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STF tem placar de 3 votos a 0 contra marco temporal

O Supremo Tribunal Federal (STF) registrou mais um voto pela inconstitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas. O caso é julgado em sessão do plenário virtual da Corte.

Com o voto do ministro Cristiano Zanin, a Corte tem placar de 3 votos a 0 contra a restrição. Mais cedo, os ministros Gilmar Mendes, relator, e Flavio Dino também proferiram voto no mesmo sentido.

A votação começou hoje e ficará aberta até quinta-feira (18), às 23h59. Faltam sete votos.

Entenda

Dois anos após a Corte declarar o marco inconstitucional, os ministros voltaram a analisar o tema.

Em 2023, o STF considerou que o marco temporal é inconstitucional. Além disso, o marco também foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou parte da Lei 14.701/2023 , na qual o Congresso validou a regra. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula.

Dessa forma, voltou a prevalecer o entendimento de que os indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Após a votação do veto presidencial, o PL, o PP e o Republicanos protocolaram no STF ações para manter a validade do projeto de lei que reconheceu a tese do marco temporal.

Por outro lado, entidades que representam os indígenas e partidos governistas também recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese. 

Senado 

Em paralelo ao julgamento do Supremo, o Senado aprovou na semana passada a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/23 que insere a tese do marco temporal na Carta Magna. 

Fonte: Agência Brasil

Toffoli autoriza diligências da PF em investigação sobre Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (15) determinar novas diligências envolvendo a investigação que alcançou o banqueiro Daniel Vorcaro, um dos sócios do Banco Master.

O ministro deu prazo de 30 dias para a Polícia Federal (PF) realizar os depoimentos dos investigados e das autoridades do Banco Central que realizaram as investigações.

A PF também poderá requisitar informações aos órgãos envolvidos na investigação e novos pedidos de quebra de sigilo telefônico.

No início deste mês, Toffoli decidiu que a investigação sobre o Banco Master deverá ter andamento no STF, e não mais na Justiça Federal em Brasília. A medida foi tomada diante da citação de um deputado federal nas investigações. Parlamentares têm foro privilegiado na Corte.

Em novembro deste, Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

Além de Vorcaro, são investigados os ex-diretores Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, além de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.

Após a prisão, os advogados de Daniel Vorcaro negaram que o banqueiro tentou fugir do país e sustentou que ele sempre se colocou à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.

O BRB informou que vai contratar uma auditoria externa para apurar os fatos. O banco também diz que vai apurar possíveis falhas de governança ou dos controles internos. 

Fonte: Agência Brasil

Bolsonaro passará por perícia médica na próxima quarta-feira

O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por uma perícia médica na próxima quarta-feira (17). A data foi agendada pela Polícia Federal (PF) após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A perícia será realizada por peritos da PF na sede do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

O procedimento foi determinado pelo ministro, que vai decidir se autoriza Bolsonaro a deixar a prisão para realizar uma cirurgia recomendada pelos médicos particulares.

Na mesma decisão, Moraes determinou que o exame de ultrassom realizado neste domingo (14) por Bolsonaro seja enviado aos peritos. O exame confirmou diagnóstico de hérnia inguinal. O procedimento foi feito com um equipamento portátil e autorizado por Moraes.

Bolsonaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.

Fonte: Agência Brasil

TRE-AM abre espaço para debate global sobre tecnologia, cultura e eleições seguras

Democracia, arte e tecnologia dividiram o mesmo espaço nesta segunda-feira (15/12), no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), durante a Conferência Internacional de Políticas Públicas, Artes e Segurança Cibernética. O evento reuniu especialistas do Brasil e do exterior para discutir os impactos da transformação digital, especialmente diante do cenário eleitoral que se aproxima com as Eleições de 2026.

Realizado pelo TRE-AM, em parceria com a Fundação Newman Educational, vinculada à Southeast Missouri State University (EUA), com a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amapá (IFA), a conferência promoveu um diálogo interdisciplinar sobre temas como inteligência artificial, desinformação, segurança cibernética e cultura.

A presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis, destacou a relevância do encontro voltado à reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos da democracia. “Vivemos um tempo em que a era digital amplia o acesso ao conhecimento, mas também impõe desafios complexos, como a segurança cibernética e a confiabilidade da informação. Embora a Justiça Eleitoral brasileira seja reconhecida internacionalmente pela integridade do sistema eletrônico de votação, a defesa da democracia exige investimentos permanentes em educação, diálogo científico e políticas públicas”, afirmou. Entre as medidas apontadas pela presidente, estão os investimentos do TRE-AM na área de informática, com recursos orçamentários destinados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Recentemente, a Justiça Eleitoral realizou um concurso público, com a maior parte das vagas destinada ao setor de Tecnologia da Informação, fortalecendo a formação de equipes voltadas à prevenção, ao bloqueio e à resposta mais eficiente à disseminação de fake news”, acrescentou.

