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Marco Rubio diz que EUA têm plano de três fases para a Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, revelou que o governo de Donald Trump tem um plano em três etapas para a Venezuela após a queda do presidente Nicolás Maduro, retirado do poder pelos americanos no último sábado (3).

Segundo Rubio, o plano consiste em estabilização, recuperação e transição, nesta ordem.

“O primeiro passo é a estabilização do país. Nós não queremos que tudo descambe para o caos. Vamos pegar todo o petróleo que está na Venezuela, que eles não podem mexer por causa das nossas sanções. Vamos tomar em torno de 30 a 50 milhões de barris de petróleo e venderemos no mercado pelo preço que valem e não com os descontos que a Venezuela tinha.”

Segundo o secretário, o dinheiro levantado com a venda do petróleo venezuelano será controlado pelos Estados Unidos. “Nós vamos determinar que esse recurso seja usado para benefício do povo venezuelano e não vá para a corrupção ou para o regime.”

A segunda fase, que é a de recuperação, garantirá que os EUA, o Ocidente e empresas tenham acesso ao mercado venezuelano “de uma maneira que seja justa”. Nesta fase, a intenção do governo norte-americano também é promover a “reconciliação nacional” dentro da Venezuela, anistiando a oposição a Maduro, libertando da prisão as forças contrárias ao chavismo e “reconstruindo a sociedade civil”.

A terceira e última etapa do plano de Rubio é a transição política. O secretário de Estado disse que “no fim [deste processo de transição] a transformação do país vai depender do povo venezuelano”.

Fonte: Agência Brasil

TRE-AM retoma atendimento presencial e orienta eleitores a regularizarem situação eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) retomou, nesta quarta-feira (07/01), o atendimento presencial em sua totalidade, tanto na capital quanto nos Cartórios Eleitorais do interior do estado. Com a aproximação das Eleições Gerais de 2026, todos os serviços eleitorais já estão disponíveis para que os eleitores possam regularizar sua situação junto à Justiça Eleitoral.

Entre os serviços ofertados estão a emissão do título de eleitor, a regularização de pendências e a atualização de dados cadastrais. O prazo final para realizar esses procedimentos é 6 de maio, data em que ocorre o fechamento do cadastro eleitoral, conforme calendário da Justiça Eleitoral.

De acordo com a Lei das Eleições nº 9.504/1997, em seu artigo 91, nos anos eleitorais não é permitida a solicitação de alistamento eleitoral ou transferência de domicílio nos 150 dias que antecedem o pleito, marcado para 4 de outubro de 2026. Durante esse período, o sistema é fechado para que as informações dos eleitores sejam organizadas, garantindo segurança e integridade do processo de votação.

O TRE-AM reforça a orientação para que os eleitores não deixem a regularização para os últimos dias, evitando filas e possíveis contratempos próximos ao encerramento do prazo.

Atendimento ao eleitor

Na capital, o atendimento presencial ocorre no Fórum Eleitoral, localizado na Avenida André Araújo, nº 200, bairro Aleixo, de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h, mediante agendamento prévio, que deve ser realizado pelo site oficial: tre-am.jus.br.

Além do atendimento presencial, diversos serviços continuam disponíveis de forma online, por meio do sistema de Autoatendimento ao Eleitor no site do Tribunal Superior Eleitoral: tse.jus.br, garantindo mais comodidade e agilidade à população.

Foto: Júnior Souza / TRE-AM

Reunião da OEA sobre Venezuela expõe divisão política no continente

Países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) se dividiram nesta terça-feira (6) ao comentar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores. A reunião extraordinária do Conselho Permanente expôs a polarização política no continente.

Durante o encontro, não houve negociações formais, publicação de documentos, nem tomadas de decisão sobre o tema. Membros da OEA e Estados observadores apenas apresentaram manifestações individuais.

Governos da Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador – alinhados aos Estados Unidos – defenderam a intervenção militar em Caracas.

“A Argentina aprecia a determinação demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos e pelo seu governo nas ações adotadas na Venezuela. Confiamos que esses acontecimentos representam um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região”, disse o embaixador da Argentina, Carlos Bernardo Cherniak.

