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Por decisão de Dino, CGU deverá fazer auditoria nas emendas PIX

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (1°/8) determinar que as emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento da União devem seguir critérios de transparência e de rastreabilidade. As emendas são conhecidas como “emendas Pix”.

Pela decisão, a Controladoria-Geral da União (CGU) deverá realizar uma auditoria nos repasses no prazo de 90 dias. Além disso, o Poder Executivo só poderá liberar os pagamentos das emendas após os parlamentares inserirem no Portal Transferegov, site do governo federal, as informações sobre as transferências, como dados envolvendo plano de trabalho, estimativa de recursos e prazo para a execução dos valores.

No caso de “emendas PIX” que tratam de verbas para a saúde, os valores só poderão ser executados após parecer favorável das instâncias competentes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A decisão do ministro foi motivada por uma ação protocolada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Para a entidade, esse tipo de emenda individual permite o repasse de recursos sem a vinculação de projetos específicos, caindo direto no caixa do recebedor e impedindo a fiscalização dos órgãos de controle.

Ao analisar o caso, Flávio Dino entendeu que os argumentos demonstrados pela entidade mostram insuficiência de mecanismos de transparência do atual modelo de repasses das emendas. 

“Nesse sentido, deve-se compreender que a transparência requer a ampla divulgação das contas públicas, a fim de assegurar o controle institucional e social do orçamento público”, afirmou Dino. 

Orçamento secreto

Mais cedo, Flávio Dino também determinou a adoção de regras para indicação de recursos públicos por meio das emendas parlamentares RP9, conhecidas como “Orçamento Secreto”. As medidas foram determinadas após audiência de conciliação realizada hoje com representantes do Congresso.

Pela decisão do ministro, as emendas só poderão ser pagas pelo Poder Executivo mediante total transparência sobre sua rastreabilidade. Dino também entendeu que as organizações não-governamentais (ONGs) deverão seguir as mesmas regras quando atuarem como executoras das emendas.

O entendimento do ministro também determina que a Controladoria-Geral da União (CGU) realize uma auditoria de todos os repasses realizados pelos parlamentares por meio das emendas do “orçamento secreto”. 

Em dezembro de 2022, o STF entendeu que as emendas chamadas de RP9 são inconstitucionais. Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução que mudou as regras de distribuição de recursos por emendas de relator para cumprir a determinação da Corte. No entanto, o PSOL, partido que entrou com a ação, apontou que a decisão continua em descumprimento. 

Fonte: Agência Brasil

Eletrobras e União pedem prorrogação de conciliação ao STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Eletrobras pediram nesta quinta-feira (1°/8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação da conciliação sobre a participação do governo federal na companhia. Em petição enviada ao ministro Nunes Marques, relator do caso, a AGU e a empresa solicitam a extensão das negociações por mais 45 dias.

Na petição, o governo e os representantes da Eletrobras afirmam que as negociações estão em fase conclusiva, mas é necessário mais tempo para o encerramento das discussões.

“É necessário reconhecer que a complexidade intrínseca do caso exige a discussão e a finalização minuciosa de alguns pontos cruciais. Tal cuidado é essencial para garantir a segurança jurídica, assegurando que todas as questões sejam resolvidas de maneira abrangente e definitiva, proporcionando estabilidade e confiança para todas as partes envolvidas”, diz o documento.

O caso envolve a constitucionalidade de parte da Lei 14.182/2021, norma que autorizou a privatização da Eletrobras, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro.

No ano passado, a AGU entrou com uma ação no Supremo para requerer a suspensão da norma. Segundo o órgão, o modelo criado pela privatização da companhia reduziu a participação da União nas votações do conselho da empresa.

A lei proibiu que acionista ou grupo de acionistas exerçam poder de voto maior que 10% da quantidade de ações. O objetivo da ação não é reestatizar a Eletrobras, mas resguardar o interesse público e os direitos de propriedade da União, segundo a AGU.