Após a apresentação Madrigal Amazonas, sob a regência do maestro Adroaldo Cauduro, a programação seguiu painéis e mesas redondas. Os desafios da segurança cibernética – ambientes eleitorais, culturais e educacionais foram discutidos pelo Delegado Adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Ivo Martins e o Secretário de Tecnologia da Informação do TRE-AM, Kleber Merklein.

O secretário destacou as especificidades da região amazônica, onde o avanço da conectividade tem ampliado o acesso à internet e promovido a inclusão digital, mas também abrindo espaço para a desinformação. “Embora a segurança da urna eletrônica seja consolidada e resiliente há décadas, o principal desafio está no ambiente informacional que cerca o eleitor, tendo muito mais acesso à desinformação e, agora, à inteligência artificial, que potencializa esses riscos”, explicou.

A urna eletrônica, que em 2026 completa 30 anos de utilização no sistema eleitoral brasileiro, com resultados comprovados em transparência, agilidade e segurança, foi tema de destaque no último painel da conferência, composto pelas desembargadoras Carla Reis e Vânia Marques, a analista judiciária Ana Cristina da Paz (TRE-AP), e o professor James Newman (NE). Na ocasião, o representante da universidade apresentou as principais características do modelo eleitoral americano, ampliando o diálogo internacional e reforçando a importância da troca de experiências para o fortalecimento da democracia.

As regras de postagem nas redes sociais e os direitos artísticos também foram abordados em palestra ministrada pela desembargadora Socorro Guedes. O evento contou ainda com a participação de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Comando Militar da Amazônia (CMA), do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), além da sociedade civil, que contribuiu com a doação de latas de leite no ato da inscrição. As arrecadações serão destinadas à Casa do Idoso São Vicente de Paulo.

Foto: Júnior Souza/TRE-AM

Deputada Débora Menezes propõe transformar “Sonho de Natal” da NIB em Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas

A deputada Débora Menezes apresentou, nesta terça-feira (9/12), um Projeto de Lei que declara o espetáculo “Sonho de Natal”, realizado anualmente pela Nova Igreja Batista (NIB), como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas, reconhecendo sua relevância artística, comunitária e histórica para a capital.

Realizado desde 2002, o “Sonho de Natal” tornou-se uma das tradições mais significativas do calendário cultural de Manaus. Segundo o texto apresentado pela deputada Débora Menezes, a iniciativa busca oficializar o reconhecimento de uma manifestação que há mais de duas décadas reúne famílias, turistas e milhares de voluntários em apresentações cênicas, musicais e teatrais de grande porte.

O projeto destaca ainda que o espetáculo se consolidou como referência comunitária pela natureza voluntária de sua produção. Todos os anos, milhares de pessoas se dedicam à criação de figurinos, cenários, coreografias e arranjos musicais, configurando um “modo de fazer” que se enquadra nos critérios antropológicos e legais de bens culturais imateriais. Essa continuidade histórica, segundo a propositora, assegura ao evento relevância simbólica e representatividade social.

A deputada ressalta que o reconhecimento não implica repasse de recursos públicos, nem interfere na autonomia da igreja responsável pela realização do espetáculo. O objetivo é fortalecer a salvaguarda da tradição e garantir que práticas culturais consolidadas pela própria comunidade recebam a devida proteção institucional.

“Trata-se de uma manifestação que há mais de vinte anos integra a memória coletiva da nossa cidade e mobiliza milhares de voluntários em um trabalho comunitário contínuo. O reconhecimento como patrimônio imaterial valoriza esse legado e reforça sua preservação”, afirmou a deputada Débora Menezes.

O PL prevê que o registro do “Sonho de Natal” seja realizado pelo órgão estadual responsável pela política de patrimônio cultural, de modo a integrar o Livro de Registro dos Bens Culturais de Natureza Imaterial do Estado. Para Débora Menezes, esse reconhecimento contribui para preservar um legado artístico que, ano após ano, promove encontro, solidariedade e identidade entre os amazonenses.

O documento agora segue para análise e tramitação na Diretoria de Apoio Legislativo.

Foto: Divulgação

Carla Zambelli renuncia ao mandato; Câmara dará posse ao suplente

A Câmara dos Deputados informou neste domingo (14) que a deputada Carla Zambelli (PL-SP) renunciou ao mandato. A comunicação foi enviada à Mesa Diretora da Casa. 

Com a renúncia, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve dar posse nesta segunda-feira (15) ao suplente da parlamentar, Adilson Barroso (PL-SP). 