“A paz não se constrói por resoluções ou por decretos, nem por declarações de princípios. Mas com ações decididas e concretas. Nos solidarizamos com as vítimas da Venezuela que sofreram com a ditadura que, esperamos, chegue ao fim”, disse a embaixadora do Equador, Mónica Palencia.

Já os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras foram contrários à ação estadunidense, defenderam a preservação da soberania dos países e a busca de soluções diplomáticas e multilaterais para a crise venezuelana.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com precedente extremamente perigoso”, disse o embaixador brasileiro Benoni Belli.

“O que ocorreu foi uma agressão unilateral na Venezuela. Essas lamentáveis ações demandam uma reflexão hemisférica responsável, apegada ao direito internacional e orientada à preservação da democracia, paz e estabilidade na região”, disse o embaixador do México, Alejandro Encinas.

Venezuela sem representante

Apesar de constar como membro oficial da OEA, a Venezuela não teve direito à nenhuma manifestação oficial durante a reunião extraordinária desta terça-feira, ao contrário do que ocorreu no dia anterior, nas Nações Unidas (ONU). A relação entre OEA e Venezuela tem sido de conflitos na última década, e o país vive um limbo institucional dentro da organização, sem participar de debates e deliberações.

Em 2017, o governo de Nicolás Maduro anunciou a saída da organização, em resposta às acusações que sofria de outros países-membros de que seria um ditador e teria provocado uma ruptura democrática no país.

Depois das eleições presidenciais de 2018, contestada por parte da comunidade internacional, a OEA parou de reconhecer o mandato de Maduro e decidiu aceitar no Conselho Permanente um representante indicado por Juan Guaidó, então líder da Assembleia Nacional e autodeclarado vencedor das eleições presidenciais. Na sequência, com o enfraquecimento da oposição venezuelana, nenhum novo representante foi reconhecido pela organização.

Na declaração oficial desta terça-feira, o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou comentar diretamente a ação dos EUA na Venezuela. Em vez de se posicionar contrário ou favorável, elogiou os argumentos de todos os países e a importância do multilateralismo na região.

Ao mesmo tempo em que falou sobre a responsabilidade dos países-membros em obedecer ao direito internacional, os princípios de soberania, não-intervenção e ordem constitucional – o que pode ser lido como crítica aos Estados Unidos –, manifestou apoio à transição democrática na Venezuela – o que pode ser como crítica à liderança de Maduro.

“Uma Venezuela democrática estável é boa para o seu povo e boa para todo o hemisfério”, disse Ramdin.

“Podemos apoiar uma transição democrática em profundidade, fortalecendo as instituições, apoiando reformas institucionais, auxiliando na preparação eleitoral, desenvolvendo capacidades, observando o processo eleitoral e muito mais”, complementou.

China x Estados Unidos

A reunião desta terça-feira também teve novo capítulo na disputa entre Estados Unidos e China por maior influência na região. O embaixador estadunidense Leandro Rizzuto citou o governo de Pequim como um dos rivais do Hemisfério Ocidental que querem, segundo ele, controlar recursos naturais da Venezuela.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub [polo] de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata.

A representante da China, cujo nome não foi divulgado durante a transmissão do encontro da OEA, rebateu as acusações do governo estadunidense. Disse que elas eram “desnecessárias, injustificadas e falsas”, e que o país expressava insatisfação e oposição a elas.

“Em vez de fabricar informações e criticar, os Estados Unidos deveriam refletir sobre sua ação arbitrária. O uso da força contra um Estado soberano e seu líder viola gravemente o direito internacional, atenta contra a soberania do país e ameaça a paz e a segurança na região”, disse a chinesa.

“A cooperação entre a China e a Venezuela se dá entre Estados soberanos e com base nas leis e regulamentos de ambos os países”, complementou.

Fonte: Agência Brasil

Governo projeta superávit comercial de até US$ 90 bilhões em 2026

O Brasil deve terminar 2026 com superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a previsão indica um resultado superior ao registrado em 2025, quando a balança comercial brasileira fechou com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.

