou Elga.

Na visita do presidente angolano ao Brasil, no mês passado, foi assinado um memorando de entendimento de pesquisa e desenvolvimento entre a Petrobras e a Sonagol, a estatal angolana do setor.

Lula defendeu a retomada das atividades da petroleira brasileira na costa de Angola. “É importante que a Petrobras volte a ter uma participação ativa na prospecção, na pesquisa de combustível fóssil e também de petróleo e também de gás. Nós estamos modernizando os instrumentos de garantia de crédito às exportações”, disse.

Agricultura

Outra frente da reaproximação do Brasil com Angola é no setor da agricultura, por meio de transferência de tecnologia e apoio à irrigação para o desenvolvimento do setor no país africano que tem áreas semiáridas na parte sul do território, com memorando de entendimento assinado nessa área.

“Estamos desenvolvendo um programa no Vale do Cunene [região semiárida] que será um novo paradigma na nossa cooperação com a África. Em vez de iniciativas pontuais e isoladas, o programa vai reunir 25 ações que se complementam, todas com o objetivo de promover o desenvolvimento agrícola dessa região”, afirmou Lula, em Luanda.

O professora Elga Lessa lembrou que a cooperação via agricultura com Angola é um projeto que vem desde os primeiros mandatos do governo Lula. “A ideia era exportar o modelo de negócio do agro brasileiro para Angola. Mas não teve, a época, os resultados esperados”, comentou.

Segundo a especialista, o setor agrícola de Angola entrou em decadência. “Durante muito tempo, se esqueceu desses setores porque a economia ficou toda centrada no petróleo. Agora, eles estão querendo retomar o desenvolvimento agrícola”, acrescentou.

Fonte: Agência Brasil

Ataques aéreos de Israel matam 45 pessoas em Gaza

O Exército de Israel recuperou o corpo de um refém tailandês que estava preso na Faixa de Gaza desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, disse o ministro da Defesa do país, Israel Katz, nesta sábado (7), enquanto ataques aéreos israelenses mataram 45 pessoas, de acordo com médicos locais.

O corpo de Nattapong Pinta foi mantido pelo grupo militante palestino Brigadas Mujahedeen e recuperado na área de Rafah, no sul de Gaza, disse Katz. Sua família na Tailândia foi notificada.

Pinta, um trabalhador agrícola, foi sequestrado no kibutz Nir Oz, uma pequena comunidade israelense perto da fronteira de Gaza, onde 25% da população foram mortos ou feitos reféns durante o ataque do Hamas que desencadeou a guerra devastadora em Gaza.

A Fundação Humanitária de Gaza (GHF), grupo de ajuda apoiado pelos Estados Unidos e por Israel, informou neste sábado que não conseguiu distribuir assistência aos civis palestinos, culpando as ameaças do Hamas, que o grupo islâmico negou.

Militares israelenses disseram que Pinta foi levado vivo e morto por seus sequestradores, que também mataram e levaram para Gaza os corpos de mais dois reféns israelenses-americanos que foram recuperados nesta semana.

Não houve nenhum comentário imediato das Brigadas Mujahedeen, que anteriormente negaram ter matado seus prisioneiros, ou do Hamas. Os militares israelenses disseram que as Brigadas ainda mantinham o corpo de outro cidadão estrangeiro. Acredita-se que apenas 20 dos 55 reféns restantes ainda estejam vivos.

As Brigadas Mujahedeen também mantiveram e mataram a refém israelense Shiri Bibas e seus dois filhos pequenos, de acordo com as autoridades israelenses. Seus corpos foram devolvidos durante um cessar-fogo de dois meses, que entrou em colapso em março, depois que os dois lados não chegaram a um acordo sobre os termos para estendê-lo a uma segunda fase.

Desde então, Israel tem expandido sua ofensiva por toda a Faixa de Gaza, enquanto os esforços liderados pelos Estados Unidos, o Catar e o Egito para garantir outro cessar-fogo têm fracassado.

Médicos em Gaza disseram que 45 pessoas no total foram mortas em ataques aéreos israelenses no enclave neste sábado.