Em dezembro de 2023, o ministro Nunes Marques determinou que a causa deve ser avaliada pela Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Federal (CCAF), em 90 dias. Em abril deste ano, novo prazo de 90 dias foi concedido.

Em fato relevante divulgado ontem (31/7) ao mercado financeiro, a Eletrobras informou que as discussões com o governo federal envolvem a participação da União nos conselhos de Administração e Fiscal da empresa, a antecipação de recursos devidos à conta de desenvolvimento energético e a venda da participação da companhia na Eletronuclear.

A empresa também informou que o acordo final com a AGU será submetido aos conselhos da companhia, conforme determinam o estatuto da empresa e a Lei 6.404, de 1976, conhecida como Lei das S/A.

Fonte: Agência Brasil

STF derruba emenda que liberou benefícios nas eleições de 2022

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (1º/8), em Brasília, derrubar a emenda constitucional – aprovada pelo Congresso durante o governo de Jair Bolsonaro – voltada para turbinar benefícios sociais durante as eleições de 2022. Na época, o caso ficou conhecido como “PEC Kamikaze”.

Por maioria de votos, os ministros entenderam que a emenda é inconstitucional por ter liberado recursos durante ano eleitoral.  Com a decisão, quem recebeu os auxílios não terá que devolver os recursos.

A promulgação foi contestada no Supremo pelo partido Novo. A Emenda Constitucional 123, de 14 de julho de 2022, foi aprovada em meio à campanha eleitoral para criar um estado de emergência decorrente da elevação “extraordinária e imprevisível” dos preços dos combustíveis e dos impactos sociais decorrentes do aumento.

Com a promulgação, Bolsonaro, então candidato à reeleição, conseguiu turbinar os benefícios sociais até o fim daquele ano.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) permitiu ao governo gastar R$ 41 bilhões em despesas adicionais para viabilizar o pagamento de benefícios sociais, o que viabilizou o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 600, auxílio de R$ 1 mil para caminhoneiros, vale-gás e redução da carga tributária de biocombustíveis, além repasses para estados e municípios.

Regras burladas

Ao analisar a matéria, o relator do caso, ministro André Mendonça, rejeitou a ação por entender que os efeitos da emenda terminaram em 31 de dezembro de 2022.

Contudo, o voto do relator foi superado pelos votos da maioria do plenário. O ministro Flávio Dino entendeu que os gastos foram aprovados para burlar as regras eleitorais que não permitem distribuição de benefícios durante o período eleitoral.

“O presidente da República, qualquer que seja ele, tudo pode, e o prefeito do pequeno município vai ser cassado?”, indagou Dino.

O ministro Alexandre de Moraes disse que a emenda teve influência na eleição e é necessária uma intervenção do Judiciário para evitar novas medidas ilegais.

“Naquele período em que foi aprovada a emenda constitucional, a situação do dólar, da inflação e do preço do petróleo era mais favorável do que em 2021, um ano antes. Em que pese os efeitos da guerra na Ucrânia, não houve essa situação emergencial tão diferente que um ano antes”, afirmou.

A divergência foi seguida pelos ministros Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente, Luís Roberto Barroso. Nunes Marques rejeitou a ação por entender que não houve ilegalidades.

Fonte: Agência Brasil

MPAM orienta partidos políticos a não realizarem propaganda eleitoral antecipada em Tefé

Adotando medidas preventivas às vésperas das eleições municipais de 2024, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria Eleitoral da 9ª Zona com sede no município de Tefé, emitiu a recomendação nº02/2024 com orientações ao prefeito e dirigentes municipais para que se abstenham de realizar qualquer propaganda eleitoral que promova pessoas ao público como candidatas antes de 16 de agosto.

A medida levou em consideração a publicação do Calendário Eleitoral de 2024, por meio da resolução nº 23.738 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que menciona a necessidade da garantia de igualdade de condições entre os candidatos envolvidos no processo, limitando a divulgação de nomes de pré-candidatos apenas às convenções partidárias e a comunicação interna dos partidos políticos.