Apesar do superávit elevado, o resultado do ano passado representou uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.

Para 2026, o Mdic estima exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. As importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. Com isso, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) pode alcançar entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.

Superação de expectativas

O superávit de 2025 ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam cerca de US$ 65 bilhões, e é considerado o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas dos saldos registrados em 2023 e 2024.

As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.

Fonte: Agência Brasil

Brasil mantém otimismo com acordo Mercosul–UE, diz Alckmin

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia está bem encaminhado, disse nesta terça-feira (6) o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Segundo ele, o governo brasileiro mantém uma postura otimista sobre a conclusão das negociações.

“O próximo acordo, fruto de um longo trabalho, mais de duas décadas, é Mercosul–UE. Está bem encaminhado. Quero reiterar que nós estamos otimistas e é muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, disse Alckmin em entrevista para anunciar o resultado da balança comercial brasileira de 2025.

Adiamento

A assinatura do tratado estava prevista para dezembro, durante a cúpula do Mercosul, mas acabou adiada diante da falta de consenso entre os países europeus. As principais resistências partiram de uma ala conservadora da Itália e, sobretudo, de agricultores da França, que pressionaram seus governos contra o avanço do acordo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou recentemente que a França não apoiará o tratado sem a inclusão de novas salvaguardas para proteger os produtores rurais do país. Atualmente, a França é o principal foco de oposição ao acordo dentro da União Europeia.

Apesar das dificuldades, a Comissão Europeia informou na segunda-feira (5) que houve avanço nas negociações para viabilizar a aprovação do tratado. Mesmo assim, não há confirmação oficial para a assinatura.

Mesmo após a eventual assinatura, o acordo precisará cumprir uma série de etapas formais. No Brasil, o texto deverá passar pelos trâmites internos do Executivo e do Legislativo, incluindo análise e votação no Congresso Nacional. Na Europa, será necessário o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros da União Europeia.

Importância estratégica

Em entrevista após a divulgação dos dados da balança comercial de 2025, Alckmin reforçou a importância estratégica do acordo em um cenário internacional marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e avanço do protecionismo. Segundo ele, o tratado Mercosul–UE tende a se tornar o maior acordo comercial do mundo, fortalecendo o multilateralismo e o livre comércio.

O vice-presidente destacou ainda que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação. Além do acordo com a União Europeia, o governo trabalha para avançar em novas parcerias em 2026, como o tratado entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos e a ampliação de preferências tarifárias com Índia, México e Canadá.

Ao comentar o desempenho do comércio exterior, Alckmin ressaltou que as exportações brasileiras cresceram 5,7% em 2025, mais que o dobro da projeção de crescimento do comércio global, estimada em 2,4% pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele também destacou a Argentina como o país com maior expansão nas compras de produtos brasileiros no ano passado, com alta de 31,4%, impulsionada principalmente pelo setor automotivo.

Fonte: Agência Brasil

Moraes nega ida de Bolsonaro a hospital e exige laudo médico

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, nesta terça-feira (6), a remoção do ex-presidente Jair Bolsonaro para atendimento hospitalar em função de uma queda que ele teve na última madrugada. Ele está preso em uma cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF).

Moraes se baseou, segundo seu despacho, na avaliação da equipe da Polícia Federal.

“O médico da Polícia Federal constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação”, apontou Moraes no despacho. 

Por isso, o ministro escreveu, na decisão, que não haveria “nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital”.

Ele acrescentou que a defesa de Bolsonaro, entretanto, foi aconselhada pelo médico particular que o ex-presidente teria direito a fazer exames, “desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade”. 

Ainda no despacho, o ministro determinou que a defesa indique quais os exames necessários para que “se verifique a possibilidade de realização no sistema penitenciário”.

A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, fez postagem no Instagram indicando que o marido teve uma “crise”.

“Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise, caiu e bateu a cabeça no móvel”.

A ex-primeira-dama lamentou ainda que o atendimento só ocorreu pela manhã desta terça, quando Bolsonaro foi chamado para a visita, às 9h. Essa demora, segundo ela, ocorreu porque o quarto “permanece fechado”. 