Zambelli deixa o mandato dois dias após Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a cassação imediata do mandato dela. 

Na sexta-feira (12), a Primeira Turma do Supremo confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que anulou a votação da Câmara dos Deputados que rejeitou a cassação e manteve o mandato da deputada.

Na última quarta-feira (10), a Câmara decidiu manter o mandato de Carla Zambelli pelo placar de 227 votos a favor e 110 contra. Eram necessários 257 votos para aprovação da cassação.

Diante da deliberação que manteve o mandato da parlamentar, Alexandre de Moraes decidiu anular a resolução da Casa que oficializou o resultado da votação.

O ministro disse que a decisão é inconstitucional. No entendimento de Moraes, a Constituição definiu que cabe ao Poder Judiciário determinar a perda do mandato de parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, cabendo à Câmara somente “declarar a perda do mandato”.

Fuga

Em julho deste ano, Zambelli foi presa em Roma, na Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por ter dupla cidadania, a deputada deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023.

A decisão final sobre o processo de extradição feito pelo governo brasileiro será tomada em audiência da Justiça italiana na próxima quinta-feira (18).  

Fonte: Agência Brasil

Ministério diz que Enel pode perder concessão se não cumprir metas

O Ministério de Minas e Energia afirmou neste domingo (14) que a Enel poderá perder a concessão para operar no estado de São Paulo se não cumprir integralmente os índices de qualidade e as obrigações contratuais previstas.

O posicionamento da pasta foi divulgado depois que a concessionária voltou a ser alvo de críticas pela demora no restabelecimento da energia elétrica após a passagem de um ciclone extratropical pelo estado.

No auge da crise, na quarta-feira (10), cerca de 2,2 milhões de clientes foram impactados. Os ventos, que chegaram a 98km/h em algumas regiões, derrubaram mais de 300 árvores. Muitas delas caíram sobre a rede de fios, destruindo cabos e postes. Até ontem, ainda havia mais de 417 mil sem o serviço.

Em nota divulgada à imprensa, o ministério disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou rigor absoluto na fiscalização da qualidade dos serviços de energia.

“O governo do Brasil não tolerará falhas reiteradas, interrupções prolongadas ou qualquer desrespeito à população, especialmente em um serviço essencial como o fornecimento de energia elétrica”, declarou a pasta.

O órgão também informou que o ministro Alexandre Silveira atua desde 2023 para alertar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os problemas envolvendo a Enel.

Segundo o ministério, Silveira também propôs uma reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes, para “alinhamento de responsabilidades” envolvendo o caso.

Outro lado

Em comunicado aos consumidores, a Enel disse que a energia foi restabelecida neste domingo para 99% dos clientes da companhia. A empresa afirmou ainda que segue atuando para atender todos os clientes afetados.

“Desde a manhã de quarta-feira, mobilizamos um número recorde de equipes em campo, chegando a até 1.800 times ao longo dos dias de trabalho”, disse a Enel.

Fonte: Agência Brasil

Motta volta atrás e mantém escolta de segurança para deputada do PSOL

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), votou atrás e decidiu manter a escolta de agentes que fazem a segurança pessoal da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ).

A decisão foi tomada neste sábado (13) após a parlamentar divulgar nas redes sociais que a proteção foi retirada pela Casa. Desde 2020, a deputada é acompanhada por agentes da Polícia Legislativa Federal (PLF) por receber constantes ameaças de morte.

“Fui surpreendida com a retirada da minha proteção nos últimos dias, em meio a uma semana conturbada na Câmara dos Deputados [caso Glauber Braga]. Desde o primeiro momento, há dois dias, tentei contato com o presidente Hugo Motta, sem sucesso, o que gerou grande preocupação. Há pouco, recebi uma ligação do presidente da Casa informando que irá acolher o recurso referente à minha escolta, garantindo o retorno das condições para o exercício do mandato com segurança”, disse a deputada.

De acordo com a Câmara, a escolta foi retirada após um parecer técnico emitido pela PLF concluir que não há mais ameaças recorrentes contra Talíria.

Segundo a assessoria de imprensa da Casa, o parecer foi elaborado após consultas feitas com auxílio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Polícia Federal (PF).

A Casa também informou que a escolta será mantida de forma provisória até decisão final sobre o pedido de reconsideração apresentado pela deputada.

Foto: Divulgação

Moraes autoriza Bolsonaro a ser submetido a ultrassom na prisão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para realização de um exame de ultrassonografia dentro da prisão. A decisão foi proferida na noite deste sábado (13).

Bolsonaro está preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.

“Diante do exposto, autorizo a realização do exame no local onde o condenado encontra-se custodiado, nos termos requeridos pela defesa. Dê-se ciência da presente decisão à Polícia Federal. Intimem-se os advogados regularmente constituídos”, decidiu o ministro.