De acordo com o Artigo 36-A da Lei das Eleições, as únicas exceções de divulgação previstas aos pré-candidatos são aquelas consideradas como encontros, seminários ou congressos, realizados em ambiente fechado e custeados pelos partidos, podendo realizar atividades de comunicação intrapartidária como a discussão de políticas públicas, planos de governo firmamento de alianças, conforme as regras gerais de propaganda eleitoral do TSE publicadas em março deste ano – https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2024/Marco/conheca-as-regras-gerais-para-a-divulgacao-de-propaganda-eleitoral.

“O Ministério Público, na defesa do regime democrático e da lisura do pleito, busca atuar preventivamente, contribuindo para que se evitem os atos viciosos das eleições e para que se produzam resultados eleitorais legítimos”, comentou o promotor de Justiça Thiago de Melo Roberto Freire.

Em caso de descumprimento, poderão ser ajuizadas ações como abuso de poder econômico, tendo em vista que são utilizados indevidamente canais de comunicação, bem como a arrecadação e gasto de recursos fora do período legal da legislação, podendo levar o candidato à inelegibilidade e cassação do registro eleitoral com base no artigo 14 § 10 da Constituição Federal.

Outras recomendações eleitorais

Em julho deste ano, o MPAM emitiu recomendações aos partidos políticos de Atalaia do Norte, Amaturá e São Paulo de Olivença, com orientações contra a prática de propagandas eleitorais antecipadas e irregulares, além da verificação de regularidade dos partidos junto ao Tribunal Regional Eleitoral, entre outros pontos.

Foto: Janailton Falcão/Amazonastur

Saúde é destaque no início das atividades plenárias neste segundo semestre na Aleam

Após o recesso regimental, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) retomou as reuniões no plenário Ruy Araújo nesta quinta-feira (1º/8), e a saúde foi destaque nos debates, com discussões sobre o pagamento da data-base dos servidores da área.

Durante seu pronunciamento, o deputado Dr. Gomes (Podemos) falou sobre os profissionais da saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Ele destacou que, na ultima terça-feira (30/7), os representantes de 22 mil servidores da saúde, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentre outros, em reunião com o governador Wilson Lima (UB), conseguiram negociar o início do pagamento da data-base 2024 da categoria a partir do mês de setembro.

“A data-base era para ter sido paga no mês de maio, mas será paga a partir de setembro, e os retroativos serão pagos em três parcelas”, destacou Dr. Gomes, parabenizando o governo e os trabalhadores, que após muitas conversas conseguiram chegar a um acordo.

O deputado também informou que a categoria será beneficiada com o pagamento do auxílio-alimentação, no valor de R$ 600, aos servidores que estejam de licença médica por mais de 30 dias.

“Isto vale para os servidores que estejam de licença médica ou licença prêmio”, celebrou o parlamentar, destacando o empenho e sensibilidade do governo para contribuir com o bem-estar dos servidores.

Foto: Divulgação

Propostas para a proteção de mulheres, crianças e adolescentes avançam na Assembleia Legislativa

A volta dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quinta-feira (1º/8), marcando o início do segundo semestre da 20ª Legislatura, trouxe um total de 29 matérias legislativas tramitando atualmente, cumprindo o rito de três dias, e após o prazo regimental, estarão aptas a entrar na pauta de votação.

É o caso do Projeto de Lei (PL) nº 436 de 2024, de autoria da deputada estadual Alessandra Campelo (Podemos), que pretende estabelecer a responsabilização administrativa de veículos de comunicação que, ao noticiar casos de estupro, atribuírem conduta ativa ou responsabilidade à vítima. A medida é uma resposta à necessidade de proteger as vítimas de violência sexual contra a revitimização e a estigmatização midiática.

“A proposta busca assegurar que a narrativa jornalística se abstenha de culpar as vítimas, promovendo uma abordagem mais sensível e justa”, justificou a parlamentar. Atualmente, o projeto encontra-se em seu segundo dia de tramitação, com um prazo total de três dias para discussão em pauta.