Ainda sobre o incidente, Michelle acrescentou que Bolsonaro não se recordava “quanto tempo ficou desacordado” e que seriam necessários exames para verificar eventual “trauma ou possível dano neurológico”. 

Para a imprensa, o médico Cláudio Birolini, que atende o ex-presidente, disse que Bolsonaro teve um “traumatismo leve”.

Fonte: Agência Brasil

EUA recuam em acusar Maduro de liderar suposto Cartel de Los Soles

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) recuou em acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o suposto Cartel de Los Soles. A nova peça da denúncia contra o venezuelano por narcotráfico, apresentada após o sequestro de Maduro pelos EUA, excluiu a acusação feita na peça anterior, apresentada em 2020.

Na primeira denúncia, o termo “Cartel de Los Soles” aparece 33 vezes e Maduro é apontado como líder dessa suposta organização.

“Nicolas Maduro Moros, o réu, ajudou a administrar e, por fim, a liderar o Cartel de Los Soles à medida que ganhava poder na Venezuela”, dizia a denúncia, apresentada ainda no primeiro mandato de Trump.

Na nova peça do Departamento de Justiça, apresentada nesta semana, o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Maduro em relação ao suposto cartel.

“Nicolas Maduro Moros, o réu – assim como o ex-presidente Chávez antes dele – participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual poderosas elites venezuelanas se enriquecem com o tráfico de drogas e a proteção de seus parceiros traficantes”, diz o texto.

A peça do Departamento de Justiça dos EUA afirma, em seguida, que os lucros dessa atividade foram para funcionários corruptos.

“[Esses funcionários] operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como o Cartel de Los Soles ou Cartel dos Sóis, uma referência à insígnia do sol afixada nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente”, diz o documento oficial de Washington.

A mudança na linguagem e no teor da acusação do Departamento de Justiça chamou a atenção, uma vez que o suposto cartel foi designado como grupo terrorista pelo governo Trump. A acusação de que Maduro lideraria a organização justificou, no plano discursivo, a invasão da Venezuela.

Especialistas no mercado mundial de drogas vêm rejeitando chamar a Venezuela de narcoestado ou mesmo reconhecer a existência do Cartel de Los Soles.

Não há qualquer menção a esse grupo nas publicações do Escritório para Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas (ONU). O Relatório Anual Sobre Ameaças de Drogas da DEA (Administração de Combate às Drogas) de 2025, do governo dos EUA, também não menciona o suposto cartel venezuelano.

Dificuldade em provar existência do cartel

A consultora sênior da União Europeia para Políticas sobre Drogas na América Latina e Caribe, a advogada Gabriela de Luca, avalia que, ao evitar tratar o cartel como uma organização “real”, o Departamento de Justiça reconhece os limites para provar essa tese.

“Até agora, não emergiram evidências suficientes para caracterizar uma organização criminosa – lacuna apontada por especialistas e, inclusive, por parceiros de inteligência dos próprios EUA”, explicou.

Gabriela destacou que a mudança na denúncia passa a enquadrar Maduro como posicionado no “topo” de um sistema criminoso, tratado como uma aliança de corrupção e tráfico, e não como uma entidade formal com personalidade jurídica, como um cartel.

“Essa escolha fortalece a acusação, uma vez que desloca o foco para condutas individualizadas e comprováveis [narcotráfico, corrupção e associação criminosa] em vez de sustentar um rótulo amplo e conceitualmente frágil de ‘cartel’”, ponderou a consultora.

A advogada disse ainda que a mudança dialoga ainda com as preocupações de especialistas da ONU com o uso indiscriminado do termo cartel, “advertindo que isso poderia justificar medidas amplas de criminalização generalizada do Estado venezuelano, com efeitos colaterais severos sobre uma população já profundamente vulnerabilizada”.

Apesar da mudança, os EUA seguem acusando Maduro de uma série de crimes ligados ao narcotráfico, incluindo relação com narcoguerrilhas colombianas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN), e cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas.