Pelo menos 15 palestinos foram mortos e 50 ficaram feridos por ataques aéreos no distrito de Sabra, na cidade de Gaza, no norte do enclave, informaram autoridades de saúde locais.

Mais de um míssil caiu na área. O alvo parece ter sido um prédio residencial de vários andares, mas a explosão danificou várias outras casas próximas, de acordo com testemunhas e a imprensa.

O Exército israelense não comentou imediatamente. Posteriormente, alertou as pessoas para deixarem o distrito vizinho de Jabalia, dizendo que iria atacar lá depois que foguetes foram lançados por militantes nas proximidades.

Autoridades de saúde palestinas afirmaram que os hospitais de Gaza só têm combustível para mais três dias e que Israel está negando o acesso de agências internacionais de ajuda humanitária às áreas onde estão localizados os depósitos de combustível destinados às unidades hospitalares.

Não houve resposta imediata dos militares israelenses ou da Cogat, a agência de defesa israelense que coordena as questões humanitárias com os palestinos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem alertado que a maioria dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza correm o risco de passar fome após um bloqueio israelense de 11 semanas, com a taxa de crianças que sofrem de desnutrição aguda quase triplicando.

A distribuição de ajuda foi interrompida na sexta-feira, depois que a GHF disse que a superlotação havia tornado insegura a continuidade das operações e que não poderia distribuir nenhuma ajuda humanitária neste sábado porque o Hamas havia feito “ameaças diretas” contra suas operações.

Uma autoridade do Hamas disse à Reuters que não tinha conhecimento dessas “supostas ameaças”.

Fonte: Agência Brasil

Trump diz que Musk enfrentará “consequências sérias” se financiar democratas

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse neste sábado (7) que haverá “consequências sérias” se Elon Musk financiar candidatos democratas que concorram contra republicanos que votaram a favor de seu projeto de lei de corte de impostos. Acrescentou que seu relacionamento com o doador bilionário acabou.

Em entrevista por telefone à NBC News, Trump se recusou a dizer quais serão essas consequências e afirmou que não havia discutido sobre a possibilidade de investigar Musk.

Questionado se acha que seu relacionamento com o presidente da Tesla e da SpaceX havia terminado, Trump disse: “Presumo que sim”.

“Não”, disse Trump à NBC quando lhe perguntaram se tinha algum desejo de reparar seu relacionamento com Musk.

Musk e Trump começaram a trocar insultos nesta semana, quando o empresário se opôs ao projeto de lei de Trump, classificando-o como “abominação nojenta”.

A oposição de Musk à legislação está complicando os esforços para aprová-la no Congresso, onde os republicanos têm pequena maioria na Câmara dos Deputados e no Senado.

O projeto de lei foi aprovado por pouco na Câmara no mês passado e agora está no Senado, onde republicanos estão considerando fazer alterações. Analistas independentes estimam que a medida acrescentaria US$ 2,4 trilhões à dívida dos EUA ao longo da próxima década.

Trump disse que está confiante de que o projeto de lei será aprovado até o feriado de 4 de julho, Dia da Independência dos EUA.

“De fato, as pessoas que votariam a favor do projeto agora estão entusiasmadas em votá-lo, e esperamos que seja aprovado”, afirmou Trump à NBC.

Musk excluiu algumas publicações nas redes sociais que criticavam Trump, incluindo uma que sinalizava apoio ao impeachment do presidente, parecendo buscar um alívio da briga pública.

Nessa sexta-feira, o presidente americano sugeriu uma revisão dos contratos do governo federal com empresas de Musk. Pessoas que conversaram com o empresário disseram que sua raiva começou a diminuir e acham que ele vai querer restabelecer seu relacionamento com Trump.

Fonte: Agência Brasil

Ministro determina suspensão da greve de auditores da Receita

O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a suspensão imediata da greve dos auditores da Receita Federal. A categoria está parada desde novembro.

Gonçalves também ordenou o fim das operações-padrão, em que os auditores fazem fiscalização mais lenta de cargas e de bagagens. O ministro impôs ainda multa diária de R$ 500 mil ao Sindicato dos Auditores da Receita Federal (Sindifisco) em caso de descumprimento da decisão.