Já o PL nº 432 de 2024, de autoria do deputado estadual Rozenha (PMB), propõe a criação da Política Estadual de Proteção a Crianças contra Brincadeiras Nocivas e Desafios Perigosos nos Ambientes Virtuais. A iniciativa reconhece a crescente influência das redes sociais e outras plataformas digitais na vida das crianças e adolescentes, e a necessidade de regulamentar e proteger esses jovens contra práticas que possam colocar em risco sua integridade física e mental.

A medida inclui a implementação de estratégias educacionais e de conscientização, além de possíveis sanções para quem promover tais atividades nocivas. O projeto também se encontra no segundo dia de tramitação em pauta, dentro do prazo de três dias estipulado.

O Projeto de Lei nº 422 de 2024, de autoria do deputado estadual João Luiz (Republicanos), estabelece a obrigatoriedade de síndicos e administradores de condomínios residenciais e comerciais, incluindo shoppings centers, de reportar à Rede de Proteção da Criança e do Adolescente qualquer ocorrência ou indícios de violência sexual, física, psicológica, negligência ou abandono contra crianças e adolescentes.

A proposta visa fortalecer a rede de proteção infantil, garantindo que suspeitas e ocorrências de violência sejam prontamente comunicadas às autoridades competentes para a devida investigação e intervenção. O projeto está em seu terceiro e último dia de tramitação em pauta.

Esses Projetos de Lei, que se unem aos outros 26 em tramitação, buscam reforçar a proteção aos mais vulneráveis e promover uma responsabilização mais rigorosa em casos de violência e abusos, refletindo um compromisso do legislativo amazonense com a construção de uma sociedade mais justa e segura.

Foto: Divulgação

Conselho de Comunicação Social debate uso de IA nas eleições

A regulação das redes sociais e da inteligência artificial no processo eleitoral é o tema de uma audiência pública marcada para a próxima segunda-feira (5/8), às 9h30. A iniciativa é do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional.

Foram convidados para o debate Samara Castro, representante da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Marilda Silveira, doutora em direito administrativo e professora do IDP, de Brasília; e Fabrício da Mota Alves, especialista em direito digital e membro do Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O Senado tem uma comissão sobre inteligência artificial que já vem debatendo o PL 2.338/2023, projeto que visa regulamentar o uso da IA. A proposta foi apresentada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente da Casa. O texto tramita em conjunto com outros nove projetos que também estabelecem um arcabouço legal para a inteligência artificial no Brasil.

Pacheco também defende a regulação das mídias sociais. Em abril deste ano, o presidente do Senado cobrou responsabilidade das plataformas digitais para evitar a divulgação de mentiras no ambiente virtual. Em 2020, o Senado aprovou o PL 2.630/2020, conhecido como PL das Fake News. Apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o projeto cria a lei brasileira de liberdade, responsabilidade e transparência na internet. Mas o texto ainda tramita na Câmara dos Deputados. 

Fonte: Agência Senado

PIB brasileiro vai crescer mais que 2% este ano, avalia IFI

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai crescer mais do que o esperado em 2024, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgada nesta quinta-feira (1º/8). De acordo com a IFI, o aumento do PIB deve ficar em 2,3% este ano se o bom resultado econômico do primeiro semestre se repetir no restante do ano.

“Apesar do impacto das enchentes no Rio Grande do Sul, a atividade econômica evoluiu acima do esperado ao longo do segundo trimestre, indicando um viés de alta para a projeção da IFI para o PIB de 2024”, afirma a instituição no Comentário da IFI nº 22.

Segundo o documento, os últimos dados do Banco Central e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) confirmam que a atividade econômica nacional cresceu no segundo trimestre e a trajetória deve continuar positiva até o final do ano.

Mesmo com os altos prejuízos econômicos da tragédia no Rio Grande do Sul, diz a IFI, o consumo de bens e serviços teve bons resultados no restante do país em 2024 graças “ao dinamismo do mercado de trabalho, marcado pelo aumento do emprego e do rendimento real”. A última expectativa da IFI era de crescimento do PIB em 2024 de 2%, conforme o Relatório de Acompanhamento Fiscal de junho. 