O pedido de autorização foi feito na última quinta-feira (11) após Moraes determinar que Bolsonaro passe por uma perícia médica oficial, que deve ser feita pela própria PF, no prazo de 15 dias.

O exame será feito pelo médico Bruno Luís Barbosa Cherulli. O profissional fará o procedimento com um equipamento portátil de ultrassom, nas regiões inguinais direita e esquerda.

A defesa disse que a medida é necessária para atualizar os exames do ex-presidente. Ao determinar a perícia, Moraes disse que os exames apresentados por Bolsonaro para pedir autorização para fazer cirurgia e cumprir prisão domiciliar são antigos.

Na terça-feira (9), os advogados de Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente apresentou piora no estado de saúde e pediram que ele seja levado imediatamente ao Hospital DF Star, em Brasília, para passar ser submetido a cirurgia.

Foto: Divulgação

Motta elogia servidora alvo da PF e diz que Dino não aponta desvio

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) saiu em defesa da servidora Mariângela Fialek, que foi alvo de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal, na sexta (12). Conhecida como “Tuca”, ela trabalhou para o ex-presidente da Casa, Arthur Lira. 

“A servidora Mariângela Fialek é uma técnica competente, responsável e comprometida com a boa gestão da coisa pública”, garantiu Motta em nota divulgada na noite de ontem. 

O atual presidente da Câmara, ainda em defesa dela, acrescentou que a servidora foi fundamental no “aprimoramento dos sistemas de rastreabilidade da proposição, indicação e execução de emendas parlamentares”.

“Orçamento secreto”

As investigações apontam que a ex-assessora de Lira era responsável por enviar ordens para comissões e determinar a liberação de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”. Assim ficou conhecida a destinação de verbas públicas sem identificação do político que fez a indicação ou dos beneficiários finais.

As diligências para investigação da servidora foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, Motta, na nota, escreveu que não encontrou na decisão do ministro “nenhum ato de desvio de verbas públicas. Nenhum”. 

Porém, ele observou que eventuais desvios devem ser devidamente apurados. Motta argumentou que seria importante não confundir o ato de “mera indicação de emendas parlamentares”, e que não seriam impositivas, com a final execução dessas verbas pelos destinatários finais.

“A correta execução dos recursos públicos e transferências governamentais, não apenas emendas parlamentares, mas também provenientes do Poder Executivo, pelos seus destinatários finais, deve ser estritamente acompanhada pelos órgãos de controle”, ponderou Motta. 

Investigação

As investigações dos procedimentos da servidora tiveram como ponto de partida o depoimento de seis parlamentares e de uma servidora da Câmara. Os relatos foram dos deputados Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA),  Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Segundo os testemunhos, Tuca encaminhava a comissões ofícios da Presidência da Câmara ordenando a liberação de emendas em especial para Alagoas, estado do parlamentar. 

A ex-assessora de Lira, que hoje possui um cargo no gabinete da presidência do PP na Câmara, já havia tido o sigilo telemático quebrado. No entanto, PF apontou a necessidade de realizar buscas após constatar a ausência de mensagens salvas em aparelhos ou nuvens de dados, embora tenha encontrado indícios da prática de crimes. 

Dino autorizou as buscas diante da “concreta possibilidade de que a representada tenha adotado condutas voltadas a impedir a realização de backup de seus dados mais sensíveis em ambiente de nuvem, mantendo acervo em meios físicos (papéis, máquinas, etc)”. 

O ministro frisou que os indícios apontam para “uma atuação contínua, sistemática e estruturada” na organização do orçamento secreto. 

Flávio Dino é relator também de uma ação em que o Supremo vedou as práticas do orçamento secreto, obrigando que a Câmara adotasse critérios mínimos de transparência e rastreabilidade do dinheiro público até o destinatário final. 

“Redirecionamento forçado”

As falas reforçam a suspeita de que havia “redirecionamento forçado” de recursos de emendas por Lira, sublinhou o ministro Flávio Dino. 

Em relatório parcial, a PF destacou como desde 2020 Tuca ocupou diversos cargos estratégicos em empresas públicas e no Legislativo, sempre por indicação de Lira, que a permitissem manipular o direcionamento de emendas. 

Após encontrarem uma anotação à mão que coincide com o direcionamento de emendas, os investigadores destacaram “o incomum desapego à formalidade” na formulação do Orçamento da União. 

“Uma anotação à mão, realizada de maneira rudimentar, foi responsável pela realocação de recursos de um Município para outro. Lamentavelmente, não há como não comparar a maneira de controlar e organizar o orçamento secreto coordenado por TUCA a uma ‘conta de padaria’”, escreveram os investigadores.

Fonte: Agência Brasil