“Maduro Moros e seus cúmplices, durante décadas, fizeram parceria com alguns dos traficantes de drogas e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo, e contaram com a corrupção de funcionários em toda a região, para distribuir toneladas de cocaína para os EUA”, diz a acusação.

Maduro diz que é inocente

Em depoimento à Justiça dos EUA, Maduro disse que é inocente e se classificou como um prisioneiro de guerra após ser sequestrado por militares estadunidenses no último sábado (3).

O governo de Caracas acusa Washington de criar a acusação de narcotraficante contra lideranças do país para justificar a intervenção na Venezuela com objetivo de controlar as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Trump tem exigido ao novo governo de Delcy Rodríguez, que tomou posse na terça-feira (6) como presidente interina, acesso aos campos de óleo do país.

Em reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, admitiu que o petróleo do país sul-americano não pode ficar nas mãos de “adversários” do Hemisfério Ocidental.

“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se transforme em um hub de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de adversários do Hemisfério Ocidental”, disse o diplomata na terça.

Fonte: Agência Brasil

Com tarifaço de Trump, exportações para EUA caem 6,6% em 2025

Em um ano marcado pelo tarifaço do governo Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, somando US$ 37,716 bilhões, ante US$ 40,368 bilhões registrados em 2024. No sentido oposto, as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,3% no ano passado, alcançando US$ 45,246 bilhões, contra US$ 40,652 bilhões no ano anterior.

Com a queda das exportações e a alta das importações, o Brasil encerrou 2025 com déficit de US$ 7,530 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos. Os números foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O resultado reflete os efeitos do tarifaço imposto pelo governo do presidente Donald Trump. Em novembro, o mandatário norte-americano anunciou a retirada da tarifa adicional de 40% aplicada a uma série de produtos brasileiros. Ainda assim, conforme cálculos do próprio Mdic, 22% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 8,9 bilhões, continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho.

Nesse grupo estão tanto produtos que pagam apenas a sobretaxa de 40% quanto aqueles que acumulam a tarifa extra com a taxa-base de 10%. Outros 15% das exportações, o equivalente a US$ 6,2 bilhões, seguem sujeitos apenas à tarifa de 10%.

Um total de 27%, cerca de US$ 10,9 bilhões, são atingidos pelas tarifas da Seção 232, que incidem sobre importações que os Estados Unidos consideram como ameaça à segurança nacional. Apenas 36% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano estão livres de encargos adicionais.

Dezembro

Mesmo após a retirada parcial das tarifas, as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 7,2% em dezembro, totalizando US$ 3,449 bilhões, frente a US$ 3,717 bilhões no mesmo mês de 2024. Foi a quinta queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano desde a imposição da sobretaxa de 50% anunciada em julho pelo governo Trump.

As importações de produtos estadunidenses, por sua vez, recuaram 1,5% em dezembro na comparação anual.

Negociações

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a estratégia de negociação e diálogo com Washington. Segundo ele, as conversas já resultaram na redução do número de produtos atingidos pelo tarifaço. 

“O trabalho de redução continua”, afirmou.

Alckmin também destacou que o governo busca melhorar as condições para os 22% da pauta exportadora ainda afetados pelas tarifas. Ele destacou as boas relações entre Lula e Trump.

“Em relação à questão comercial, o presidente Lula tem um bom relacionamento com o presidente Trump e pode avançar ainda mais. Podemos ter um ganha-ganha, tanto na questão tarifária, como não tarifária, em terras raras, datacenters. Podemos ter a aprovação da Redata [regime especial para centros de dados], que estimula investimentos. O Brasil tem energia abundante e renovável”, acrescentou Alckmin.

China e União Europeia

Enquanto as vendas aos Estados Unidos recuaram, o comércio brasileiro com outros parceiros avançou em 2025. As exportações para a China cresceram 6%, totalizando US$ 100,021 bilhões, ante US$ 94,372 bilhões em 2024. As importações de produtos chineses subiram 11,5%, para US$ 70,930 bilhões, resultando em superávit de US$ 29,091 bilhões para o Brasil.