De acordo com a IFI, o aumento acima de 2% também é projetado pela FGV (2,2%), pelo FMI (2,1%) e pelo Ministério da Fazenda (2,5%). Em 2023 o crescimento do PIB brasileiro foi de 2,9%, totalizando R$ 10,9 trilhões.

O PIB é o principal indicador da atividade econômica de um país e reflete o valor de todos os bens e serviços finais produzidos dentro do território de um país no mercado formal. A comparação entre tudo o que se produziu em um ano com o total do ano anterior indica se a economia está em um ciclo de prosperidade ou de crise.

Fonte: Agência Senado

CPI: Wesley Cardia será ouvido sobre suposto pedido de propina

O ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Wesley Cardia, será ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE) na terça-feira (6/8), na condição de testemunha. Cardia deverá prestar esclarecimentos sobre a notícia de um suposto pedido de vantagem financeira feito à associação em troca de proteção na CPI das Apostas Esportivas da Câmara dos Deputados.

A oitiva atende a requerimento (REQ 27/2024 — CPIMJAE) do vice-presidente do colegiado, senador Eduardo Girão (Novo-CE). O senador citou reportagem da revista Veja em setembro de 2023 sobre o alerta feito pelo ex-assessor especial do Ministério da Fazenda José Francisco Manssur ao ministro Fernando Haddad sobre a cobrança de R$ 35 milhões — atribuída ao deputado Felipe Carreras (PSB-PE), relator da CPI na Câmara — à Associação Nacional de Jogos e Loterias.

Em depoimento à CPI em 2 de julho, José Francisco Manssur confirmou que recebeu Cardia em seu gabinete e ouviu o relato do suposto pedido de vantagem financeira, mas ressalvou que não tinha meios de confirmar se a informação era verdadeira.

Anderson Ibrahim

Ausente da reunião da CPI de 10 de julho, o representante da empresa Air Golden — antiga gestora do futebol do Clube Atlético Patrocinense (MG) — Anderson Ibrahim também prestará depoimento ao colegiado, agora na condição de convocado. A presença de Ibrahim é esperada para esclarecimentos sobre a suspeita de manipulação na partida em que o Patrocinense perdeu por 3 a 0 para o Inter de Limeira pela Série D do Campeonato Brasileiro, em 1º de junho. A partida está sendo investigada pela Polícia Federal com base em movimentação suspeita em casas de apostas. 

Ibrahim tinha sido convidado à CPI para acareação com o presidente do Patrocinense, Roberto Avatar, mas informou que não compareceria por motivos familiares. Na ocasião, Avatar manifestou seu estranhamento com o resultado da partida, mas ressalvou que somente a investigação poderá comprovar irregularidades. Ao fim da reunião, a CPI aprovou requerimento (REQ 94/2024 — CPIMJAE) de convocação de Ibrahim.

“A contribuição dessa testemunha será essencial para esclarecer as circunstâncias e responsabilidades envolvidas, além de ser fundamental para o progresso das investigações deste colegiado”, diz o presidente da CPI, senador Jorge Kajuru (PSB-GO), em seu requerimento.

Requerimentos

Antes das oitivas, a CPI deverá votar seis requerimentos, entre os quais a convocação de Camila Silva da Motta, investigada na Operação Penalidade Máxima do Ministério Público de Goiás por manipulação de apostas esportivas. Em seu requerimento (REQ 95/2024 — CPIMJAE), o relator da comissão de inquérito, senador Romário (PL-RJ), citou a apuração da Penalidade Máxima, que teria identificado o marido de Camila, Bruno Lopez de Moura, como líder da organização criminosa e apontado Camila como integrante do núcleo administrativo do esquema. A CPI já tinha aprovado a quebra do sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da investigada.