Na decisão, Gonçalves ressaltou que, apesar de a Constituição garantir o direito de greve de servidores públicos, também preserva o interesse público, garantindo a continuidade de serviços essenciais. Segundo o magistrado, a legislação determina que as entidades sindicais comuniquem qualquer paralisação aos empregadores e à população com 72 horas de antecedência e que sindicatos, trabalhadores e empregadores preservem serviços indispensáveis durante greves.

Impacto sobre União

O ministro do STJ acatou ação da União, que alegou que a intensificação do movimento grevista nas últimas semanas prejudica a prestação de serviços essenciais. O governo argumentou que a greve afeta a capacidade de arrecadação do Estado, afetando a manutenção da estrutura estatal e o financiamento de políticas públicas.

A União lembrou que a greve interrompeu a apresentação de relatórios mensais de arrecadação, impedindo o próprio governo de ter acesso aos dados de tributação. A ação também mencionou o atraso de 15 dias no fornecimento da declaração pré-preenchida do Imposto de Renda Pessoa Física, que só saiu em 1° de abril.

Ao anunciar o congelamento de R$ 31,3 bilhões no Orçamento, no fim de maio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que parte da queda de R$ 41,7 bilhões na previsão de receitas líquidas em relação ao Orçamento original deve-se à greve dos auditores da Receita.

“Esse volume de contingenciamento se deve ao fato de que ocorreram algumas circunstâncias posteriores ao encaminhamento do Orçamento. São fatos que precisam ser avaliados. O primeiro fato é que não houve a compensação da desoneração da folha, que ficou parada no STF [Supremo Tribunal Federal]. O segundo problema é a paralisação parcial da Receita Federal, que afeta o desempenho da arrecadação”, explicou Haddad.

Paralisação recorde

Esta é a greve mais longa da história da Receita Federal. Parados desde 24 de novembro, os auditores fiscais pedem reajuste salarial para repor perdas desde 2016.

A categoria também reivindica o pagamento integral do bônus de eficiência, um adicional pelo desempenho da arrecadação e da fiscalização, cujo valor foi recentemente alterado pelo governo. O último aumento recebido pelos auditores da Receita foi em 2023, quando o governo concedeu reajuste linear de 9% ao funcionalismo federal.

Até o fechamento desta matéria, o Sindifisco não se manifestou.

Fonte: Agência Brasil

Moraes converte prisão de Carla Zambelli de preventiva para definitiva

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou neste sábado (7) que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) comece a cumprir, de forma definitiva, a pena de 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro converteu, de preventiva para definitiva, a prisão da parlamentar.

Moraes também notificou a perda de mandato da deputada. O magistrado determinou que o STF envie à Câmara dos Deputados a documentação do julgamento, para que a Mesa Diretora da Casa declare a extinção do mandato de Zambelli.

Na decisão, publicada na tarde deste sábado, o ministro ordenou ainda que a Secretaria Judiciária do STF encaminhe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública os documentos necessários para pedir a extradição da deputada.

Na sexta-feira (6), a Primeira Turma do STF, por unanimidade, formou maioria para manter a condenação da parlamentar e do hacker Walter Delgatti Netto.

A decisão de Moraes, na prática, reforça o trânsito em julgado (quando não cabem mais recursos) da condenação de Zambelli, que buscava recorrer da sentença de 10 anos de prisão, inelegibilidade e pagamento de multa de R$ 2 milhões. Com a decisão, o cumprimento de pena fica imediatamente certificado, sem a necessidade de esperar a publicação do acórdão (decisão colegiada) sobre o caso.

Condenação

Há quase um mês, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Zambelli a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Zambelli foi a autora intelectual da invasão e procurou Delgatti para executar o crime, com objetivo de inserir nos sistemas do CNJ um mandado de prisão falso e em aberto contra Moraes, entre outras manipulações ilegais.

O PGR relacionou os crimes à incitação de atos antidemocráticos e escreveu que eles foram cometidos visando a obtenção de “vantagem midiática e política” e “com o fim de prejudicar a credibilidade e o regular funcionamento do Poder Judiciário”.