Já as exportações para a União Europeia aumentaram 3,2% no ano passado, somando US$ 49,810 bilhões. As importações do bloco cresceram 6,4%, para US$ 50,290 bilhões, o que gerou déficit de US$ 480 milhões. Apenas em dezembro, mês marcado pelo adiamento da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, as exportações brasileiras ao bloco avançaram 39% na comparação com o mesmo mês de 2024.

Fonte: Agência Brasil

Após fala de Trump, Petro diz que pegará em armas se necessário

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse nesta segunda-feira (5) que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país. O mandatário ressaltou ainda que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”. 

As declarações, escritas no X, foram dadas em resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, neste domingo (4), ameaçou armar uma operação militar contra a Colômbia.    

“Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse Petro, que participou do movimento de guerrilha M19 (Movimento 19 de Abril), nos anos 1980. 

O presidente da Colômbia afirmou ainda que os comandantes da força pública que não defendam a soberania popular deverão deixar a corporação.

“Cada soldado da Colômbia tem agora uma ordem: todo comandante da força pública que preferir a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia deve se retirar imediatamente da instituição, por ordem das bases, da tropa e minha. A Constituição ordena à força pública que defenda a soberania popular”.

O presidente acrescentou que a ordem à força pública é não atirar contra o povo, mas sim contra o invasor.

Petro listou uma série de ações do seu governo contra a produção e o tráfico de drogas e destacou que foi eleito democraticamente e não tem envolvimento com o narcotráfico. “Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Só possuo minha casa de família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram publicados. Ninguém pôde dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ambicioso”.  

“Tenho enorme confiança no meu povo, e por isso pedi que o povo defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele”, acrescentou.

Ontem, Trump ameaçou deflagrar uma ação militar contra a Colômbia, disse que o país está doente e é administrado por um homem doente. O presidente dos EUA acusou, sem provas, o presidente Petro de gostar de produzir cocaína e de vender a droga aos Estados Unidos. 

As afirmações foram feitas após os Estados Unidos sequestrarem o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação no sábado (3), e o levarem para Nova York para ser julgado.

Fonte: Agência Brasil

Embaixador do Brasil na ONU: fins não justificam os meios na Venezuela

Em reunião do Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas (ONU), o embaixador do Brasil Sérgio Danese disse, nesta segunda (5), que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificariam os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, no último sábado (4). 

Para ele, não é admissível justificar o uso da força ou a derrubada ilegal de um governo em função da exploração de recursos naturais ou econômicos.

“Esse raciocínio carece de legitimidade e abre caminho para conceder aos poderosos o direito de definir o que é justo ou injusto, certo ou errado, e até mesmo de desconsiderar a soberania nacional, impondo decisões que os fracos devem tomar.” 

Soluções

No discurso, Danese ressaltou que o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela esteja na criação de protetorados naquele país. “Mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos limites de sua Constituição”, afirmou. 

Para o embaixador, cabe ao Conselho de Segurança reagir com “determinação, clareza e respeito pelo direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito”.

Precedente perigoso

Sérgio Danese disse ainda que houve violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional e que esses atos estabelecem um precedente “extremamente perigoso” para toda a comunidade internacional, confirmando posicionamento divulgado pelo governo brasileiro no último dia 3.

O embaixador brasileiro reiterou que ações como essa realizadas pelos Estados Unidos ameaçam o mundo com violência, desordem e erosão do multilateralismo. Segundo considera, essas decisões podem prejudicar o direito e as instituições internacionais. 

Para Danese, há evidentes efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais com a ampliação dos conflitos armados. 

“Como o Brasil já afirmou diversas vezes, as normas que regem a convivência entre os Estados são obrigatórias e universais”. 

Alarmante

“A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível”, ponderou o embaixador brasileiro. Ele assinalou, ainda no discurso, que a situação é inédita e é “profundamente alarmante”.

Para Danese, os eventos de 3 de janeiro transcendem a esfera regional:

“Um ataque à soberania de qualquer país, independentemente da orientação do seu governo, afeta toda a comunidade internacional.”

Fonte: Agência Brasil