As partidas entre Flamengo e Fortaleza e entre São Paulo e Atlético Mineiro, ambas realizadas em 11 de julho, são tema de três requerimentos. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) pediu informações à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre os dois jogos (REQ 97/2024 — CPIMJAE e REQ 98/2024 — CPIMJAE). Eduardo Girão propôs convite (REQ 96/2024 — CPIMJAE) a Péricles Bassols, integrante da equipe do VAR da CBF, para esclarecimentos sobre os critérios de arbitragem nas partidas.

Portinho também apresentou requerimentos de esclarecimentos à empresa Sportradar (REQ 99/2024 — CPIMJAE) e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD), conjuntamente com o Departamento de Competições da CBF (REQ 100/2024 — CPIMJAE), sobre alertas de suspeita de manipulação de resultados em jogos entre 2017 e 2021.

Fonte: Agência Senado

CPI ouve dirigente de clube goiano que denunciou manipulação de jogos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas reúne-se na quarta-feira (7/8), às 14h, para tomada de três depoimentos. Entre eles, o do presidente do Vila Nova Futebol Clube, o major Hugo Jorge Bravo. Ele foi o primeiro dirigente esportivo a denunciar as suspeitas de manipulação de resultados de partidas. Depois de ouvir que um jogador foi aliciado e estava sendo ameaçado por apostadores, Bravo reuniu provas, que foram apresentadas ao Ministério Público de Goiás (MP-GO).

A Operação Penalidade Máxima, do MP goiano, teve início no final de 2022, após a denúncia de que o volante Marcos Vinicius Alves Barreira (conhecido como Romário), então jogador do Vila Nova (GO), teria aceitado uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti no jogo contra o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Ele teria recebido um sinal de R$ 10 mil e receberia os outros R$ 140 mil após a partida, com o pênalti cometido. O presidente do Vila Nova procurou identificar as pessoas envolvidas e iniciou um trabalho de produção de provas para levar o MP a investigar o grupo criminoso, acusado de oferecer dinheiro para jogadores de futebol receberem punições em campo. Os integrantes do alegado esquema lucrariam em sites de apostas esportivas. Bravo foi convidado a depor em requerimento apresentado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que preside a CPI (REQ 21/2024).

Padrões de integridade

Por meio de videoconferência, a comissão também ouvirá o presidente da SIGA Latin America, Emanuel Medeiros, que falará sobre a experiência global da entidade na certificação independente em padrões de integridade no esporte. A entidade possui parcerias com a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e com a Liga Portugal. No Brasil, a empresa é parceira da Federação Paulista de Futebol.

Recentemente, a SIGA assinou acordo de cooperação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a implementação do Sistema Independente de Rating e Verificação da SIGA (SIRVS). A parceria inclui também a partilha de conhecimentos e a implantação de melhores práticas de governança para a integridade das apostas esportivas. Relator da CPI, o senador Romário (PL-RJ) é autor do convite para Medeiros depor na comissão (REQ 44/2024).

Bancas de apostas

A comissão ouvirá ainda o presidente do Conselho Administrativo da Santa Casa Global Brasil, Ricardo Gonçalves. Ele foi convocado para esclarecer denúncias e informações divulgadas pelas imprensas portuguesa e brasileira, especificamente pelo jornal Expresso e pela revista Piauí. De acordo com esses veículos de comunicação, a filial brasileira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que opera loterias e bancas de apostas em Portugal, possui uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do Brasil.

Essa dívida estaria relacionada a operações da Santa Casa em São Paulo, onde a instituição tentava estabelecer uma concessão de loterias estaduais. Documentos internos da Santa Casa revelaram que a organização foi extorquida pelo PCC, resultando na mencionada dívida. Ainda que uma auditoria interna da Santa Casa Global não tenha citado essa dívida especificamente, outras irregularidades foram denunciadas ao Ministério Público português.

Gonçalves foi convocado a depor na comissão por meio de requerimento (REQ 81/2024) apresentado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ).

A reunião da CPI será na sala 2 da Ala Senador Nilo Coelho.

Fonte: Agência Senado