Na ocasião, todos os ministros da Primeira Turma seguiram o voto do relator, Moraes, que considerou Zambelli e Delgatti culpados pela prática dos crimes de invasão de dispositivos informáticos e falsidade ideológica.

Porte de arma

Carla Zambelli responde a outro processo criminal no STF. Em agosto de 2023, ela virou ré no Supremo pelo episódio em que sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

A perseguição começou após Zambelli e Luan trocarem provocações durante ato político no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Até o momento, o Supremo registrou placar de 6 votos a 0 para condenar a parlamentar a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto. No entanto, um pedido de vista do ministro Nunes Marques adiou a conclusão do julgamento.

Fuga

Duas semanas após ser condenada a 10 anos de prisão, a deputada deixou o Brasil para fixar residência na Europa.

Em entrevista na terça-feira (3), ela evitou revelar em que país estava, limitando-se a dizer que escolheu a Europa por já ter cidadania italiana e, por isso, não poder ser mandada de volta ao Brasil.

Zambelli foi incluída na lista de procurados pela Interpol, agência internacional que facilita a cooperação entre polícias de diferentes países, e pode ser presa fora do Brasil.

Fonte: Agência Brasil

Queimadas fazem desmatamento crescer 92% na Amazônia em maio

O desmatamento na Amazônia, em maio de 2025, alcançou 960 km², o que representa uma alta de 92% em relação ao mesmo mês de 2024. O aumento está diretamente ligado às mudanças climáticas e aos incêndios ocorridos nos meses anteriores, mas que só são percebidos algum tempo depois, quando a vegetação seca, de acordo com o ministro em exercício do Meio Ambiente e Mudança, João Paulo Capobianco.

“Esse incêndio florestal de grandes proporções, relacionado a uma alteração climática, não é um desmatamento ocorrido em maio. Ele é uma floresta incendiada a tal ponto que chega agora como uma floresta colapsada”, explica.

Na análise do período acumulado, de agosto de 2024 a maio de 2025, essa alta foi de 9,1% na comparação com os mesmos meses no ano anterior.

Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e foram apresentados nesta sexta-feira (6), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília.

No detalhamento dos dados, 51% do desmatamento decorrem de incêndios florestais, 48% de corte raso e 1% de mineração.

Incêndios

Nos últimos cinco anos, os focos de incêndio em vegetação nativa se mantinham na média de 10%.

Em 2024, esse índice subiu para 13,5%. Nos primeiros meses de 2025, 23,7% dos focos de incêndio no país atingiram vegetação nativa. 

Segundo Capobianco, o dado nunca foi evidenciado porque, em anos anteriores, o desmatamento decorrente de incêndio florestal representava percentuais muito inferiores.

“Nós estamos incorporando [informações] no próprio Deter, que é um sistema feito para ser em tempo real, porque normalmente esses dados apareciam apenas no Prodes [Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite]”, destaca.

No Cerrado e no Pantanal, a tendência de queda permaneceu para o mês de maio, com quedas respectivamente de 15% e 65% na comparação entre maio de 2025 e 2024.

No período agregado de agosto de 2024 a maio de 2025, o Cerrado perdeu 4.583 km², representando uma queda de 22% em relação ao mesmo período dos anos anteriores. No Pantanal, de agosto de 2024 a maio de 2025, foram perdidos 267 km², 74% a menos que no mesmo período de anos anteriores.

“Hoje, nós temos a capacidade muito significativa de prever e nos antecipar a desastres. O grande desafio é como vamos organizar as ações, para, com base nessas informações, atuar na prevenção”, diz.

Enfrentamento

O ministro em exercício afirmou, também, que o governo vem trabalhando em um processo de articulação federativa para que o problema seja enfrentado pelo conjunto de atores de todas as instâncias governamentais, iniciativa privada e sociedade organizada.

Capobianco destacou, ainda, ações do governo federal de enfrentamento a incêndios e ao desmatamento, como a aprovação da lei que criou a Política Nacional do Manejo Integrado do Fogo; o investimento de R$ 825 milhões no fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e outros R$ 405 milhões para os bombeiros de municípios na Amazônia, além do Programa União com Municípios.

Fonte: Agência Brasil